domingo, 15 de novembro de 2015

O futuro é o caos

Há mais de dois anos esse blog está abandonado. Não sei ao certo porquê. Talvez por causa do blog de viagem, talvez porque cansei da atual blogosfera (mais próxima do profissional do que do pessoal), ou talvez porque comecei a achar mais prático colocar minhas ideias no Facebook - provavelmente tudo isso junto. 

Nos últimos tempos conclui uma dúzia de novas coisas, dentre as quais estão: a) a blogosfera foi algo extremamente importante pra mim, especialmente no que se refere às pessoas que conheci; b) estou desanimada demais com o Facebook para continuar fazendo por lá os resmungos que eu fazia aqui. No início do ano fechei o blog, outro dia o resgate de um post publicado há anos me fez reabri-lo em silêncio. Hoje, por uma necessidade maior que a vontade, volto a publicar aqui. Veremos o que acontece a seguir. 

Talvez a viagem pra Alemanha tenha me estragado, talvez tenha me melhorado, talvez eu seja só neurótica mesmo, mas o fato é que desde que voltei me sinto mais afastada das pessoas do que quando eu estava do outro lado do Atlântico. Pode parecer dramático, mas é real: quando tu está longe todo mundo te ama, se preocupa contigo e etc e tal, aí tu volta e só lembram de ti na hora de falar do show do namorado ou quando terminam com ele (de maneira geral). Em outras palavras, há pessoas demais para te darem tapinhas nas costas quando tu faz algo novo, mas quando tu está desesperado na mesma rotina, elas estão mais ocupadas com suas próprias vidas. 

Há três anos escrevi aqui minha teoria de relacionamentos fracassados, houve mais comentários do que imaginei, até porque era uma ideia que eu tentava falar pra todo mundo e ninguém me escutava. Eu continuo acreditando nela. Alguns podem chamar isso de romantismo extremo e coisa e tal. Pode ser que seja, mas eu vejo apenas como normal. Costumo dizer que tenho uma lista de ótimos amigos no lugar de uma lista de ex-namorados e isso me deixa extremamente feliz. 

Quando encontro um cara legal... bem, eu o vejo como um cara legal, não como um namorado em potencial como muitas parecem fazer (uma vez brinquei com isso lá no GA). Se já achei um cara que me interessasse mais que isso? Sim! Deu certo? Não. Minhas amigas sabem sobre? Grande parte não. Por quê? Porque porquê diabos eu deveria contar sobre algo que nem é certo? No dia que eu encontrar um cara que me aguente dois anos, pelo menos, quem sabe eu pense em anunciar oficialmente um namoro ou coisa do gênero. 

Ah, sim, mas o que isso tudo tem a ver com a minha decepção dos últimos tempos com as pessoas? Porque: a) outro dia constatei que dizer que as pessoas só lembram de mim quando estão solteiras é uma piada deprimentemente real; b) outro dia tive que ouvir uma 'brincadeira' de que eu preciso arrumar um namorado para voltar a me enturmar no grupo. Tudo isso me deixou terrivelmente desanimada com o universo. Explico. 

Primeiro de tudo porque acho um absurdo que uma pessoa que tenha um(a) namorado(a) só saia com ele(a) como sombra e esqueça dos amigos dos quais costuma lembrar quando está solteiro(a). Isso é uma coisa que eu reparo faz tempo, mas que me desanima constatar tão próximo de mim. Especialmente porque algumas das pessoas que, por exemplo, sumiram do meu dia a dia fizeram tudo que, quando terminaram o namoro anterior, disseram que não iam fazer: arrumar outro namoro em seguida, dar trela pr'aquela criatura sem graça que pegou no seu pé (adivinha quem é o novo namorado?), deixar se afastar (de novo) das amigas, etc, etc. 

Quer dizer, a grande maioria das pessoas me parece estar num relacionamento só para dizer que tem um relacionamento, que não está sozinha... E me faz lembrar daquela minha ideia de anos de que elas não conseguem viver consigo mesmas, que não conseguem viver por si, descobrir o que querem ou não fazer. Se estão com alguém, precisam assumir isso o quanto antes, deixar que todos saibam, mostrar que são felizes. Mas será que são?

E aí me vem a minha mais recente conclusão: o futuro é o caos. Assim como acredito que um dia o excesso de tecnologia vai fazer com que as pessoas 'entrem em pane', consigo visualizar o dia em que as pessoas se destruirão emocionalmente por terem um apego maior ao outro do que a si. Um dia o choque será tamanho que vai zerar tudo e elas vão lembrar que o importante é o que hoje está esquecido: o contato real com as pessoas, as amizades verdadeiras, além da internet e de namoros motivados pelo medo da solidão. 

Pode ser exagero da minha parte, pode não ser. Pode ser que nunca aconteça, pode ser que sim. Algo, no fim das contas, terá que acontecer, porque no ritmo que estamos indo está lamentável. Não, nem todos os relacionamentos são fracassados, assim como nem todas as amizades virtuais são ilusões (eu que o diga, já que algumas das pessoas em que mais considero são amigos descobertos através desse blog), mas, infelizmente, parece que essas relações irreais são mais numerosas que as outras. 

Minha fé no mundo voltará a existir quando, ao ouvir que alguém é solteiro, as pessoas achem a informação irrelevante o suficiente para dizer "E daí?" em lugar de: a) dar tapinhas de consolo no ombro dizendo "Não se preocupa, logo tu acha alguém"; b) sorrir e dizer "te admiro, está colocando tua vida profissional em primeiro lugar"; ou ainda c) concluir que a pessoa é 'solteira convicta' e deve estar chutando pretendentes que surgem por todos os lados.

Ah, enfim, estou desanimada e não sei o que digo, ou melhor, escrevo. Sou tola o suficiente para crer que as pessoas deveriam ficar próximas umas das outras por prazer na companhia do outro e não por receio de ficar sozinhas, do mesmo modo que acredito que amizade é uma via de duas mãos, onde tu também deve se preocupar com quem se preocupa contigo em lugar de lembrar de vez em quando da pessoa. Ainda há pessoas assim, poucas, mas há. E, apesar de tudo, ainda tenho fé no mundo, do contrário não teria plantado duas novas árvores esse fim de semana. A gente precisa investir energia em coisas que valem a pena, afinal de contas. 

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Quando a esmola é demais, o santo desconfia

Eu tive um acidente outro dia quando fui arrumar a cerca e fiquei um tempo com uma mão só. Acidentes que acontece com quem não fica se coçando o dia inteiro e vai fazer algo útil. Se era difícil fazer coisa útil, que dirá coisa inútil, como mexer nessa geringonça. Mas aí eu vieram me encher os ouvidos com esses papos de namoro daqui e de lá. Mas vão criar vergonha na cara. Essa gurizada de hoje troca de namorado a cada semana e ainda acham que tem que incomodar gente de idade com seus casos trágicos. 
Sempre digo pra minha neta: abuse o máximo desses caras que vem te trovar, mas não vai se comprometer. Namoro pra mim é sério, não me venham com essa de trocar de namorado a cada cinco minutos. E eu ainda vejo uns por ai se chamando de amorzinho e não sei mais o quê na frente dos outros. Mas ora essa, não é novidade pra ninguém que casal que muito se ama na frente dos outros, não se dá bem de verdade. Só tive uma mulher na minha vida e não precisava ficar amando ela no meio da rua. Ela faleceu e eu não estou interessado em ter outra pra querer apitar na minha vida nessas alturas do campeonato. Se começam a me ligar ou não sei o quê, dou qualquer jeito, me escondo, mando alguém atender o telefone, mas não fico dando trela. 
Na minha época, aliás, as famílias é que arranjavam o casamento. Não tinha essa de mil namorados. Lembro que uma senhora queria me empurrar pra filha dela ou de sei lá quem. Era aquela velha metida que fica arrumando casamento pra todo mundo. Mas olha a minha cara de quem vai aceitar velha bisbilhotando minha vida. Nem pensar. Casei com a mulher que eu quis, mesmo tendo gente contra. Ela me aguentou muito bem, obrigado, mas agora não preciso de outra. Meus filhos tão criados e eu já não tô em idade de ser controlado por alguém. 
E essa gurizada de hoje louca pra arrumar compromisso. Na minha época a gente corria disso, isso sim. Agora tá uma bagunça que só vendo. Minha filha vive contando de alunas grávidas. Que diabo de mundo é esse? Criança criando criança? Mal sabem limpar a bunda e já tão amando e arrumando filho por aí? Que mundo é esse? E onde estão os pais dessas criaturas que deixam os filhos por ai? Ora essa, ai se um dos meus filhos fizesse isso! Especialmente minha filha. Mas nem ela nem minhas netas apareceram grávidas antes da hora. 
E essa moças burras que ficam dando trela pra qualquer indivíduo que apareça? Essas de fato não têm família e tem que ficar fazendo fiasco por ai... Se bem que tem gente que acho que é ruim de nascença, por mais santos que os pais sejam. É cada caso que conheço! Mas também tem tanto filho santo por ai que tem mãe e pai que não prestam mesmo. Vai entender, não é mesmo? 
Ah, mas se a gente vai ver esses causos de família, a conversa não acaba. Tudo que sei é que quando a esmola é demais, o santo desconfia, e que onde tem fumaça, tem fogo. Nem todo causo é só um causo...

terça-feira, 21 de maio de 2013

O mundo está perdido

É absurdo como as criança de hoje são cheias das frescuras. Ficam de nhém nhém nhém pra cima e pra baixo e os pais ainda passam a mão na cabeça! Lembro que uma vez uma neta minha reclamou de dor de barriga e a mãe a deixou ficar em casa. Tudo malandragem pra ver um filme na tv. Se fosse na minha época, meu pai nem abriria a boca se eu perguntasse se podia ficar em casa, ele ia me olhar com uma cara tão feia que eu ia correr até a sala de aula sem soltar um pio. Mas hoje não, tudo é desculpa pra ficar em casa. 
Não sei quem é pior: se os pais ou se os filhos. As criança de hoje deviam ter vergonha em vez de ficar se orgulhando de ficar em casa. Quando eu ia pra escola me sentia sortudo. E era uma dificuldade danada ir sempre. Hoje não, tudo é fácil. Criança não precisa ajudar no trabalho pesado de casa e se tu gritar com uma é capaz de ser preso por traumatizar o piá. Vão parar de abixalhar essas crianças ou não? Concordo que criança não tem que ficar trabalhando nos dia de hoje, não são escravas dos pais e nem tem que ajudar no sustento da casa, até porque hoje não se tem famílias com 10 filhos ou mais que nem na minha época. Mas criança tem que ter limite! Nada de fazer tudo que quer, quando quer e como quer. Nem falar de qualquer jeito com os mais velhos. Cadê o respeito dessa gurizada de hoje? Não tem mais. 
Os pais tem que parar de ficar passando a mão na cabeça por qualquer coisa. Abriu o berreiro por que se machucou? Azar! Se machucou fazendo escarcéu por aí, garanto. Se divertiu aprontando, agora aguenta o machucado. E os pais tem que fazer arder bastantes antes do tapar o dito. Esfregar com água e sabão e tacar uma água oxigenada. Ainda mais se o piá se machucou fazendo algo que não devia fazer. Aí quero ver fazer de novo. E essa de não ir pra escola por dor aqui e dor lá é história pra boi dormir, não me venham com essa. Não faz nada da vida, que vá estudar, ora essa. Antes acordar cedo pra ir pra escola do que pra ir atrás de vaca pra tirar leite e fazer queijo, que nem eu fazia. E ai de mim pedir pra ficar mais uns minuto na cama. Podia estar tudo branco lá fora pela geada, tinha que levantar mesmo assim. 
Aí depois essas crianças crescem e ficam aí cheia das manias e ninguém sabe porquê. É filha trocando de namorado toda hora, é filho engravidando namoradinha de colégio... E pra quem sobra a dor de cabeça? Pra esses pais ai que ficaram enchendo das regalia os filhos. Não que eu seja contra a gurizada se divertir. Eu sempre digo pra minha neta: Não namora, aproveita o que tiver que aproveitar dos caras, mas não fica arrumando dor de cabeça. Já pro meu neto eu digo: Te cuida, guri! Pensa no que tu tá fazendo antes de fazer de fato. 
Na minha época a gente tinha que pensar tanto nos problemas da família que quando ia se divertir não pensava. Mas hoje os jovem não tem que pensar em nada, pois que pensem na escola e na hora de fazer folia por ai. Vamos parar com essa história de traumatizar criança, isso é conversa fiada, piá tem que ter limite e tem que estudar sem ficar resmungando. Como é que vão saber pensar se ficarem só na moleza? Se não tiver limite quando criança, não vai ter mais jeito. Tem que saber o que é certo e errado, o que deve fazer ou não, e principalmente aguentar o resultado do que faz. Aprontou? Machucou? Levou xingão? Bem feito. Isso não é traumatizar, é ensinar. Parem de frescura!

domingo, 12 de maio de 2013

Buenas e me espalho

Passei os últimos dias tentando entender essa porcaria, por pura indignação. Onde já se viu uma pirralha qualquer querer vir cantar de galo pra cima de mim? Minha neta se ocupou de me ligar lá do outro lado do mundo pra reclamar de eu ter metido o bedelho nas coisas dela. Ora essa, não foram as tralhas dela que invadiram a minha casa? Eu estava tranquilo tomando o meu mate quando ela me liga pra ficar discursando. Mas por favor! E o respeito, onde é que tá? Nasceu ontem e já quer mandar no mundo. 
Eu ia deixar essa geringonça quieta, estava faceiro que não tinha explodido aquele dia, mas depois que ela veio resmungar no meu ouvido, tratei de ter um papo sério com o meu neto pra ele me ajudar a, de fato, me instalar por aqui. É na teima que vou descobrir como esse troço funciona. O meu neto sabe das coisas, mas como ele não vive nessas coisas que nem uns e outros, ele teve que ir perguntar pros amigos como esse negócio de escrever funcionava. Tudo isso pra me ajudar! É um anjo esse meu neto! Além de tudo, em vez de ficar nessas porcarias modernas, ele anda a cavalo e aos poucos tá pegando o jeito de laçar. Orgulho do avô! 
Não que a minha neta não seja uma boa pessoa. Ela foi desviada do caminho campeiro por essa porcaria de modernidade, mas ainda assim é minha neta. Tá cheia das nove horas porque tá nas Europa, mas é minha neta. Eu nem a critico por essa coisa de tomar cerveja que o pai ensinou pra ela e acho que a melhor coisa que ela pode fazer da vida é ficar jogando baralho enquanto bebe. Também acho bonito essa história dela não ficar trocando de namorado que nem umas e outras que vejo por aí. Mas criem vergonha na cara! Como eu sempre disse pra minha neta, ela é jovem pra se comprometer com o primeiro cara que aparecer. Ela tem é mesmo que abusar dos que tiverem interessados nela até enjoar da cara deles. Antes de ficar choramingando por homem, que faça os homens resmungarem por ela. É minha neta, que não me cause vergonha! 
Só que essa história de ficar me enchendo a paciência com reclamação eu não engulo. Eu e meu neto estamos nos organizando pra tomar posse de vez disso daqui. E ai dela abrir o bico! Que fique lá pelas Europa bebendo cerveja e me deixe quieto aqui. Eu e meu neto descobrimos que isso aqui se chama blogui ou alguma coisa parecida. Meu neto viu em algum lugar gente comentando alguma coisa do que eu escrevi antes quase sem querer. O problema é que não achamos mais os tais dos comentários. Espero que eles não sejam a favor da minha neta. Mas um dia eu acho. E depois disso, descubro como tomar posse de vez desse troço aqui pra minha neta não poder mais dizer que é dela. Aguarde, minha neta, aguarde.