segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Christie: "A resposta britânica ao sucesso de Creedence Clearwater Revival"

Jeff Christie entrou no mundo da música com uma banda chamada Outer Limits. Quando a banda se separou, resolveu arriscar a carreira de compositor. Gravou uma demo tendo como banda-apoio The Tremeloes, mas o que foi gravado nunca saiu dos estúdios. Mike, irmão de um dos componentes do The Tremeloes, Alan Blakely, gostou muito das letras de Christie, o que fez com que este criasse ânimo para montar uma banda. Esta contou com Christie no baixo e nos vocais, Mike Blakely na bateria e Vic Elmes, que fez parte de outras bandas com Blakely, na guitarra, e optou por usar o sobrenome de Jeff Christie para nomear o trio, que acabou sendo visto como a resposta britânica para o sucesso da banda americana Creedence Clearwater Revival. 
O primeiro single, "Yellow River", veio à luz usando os backing vocais da gravação de estúdio com The Tremeloes. Independente disso, a música fez um estrondoso e inesperado sucesso, ficando na parada de sucesso da Grã-Bretanha por vinte e duas semanas e chamando a atenção até nos Estados Unidos. O single seguinte do trio, "San Bernardino", ficou em primeiro lugar na Alemanha e em sétimo na Inglaterra, embora tenha ficado nas áreas mais baixas do TOP100 americano. O disco chamado "Yellow river", lançado em 1970, no entanto não ganhou destaque, tendo uma venda mediana, apesar de ficar nas listas da Billboard por dois meses e meio. O disco poderia e deveria ter ido mais longe, mas, por alguma razão, a música que poderia ter sido o terceiro grande single da banda, "Man of many faces", ficou de fora. 
O grupo sofreu muitas mudanças em 1971, como a saída de Mike Blakely, cansado da exaustiva turnê, que foi subustituído por Paul Fenton. A banda não apresentou novo disco até metade daquele ano, quando lançou "For all mankind", no qual houve mudanças perceptíveis, abandonando o estilo pop, e cujo single "Picture painter" não alcançou o sucesso dos anteriores. Com a entrada de Howard Lubin, surgiu "Iron horse", que acabou sendo um single tão bom quanto os de "Yellow river". No entanto, Christie e Elmes começaram a se desentender pessoal e profissionalmente, separando o quarteto. Elmes fez nome como guitarrista e se destacou ao fazer a trilha sonora da série "Space: 1999", entre outras. Fenton se tornou integrante da banda T-Rex, enquanto Lubin participou da gravação do disco "Overnight angels", de Ian Hunter. Jeff Christie manteve a banda com integrantes novos. Houve discussões quanto ao uso do nome da banda, embora Jeff tenha mais aparições com sua banda de nome Christie, às vezes Elmes se apresente com uma banda homônima. 
Histórias à parte, o fato é que Christie é uma ótima banda. Me criei ouvindo "Yellow river", mas só agora fui em busca da banda, cujas músicas são impossíveis de não se gostar. Ou pelo menos as da coleção que eu consegui baixar. Se tu leu toda a história da banda, nada mais justo que agora ouvi-la. Se tu não quer saber da história da banda, pelo menos a ouça.

Yellow river (clipe alternativo)



San Bernardino (clipe alternativo gravado em um castelo alemão - sim, eu entrei eu colapso ao descobrir isso)


Man of many faces 


Picture painter (aqui a música "For all mankind", que deu nome ao segundo disco)


Iron horse


Postaria todos os vídeos de Christie, mas termino com essa bela música, que, assim como "Iron horse" não chegou a ser gravada em disco:

One for the road 


Obviamente que esse post não é resultado do meu conhecimento musical (tudo que eu fiz foi querer falar da banda), mas sim da minha pesquisa no glorioso allmusic.com, com uma página admirável sobre Christie, e do maravilhoso canal de vídeos do YouTube yowieray, com vídeos da banda e relacionados a ela - como uma música da primeira banda de Jeff Christie. O canal é do que entendi ser o site oficial de Jeff Christie, o que explica muita coisa. 
Espero que tenham gostado da banda, se não gostaram, tudo bem, não tenho compromisso de tentar descobrir o que se passa na cabeça dos leitores desse humilde beco obscuro da blogosfera. Quem quiser baixar, o caminho da luz que encontrei foi este, no qual se deve mandar um e-mail para que se receba os links de download. Licença que vou lá mandar meu e-mail.
Até mais ver. 

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

O causo da porquinha

E naquela trova com todo mundo ainda sentado ao redor da mesa, depois do belo churrasco de domingo e antes de carpetear, não é difícil relembrar os tempos passados e as histórias das redondezas. Não posso negar que a mais divertida e que jamais canso de ouvir é o causo da pobre porquinha. Ah, mas o pai não gosta nada de contar, acho que a consciência ainda lhe pesa. Diz ele:
- Eu era guri novo, sabe como é, e com esse teu tio e o primo dele... - Mas na insistência ele conta: - Bom, tu sabe, fomos os três pra praia, fazer farra, sabe como é gurizada. Aí entre cerveja e baralho...
- Foi na mesma viagem que vocês quase se mataram porque as cervejas tinham acabado e tinha um lugar vazio no engradado? Vocês brigaram por achar que um tinha roubado a cerveja pra tomar sozinho, isso?
- É, acho que foi nessa. E quando nem olhávamos mais na cara um do outro, alguém descobriu a garrafa apoiando a janela. Vazia. Mas indo adiante, vez ou outra a gente levantava da cadeira pra esticar as pernas, numa dessas um piá estava do lado de fora vendendo algo.... Lembra o que era, compadre?
- Acho que era pamonha... Ou pé-de-moleque. Algo assim. 
- Isso, aí acho que tu deu uma trovada no guri, não sei se chegou a comprar algo. Mas enfim, o guri foi embora. Voltamos ao baralho e de noite um deles dois ouviu um barulho. Eu não ouvi nada. Jurava que eles tavam bêbados e escutando coisas, mas eles teimaram. Foi um deles lá fora e voltou dizendo que era um porco. Veio pedir ajuda pra pegar o bicho. Fui contra, mas sabe né, já tínhamos bebido muito e eles insistiram... Achei que não iam conseguir, mas os dois pegaram o pobre do bicho. Me neguei a fazer parte da matança e disse pra eles irem pra um lugar em que não fizesse muita sujeira. Os dois carregaram o bicho que não parava quieto pro banheiro. Vindos do campo, os dois sabiam como matar o porco. Foram lá e despedaçaram o bicho. Pra mim sobrou limpar a bagunça. As lajotas do banheiro estavam meio frouxas e por dias a gente pisava no banheiro e jorrava sangue de porco de algum lugar. Terrível.
- Nem vem, compadre, tu bem que comeu o porco também.
- Ahh, nem me fale. Lembra? Passamos dias comendo porco de tudo que é jeito e aquela carne não acabava nunca! Demorei um tempo pra conseguir olhar pra carne de porco de novo depois disso. Mas a parte pior não foi o sangue no banheiro ou a carne interminável. Quando quase enlouquecíamos com aqueles montes de carne, o piá que no dia do surgimento do porco veio vender pamonha ou seja lá o que ele vendia, apareceu com cara de choro, olhos atentos a qualquer sinal, e pediu com uma voz lamuriosa: "Moço, vocês não viram uma porquinha por aí? Ela sumiu, era de estimação...". 

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

O inocente - John Grisham

John Grisham é conhecido por suas fantásticas histórias criminais, muitas das quais foram transformadas em filmes, como "O dossiê pelicano", "O cliente" e "O homem que fazia chover". Todas ficções criadas com base no seu conhecimento jurídico e sua carreira de advogado. Mas há pouco tempo descobri que ele tinha um livro baseado em fatos reais. Precisamente um mês atrás, quando recebi o livro "O inocente" que a minha colega de GA, Erica Ferro, me deu.
A história que Grisham conta, ele conheceu ao ler o obituário de Ron Williamson, um homem que na juventude sonhou em ser um grande astro do beisebol, mas que teve uma carreira decepcionante. Ao voltar para sua cidade natal, Ada, Ron é apenas pedaços estraçalhados do jovem que saiu da pequena cidade para ser um heroi do esporte. No momento em que Debbie Carter é vítima de um estupro seguido de assassinato terrível, Ron mora com a mãe e passa a maior parte das vinte e quatro horas do dia dormindo. Quando está acordado, bebe e/ou toma remédios por questões psiquiátricas.
Depois de investigações que, de acordo com a polícia, foram da melhor qualidade, Ron Williamson é acusado pelo crime, junto com o amigo Dennis Fritz, com quem há meses não se encontrava. Com provas questionáveis e sonhos como confissões, o tribunal de Ada envia Ron para o Corredor da Morte e Dennis para a prisão perpétua.
Grisham conta toda a vida de Ron Williamson, o julgamento e sua luta no Corredor da Morte, escancarando os problemas policiais existentes não apenas da cidade de Ada, mas de muitas outras cidades dos Estados Unidos e do mundo. Cada frase escrita por John Grisham é cheia de desprezo e revolta, sem deixar de lado o medo que todos sentimos ao perceber que inocentes são julgados enquanto os verdadeiros criminosos estão por aí. Uma leitura que nos enche de indignação, que nos pesa no espírito, mas que nos prende por inteiro, segurando nossa respiração nos momentos de angústia e nos enchendo de raiva nos de injustiça, e faz com que leiamos o livro a cada segundo de descanso que temos, dominando-nos com a ânsia desesperada por justiça.

Leia mais sobre o livro aqui.


Ah, e tem promoção-relâmpago lá no GA, a quem interessar possa.