domingo, 6 de novembro de 2016

Sobre a minha solteirice

Faz tempo que penso em escrever sobre isso, mas fui deixando pra lá porque ando meio que de saco cheio do Facebook, onde as pessoas leem o que escrevo e acham que sabe tudo sobre mim sem ao menos se prestarem a falarem comigo de fato. Até poderia postar no Facebook pós-divisão dos amigos em grupos, mas não sei se faria muita diferença. Melhor resgatar o blog pra isso, já que as pessoas parecem ter mais dificuldade de acessar um link do que ler no Facebook mesmo. Enfim, hoje me inspirei pra vir aqui escrever porque a Aleska me mostrou esse post do Buzzfeed. Então vamos lá. 

Quando eu digo que sou solteira, as pessoas tem três reações claras.

1. Tapinha nas costas: "Não se preocupe, uma hora aparece o cara certo pra ti."

2. Solteira convicta: "Tu não tem ninguém porque não quer. Garanto que tem um monte de pretendentes atrás de ti."

3. Tá certo: "Isso aí, tu tem mesmo que se dedicar ao trabalho e aos estudos. Tem a vida inteira pra se incomodar com homem. Boa escolha."

Minhas respostas mentais:

1. "Eu não estou preocupada."

2. "Tô cheia de pretendentes? Onde? Tudo bem que sou péssima em perceber segundas intenções, mas acho que o problema é que vocês acham que meus amigos tem uma queda por mim. Não. Meus amigos são meus amigos, não meus pretendentes."

3. "Não escolhi nada. Não priorizo nada. Só não vivo desesperada atrás de homem/companhia. Não é como se eu tivesse chutando homem a torto e a direito por causa da faculdade. Aliás, eu não dispenso nada por causa da faculdade. Há fases e fases da vida e, se eu tô só trabalhando e estudando sem estar desesperada para arrumar um namorado com quem postar fotos no Facebook é porque simplesmente tenho trabalho, faculdade e nenhum relacionamento em vista. Acaso, não autoimposição."

Como eu gostaria que reagissem quando eu digo que sou solteira? Do mesmo modo que eu reajo quando me dizem que tem namorado ou equivalente: "Hmmmm, tá." e aí passar pra qualquer assunto mais relevante do que o estado civil da pessoa no Facebook. 

Uma forma que encontrei de não me incomodar de fato com essas reações toscas sobre a minha solteirice foi simplesmente avacalhar as pessoas que se desesperam com ela. Por exemplo: aqui na minha não-ditatorial família, meu pai proibiu namoro antes dos 18 anos. Minha excelentíssima irmã mais velha começou a insistir pra mudança de regra aos 15, sem sucesso. Eu fiz 15, fiz 16 e meu pai se preocupou. "Agora que tu tem quase 17 pode namorar". Nada. A única coisa que ele conseguiu foi afinar minha avacalhação com o tema. 

"Quem era no telefone?" "Meu namorado."

"Onde tu estava?" "Me agarrando com o meu namorado."

"Com quem tu vai sair hoje?" "Com um dos meus candidatos a namorado."

"Nossa, que humor é esse? Brigou com o namorado?" "Adivinhou."

"Tu vai passar a noite na casa de quem mesmo?" "Do meu namorado."

"Mas realmente não tem candidato nenhum?" "Não, não encontrei nenhuma vítima merecedora desse carma."

E assim por diante. Ás vezes tem umas conversas tão bizarras em torno do tema que registro no Facebook. Ou pelo menos até alguém entender isso como "desespero, modo de chamar atenção, carência" e blábláblá. 

Eu avacalho esse assunto desde meus 15 anos e agora as pessoas vem me dizer que é maneira de chamar atenção? Até fiquei um bom tempo sem fazer esses registros no Facebook. Mas, ó, se vocês chegarem aqui em casa, vão me ver falando do tema das maneiras mais irônicas possíveis - e todo mundo aqui entende que é ironia. Aliás, tô tão acostumada a cortar o interrogatório alheio com "meu namorado" que tive que me controlar pra não fazer isso na frente de outras pessoas, porque elas realmente levam a sério e não notam que é avacalhação. 

A razão de eu não ter registrado tudo isso antes é, provavelmente, a certeza de que vão achar que é drama desnecessário, mas realmente às vezes fico de saco cheio dessa história. Felizmente as pessoas não começaram a me empurrar pra ninguém e, quando ameaçaram fazer isso, eu ridicularizei tanto a hipótese que deram pra trás. 

Já falei isso antes aqui no blog e nas entrelinhas acima, mas pra deixar claro: não sou solteira convicta, apenas não sou uma solteira desesperada. Fico feliz por ter uma lista de amigos e não de ex-namorados. E não é porque eu não falo aos quatro ventos e mudo status do Facebook que eu não tenho rolos. Mas acabam sendo rolos e, enquanto nenhum deles der certo de fato, não vejo razão pra espalhar pra Deus e o mundo. Aliás, acho que vocês andam se amando e se desamando rápido demais. O que me assusta é vocês acharem que isso é normal e eu que sou problemática. A minha teoria é que vocês mesmos não se aguentam. 

Há uns meses atrás me assustei ao ver que um amigo tava namorando uma guria há alguns meses e praticamente moravam juntos: uma semana na casa dos pais dele, outra semana na casa dos pais dela. Nem um ano e já tinham anel de compromisso. Lindo e maravilhoso na teoria, mas vendo os dois juntos não me convenci nem um pouco. No mesmo dia descobri que um cara que eu jurava que era solteiro no fim do ano passado, casou - sendo que esse sim eu ouvia dizer que era solteiro convicto. Realmente espero que ele esteja feliz, mas não consigo acreditar nisso, já que ele volta e meia ressurge pra conversar comigo (antigo rolo, que, na real, nunca entendi porque não deu certo). Se recém casou, não devia estar se ocupando 24 horas por dia em vez de se ocupar em lembrar da minha existência?

Mas o que me incomoda mortalmente é ver amigas/os sumirem em função de namoro e só aparecerem pra falar comigo quando estão de saco cheio do relacionamento e querem um incentivo pra terminar ou mesmo depois de terminado e querem alguém solteiro com quem 'aproveitar a solteirice' (que não vai durar meio ano, no geral) e beber cerveja. De verdade, nunca me importei de sair com casais, mas às vezes enche o saco ser lembrada apenas para ir no show do namorado e, mais que isso, ver as amigas acharem impossível marcar qualquer coisa sem eles. Menos gente, né?

Aliás, acho que no dia que eu namorar o que eu mais vou evitar fazer é arrastar namorado pra lá e pra cá meramente pra mostrar pra todo mundo que a gente se ama e não vive longe um do outro. Não, né? Cada um com sua vida, seus amigos. Depois o namoro não dá certo e não se sabe o que aconteceu com as amizades. Mas especialmente porque, no dia que eu tiver um relacionamento, quero que ele corra a rota mais natural possível, sem obrigações e expectativas, mas com o mínimo de respeito e confiança pela vida pré-namoro do outro. Sem formalidades e anúncio pra família toda - além do Facebook. 

Ah, enfim, isso tudo é conversa fiada de quem, de novo, tenta entender qual é o grande problema de se estar solteira. Acho que se ocupariam menos de mim se eu tivesse três filhos aos 24 anos, né? Menos, gente, beeem menos.  

domingo, 4 de setembro de 2016

Sobre minha ida ao outro canto do país

Ontem fez um mês que voltei das longínquas terras do Nordeste (sim, atravessar o país não exige tanto tempo quanto atravessar o Atlântico, mas enfim), onde a Jaci me cobrou um post sobre a viagem no Blogário - o qual resolvi manter só pra Alemanha, sem falar que eu a conheci por aqui, então nada mais justo do que colocar as narrativas nesse canto obscuro da blogosfera (meu apelido carinhoso pra esse blog). Pensei mil vezes sobre fazer ou não este post e, num fim de semana úmido de Caxias, resolvi abri a erva argentina traficada de Recife e, ao som de Bowie, escrever sobre meus dias em Recife e Maceió. É algo que fará bem a mim e, espero, às pessoas queridas que lá me receberam. Gurias, entendam em cada palavra daqui o meu muito obrigada por tudo - a vocês e suas famílias. 

Saí às 7h do dia 19/07 de uma Caxias do Sul onde os termômetros marcavam UM GRAU. O efeito cebola ocorreu, claro, já em São Paulo (num aeroporto de Guarulhos onde eles cobram a alma só pra tu sentir o cheiro da comida, que dirá comer), mas ao chegar nO Recife (porque Recife é masculino, apesar das minhas anfitriãs não souberem me confirmar isso assim que cheguei) sai de arrasto até chegar ao carro e começar a tirar meia e todo o mais que fosse possível enfiar na mochila. Estavam DEZENOVE GRAUS e as pessoas queriam que eu acreditasse que era inverno. Aliás, segundo a Jaci era temperatura pra dar banho de água quente nas crianças da creche (ou seja, as crianças do RS jamais tomariam banho se dependesse dela) e mesmo a Alice estava de blusão (!!!!). Obviamente que todo o bullying que eu pratiquei em razão do 'frio' nordestino foi retribuído com 'tu reluz luz de tão branca que é'

Minha estadia em Recife foi dividida pela Alice e pela Jaci, começando por esta segunda. As duas me buscaram no aeroporto e logo de primeira descobri dos tubarões de Boa Vista (que atacam turistas porque os recifenses não os alimentam direito e não porque tenham acabado com o habitat natural dele em prol de um shopping), mas a grande descoberta mesmo foi: Náutico é a palavra-chave para fazer uma torcedora do Santa Cruz e uma torcedora do Sport pararem de discutir. Aliás, em um dia fui abençoada como torcedora do Sport e no outro me levaram às Repúblicas Independentes do Arruda, coroando a visita com uma camiseta que nem a própria torcedora tem - tudo para convocar um novo elemento pra torcida. 

Bom, mas vou tentar ser cronológica - se bem que detalhes em demasia tornarão esse post impossível de ler, então vou me controlar. Minha primeira parada foi na casa da Jaci, onde chegamos após a Alice completar com sucesso o desafio de subir o ponto mais alto de Recife (do qual não tenho foto porque minha anfitriã do morro não se animou a subir a escadaria durante o dia - escadaria fantástica, por sinal) e, assim, conquistar aprovação para vir dirigir em Caxias. A Jaci estava ansiosa para que eu chegasse por uma razão: o pai dela (um querido!) fez todas as reformas possíveis na casa (incluindo pintar de branco uma porta branca e trocar lajotas quebradas do chão que eu nem reparei) porque achou que, sendo eu do Sul, seria uma pessoa muito fina que repararia em cada detalhe. Só que não, claro. A verdade é que eles deviam estar esperando uma Gisele Bündchen e chegou lá uma gaúcha completamente fracassada: não fui nem Rainha da Festa da Uva, nem Garota Verão, nem Miss RS, que dirá Miss Brasil. Em vez disso chegou uma guria que espiritualmente é um guri, mas a Jaci tentou alertar seu pai sobre isso, mas não foi ouvida, o que resultou em mil reformas que quase a enlouqueceram (mas deixaram a mãe dela muito feliz). 

Trafiquei pra lá três garrafas de um litro e meio de suco integral de uva (foi tráfico mesmo, menti descaradamente no aeroporto que não tinha nada de vidro/líquido na minha mala), schmier/chimia, CDs e livros (fiz um kit lindo 'para agauchar pernambucanas', o que soou ofensivo pra Jaci, já que o ego pernambucano é QUASE tão grande quanto o gaúcho), o que serviu pra retribuir um pouco da atenção e ocupação que as pessoas tiveram em me receber. Cheguei à noite e, no dia seguinte, eu e a Jaci fomos no Museu do Homem do Nordeste e no Instituto Ricardo Brennand (que, segundo a Jaci, é o cara que nós duas seríamos se tivéssemos dinheiro - mas com livros, provavelmente). 

No segundo dia fomos na Livraria Cultura pra encontrar a Alice (com quem eu passaria alguns dias). No caminho, no ônibus, eu de mochila e uma sacola com os devidos presentes pra Alice (kit de agauchar e suco de uva). Um rapaz, muito gentil, se oferece pra segurar minha sacola (Recife um, Caxias zero - isso raramente acontece aqui) e, quando a pega, pergunta: "Não tem nada que explode aqui, né?". Podia ser mentira, mas não é. Pura verdade. Minha fama chegou até lá e a Jaci vai contar essa história até o fim dos dias. É a prova máxima, segundo ela, de que sou um ser que promove terror por onde passa. 

Como a nosso ponto de encontro estava fechado, fomos à Capela Dourada e, depois, voltamos à Livraria Cultura, onde não resisti a comprar umas coisitas, enquanto a Jaci jogava na minha cara livros do Dumas de capa dura e tentava tirar fotos minhas pro instagram da Estante, e a Alice me mostrava Bowie por todo lado - elas são muito, muito más. Nos despedimos da Jaci e eu e a Alice demos uma volta por Recife Antigo, fomos ao Marco Zero (que, segundo os recifenses, é onde começa o mundo - mas NÃO, todo mundo sabe que começa no RS) e acabamos assim os dias turísticos que eu tive em Recife. A sexta começou com chimarrão de erva argentina (herança do Tiago), seguida de uma aventura de ônibus a Paulista, na casa da mãe da Alice. De noite, junto com a Suzana, amiga da Alice, fizemos a devida comemoração da minha monografia e da entrada no mestrado da Alice. Como? Cerveja, claro! E batata-frita (que, descobri há pouco que ficou como meu prato de comida registrado em Recife). Não vou entrar em detalhes de quantas cervejas tomamos, do lanche pedido à uma da manhã e do sono eterno das três pra não ficar feio. 

No sábado, voltei a encontrar a Jaci e sua família linda pra irmos a Igarassu, local do primeiro povoado brasileiro (por isso que os pernambucanos acham que o mundo começa lá, mas é pura ilusão), que logo terá a residência oficial da família Clemente. Como a Jaci havia feito no Museu do Homem do Nordeste, ela ficou tri amiga do nosso guia na Igreja de Santo Antônio. (Aliás, entre parênteses, ela ficou tri deprimida por ter conversado pouco com a guia da Capela Dourada.) Definitivamente ela é a evangélica com mais santos de devoção da história da humanidade, mas não divulguem isso pra ninguém, fica só entre nós. Já o domingo foi a minha oportunidade de agauchar a casa da família Clemente (claro, só estava a Jaci em casa, então ficou mais fácil a realização desse plano maquiavélico). Descobri que a Jaci tinha uma erva mate vencida há mais de um ano e fiz ela descobrir a poesia de José Mendes ("Quem apaga o próprio rastro acaba sempre sozinho", de Andarengo), depois disso fomos a Olinda - onde a Jaci também virou BFF do guia e confessou mais alguns santos de devoção. 

(Acabou Bowie e agora estou ao som de José Mendes

Na segunda nos aventuramos pelos memorias de Chico Science e Luiz Gonzaga. No primeiro, fomos atendidas pelo não-guia João (que é amigo da Suzana amiga da Alice, ou seja, Recife é um ovo) e a Jaci trocou figurinhas sobre mangás e quadrinhos, antes dela deduzir que ele era tão sem coração quanto eu. Ou seja, a parte mais legal, de novo, foi os papos dela com o não-guia do memorial. Já no museu do Luiz Gonzaga, eu é que fiquei divagando com o guia, falando sobre como Carlos Imperial trovou o mundo afirmando que os Beatles tinham gravado "Asa branca" e passei as devidas referências a ele, ou seja, a biografia e o documentário sobre Imperial. Depois fomos a algumas igrejas (onde fui confundida com uma alemã por estar usando uma camiseta da DFB), sendo que no meio do caminho surtei pelos LPs a três pila que estavam vendendo na rua, mesmo eu não sendo colecionadora, mas pensando nos amigos colecionadores (Blue, VÁ A RECIFE - e com a mala vazia). 

Na terça acordamos com uma notícia muito ruim. O Renato, amigo-irmão do Júnior, da Jaci e do Rafaela, faleceu no hospital. Me senti sem ação e uma intrusa por estar ali num momento tão difícil pra família. Nunca sabemos o que falar nessas horas, então o que fiz foi afirmar e reafirmar que o importante eram os bons momentos e boas memórias que todos tinham dele. Conversei sobre minhas próprias perdas e o lamento de, na maioria das vezes, não ter tido a chance de usufruir de um momento a mais com muitas pessoas queridas que passaram pelo meu caminho. Era dia de eu embarcar para Maceió e foi inevitável, durante a viagem, pensar no Tiago e admitir o sentimento de vazio por estar ali e não ter a chance de encontrá-lo, muito semelhante ao que senti ano passado ao ir pra Alemanha

Vamos começar do início. Quando conheci a Jaci, ela inúmeras vezes me falou do professor gaúcho dela, o qual, inevitavelmente, me apresentou. Tiago, gaúcho e gremista, foi a razão pra eu tirar fotos de todas as cervejas que bebia na Alemanha ano passado; foi um professor à distância no Facebook (sem saber) e o cara que deu o aval para o meu projeto de monografia (o qual valeu muito mais do que o do meu orientador, não foi à toa que dediquei a ele o resultado final). Além disso, era o cara que mais me dava medo virtualmente e que, pra meu espanto, admitiu ter medo de mim. Infelizmente jamais tivemos chance de nos encontrarmos pessoalmente (apesar de anos de contato virtual) e, quando ele faleceu no início do ano, me senti na obrigação de ir até Recife e me certificar que sua filha (Alice) estava bem. Ou seja, ao contrário do que aconteceu na Alemanha, comprei a passagem sabendo que a capital pernambucana me receberia com uma pessoa a menos, mas isso não fez com que eu sentisse menos essa ausência. Eis algo que não contei, então, para minhas anfitriãs: chorei em boa parte da ida a Maceió. Achei que enganei bem, mas depois a Erica me disse que eu parecia ausente em boa parte da estadia em Maceió. Após a leitura desse post, saberei se isso também foi sentido por minhas anfitriãs em Recife. 

Mas enfim, seguimos adiante. Em Maceió, peguei um mapa assim que cheguei e fui tentar me passar por alagoana pra não ser trovada pelo taxista ao ir encontrar a Erica, que estava aguardando pra ser atendida em uma consulta. Fomos direto pra casa dela, onde fui recebida por sua querida mãe que, como o resto da família, só me chamava de Seerig (o que achei lindo), só a Erica, que lançou essa moda, me chamava de Ana (o que me arrepiava de medo) por puro receio de errar a pronúncia - mas todo mundo tava falando certinho, com aquele sotaque lindo. Na quarta, fomos ao Museu Palácio Floriano Peixoto, onde tinha um pequeno memorial ao Aurélio Buarque de Hollanda, no qual descobriu que ele, na década de 40, estudou a obra do gaúcho João Simões Lopes Neto, ou seja, agora sou devota dele e só compro Aurélio. Depois fomos à praia de Ponta Verde (lugar feíssimo) e comemos um doce de banana frita - que os nordestino adoram (que era ruinsíssimo). Na quinta fomos à Biblioteca Estadual Graciliano Ramos - um lugar lindo - e fomos andar de jangada em Ponta Verde até as piscinas naturais. Na sexta ficamos em casa, já que a Ferro tinha uma dúzia de postais pra escrever aos caxienses que a receberam aqui e dedicatórias a fazer pros livros que eu ia fretar pra Jaci, além dos que ela me deu. Felizmente tinha comprado duas bolsas lá, o que ajudou na missão de traficar tudo pra Pernambuco. De tarde, peguei o ônibus rumo a Recife, mas dessa vez não houve oportunidade de chorar. 

Ao meu lado no ônibus sentou uma guria de uns dez anos, cujo nome era bonito, indígena, mas minha memória não guardou. Em uma hora ela já dizia pra mãe dela que tínhamos muita coisa em comum. Demorei pra entender quais coisas eram mas aos poucos lembrei: ambas ouvimos Rodolfo Abrantes (eu na fase Raimundos, ela na fase de rock gospel) e nenhuma consegue dormir no ônibus, sem falar que ela sabia tudo de gauchês, já que um programa de TV ensinou algumas palavras a ela. Durante a viagem me ofereceu seus lanches e, como fazia cara de ofendida quando eu não aceitava, tive que aceitar. Ela desembarcou no aeroporto de Recife, pedindo a mãe dela porque não podiam me levar junto e lamentando o fato da câmera de celular não funcionar para tirar uma foto comigo, especialmente, acho eu, porque uma das primeiras afirmações dela sobre mim foi: "Gostei de você, você é bonita". Toda essa queridice animou minha longa viagem a Recife. 

Quem me buscou na rodoviária foi a Alice, a qual, no dia seguinte, realizou um "churrasco" (entre aspas, porque né, a intenção foi boa, mas churrasco pra gaúcho é outra coisa) com os amigos dela. Minha colaboração maior foi ajudar a acender e reacender a churrasqueira, ao menos assim eu provei não ser uma gaúcha totalmente fracassada. Só um fato não entendi: a razão da Alice receber o primeiro dos visitantes dela com: "Olha, não compete com essa daí não pra tomar cerveja que tu vai perder. Ela bebe, bebe e não fica bêbada." A única coisa que conclui disso é que realmente consigo esconder bem quando estou bêbada (menos pra Tamara). Outro amigo dela me pediu se eu conhecia Júpiter Maçã e, coitado, teve que ouvir um monólogo de vinte minutos sobre toda a trajetória do Flavio Basso. Fiquei com pena dele, mas não parece ter levado a mal, já que me batizou como torcedora do Sport. 

No domingo fomos mais uma vez visitar a mãe da Alice. Ela queria muito me levar à praia (acho que por causa do meu bronze de alemoa) e acabamos no Mangue Seco (onde o irmão da Jaci disse que eu jamais deveria ir, mas eu sou eternamente do contra e eternamente a favor de ir onde me levam). Segundo a Alice, a experiência mais não-turística de todas, praticamente virei pernambucana. Comemos espetinho de peixe (cujo nome não lembro) e batata-frita (CLARO), enquanto tomávamos o bom e velho Guaraná e víamos a maré subir (uma aventura). À noite, comemos açaí (outra das missões autoimpostas da mãe da Alice) e elas me levaram pra casa da Jaci (ou seja, mais uma vez a Alice provou estar pronta pra dirigir em Caxias). 

Na segunda, o pai da Jaci me levou às Repúblicas Independentes do Arruda, me anunciando como gremista às vésperas de Santa Cruz x Grêmio, ou seja, pedi pra ele não propagar muito isso. O estádio é e-nor-me e quase deu vergonha de ter levado a Jaci ver o Alfredo Jaconi. Depois ela insistiu em me dar uma camiseta do Santa. Como não tinha a 'da fita azul', cuja última do estoque tinha sido vendida mais cedo naquele dia, ela se satisfez em me dar uma do tricampeonato. Como não poderia deixar de ser, vesti a camiseta e tirei a devida foto na frente do estádio - a qual, tenho certeza, a Jaci concordaria que deveria ser transformada em um quadro enorme. 

Na terça a Jaci voltou a trabalhar - depois de eu ajudá-la a bolar alguma ideia maluca pra desenvolver em aula - e eu fiquei em casa difamando ela com o resto da família. À tarde, fomos encontrar o Alexandre, outro colunista da Estante, que também me presenteou com livros lindos, e foi a segunda testemunha do meu quase-ataque-cardíaco por encontrar, na mesma loja, a biografia do Einstein sendo vendida por 50 pila, enquanto um box com a mesma biografia mais a biografia do Chaplin era vendida por 40 - OBVIAMENTE eu fui obrigada a comprar e, ao chegar na casa da Jaci, aumentar o desafio de fazer a mala não pesar 50 kilos (solução: colocar 90% dos livros na mochila - operei um milagre). 

(Voltei a ouvir Bowie, mesmo álbum.)

Na quarta meu voo, SUPOSTAMENTE, era às 6h55, o que exigiu que eu fizesse metade da família acordar às 4h (inclusive a Jaci, o que foi outro milagre realizado por mim). Por problemas técnicos, o voo só saiu às 10h e, como tinha pausa em Salvador, não cheguei em São Paulo antes de 14h30 (que era a hora que eu devia estar chegando em Porto Alegre). Chegando lá, ao entrar em contato com minha mãe pra me certificar que ela e meu pai não estavam me esperando à toa na capital gaúcha, descobri que meu avô de coração, de 81 anos, tinha caído e quebrado o fêmur na segunda e estava em cirurgia. Ou seja, meu emocional voltou a entrar em pane e meu humor e paciência chegaram a zero. Cheguei em Porto Alegre desesperada para chegar na rodoviária e, no meio disso, acabei tornando a Erica, a Jaci e a Tita vítimas de um desabafo emocional terrível - o que fez um terço do grupo ficar ofendido comigo enquanto os outros dois terços sentiram minha angústia e preocupação, agradeço a essa maioria. Fiz uma corrida imensa e bizarra na rodoviária, mas tive sorte de conseguir um ônibus semi-direto para logo. Cheguei em Caxias às 22h30, depois de ter chorado violentamente durante metade da viagem. 

No dia seguinte, às 10h, já estava no hospital com meu avô de coração e, até domingo, quando ele foi liberado, meus dias foram corridos e exaustivos. Demorei algum tempo pra assimilar tudo isso, por isso esse post é tão tardio. Mais uma vez, muitíssimo obrigada a todas as pessoas queridas que encontrei no eixo Recife-Maceió, mas especialmente as minhas magníficas anfitriãs Jaci, Alice e Erica. A cada uma:

Jaci: Obrigada pelo livros (especialmente por Grimms ilustrados com xilogravuras), pelos passeios e por toda a boa recepção da tua família linda. Vocês serão eternamente o exemplo de família tradicional pernambucana e, mais que isso, das gentilezas e boas receptividades do povo daí. Mas especialmente obrigada por me apresentar o Tiago e, consequentemente, a Alice. O mundo virtual é, sem dúvida, um lugar maravilhoso e todos os dias agradeço a ele pelas pessoas que me apresentou. Aguardo teu retorno às geladas terras do sul. 

Alice: Sinto o orgulho do Tiago por ti e não tenho palavras pra agradecer todas as gentilezas tuas para com uma pessoa que tu conhece há tão pouco tempo. É impossível descrever o prazer que foi te conhecer e, mais que isso, receber das tuas mãos livros que estiveram na estante do Tiago. Muito, muito obrigada. Aguardo tu e tua família aqui!

Ferro: Tu é a menos bairrista de todas, já que conhece tanto de Maceió quanto eu - pra não dizer que tu te obrigou a conhecer a cidade por mim. Obrigada por isso! Agradeça a tua mãe e teu irmão pela boa receptividade e relembre eles que, sempre que necessário, podem contar comigo pra te xingar! Obrigada pelos inúmeros livros e pelas dedicatórias. Te manterei informada quanto às minhas leituras. Marque logo a data de volta ao RS pra eu começar a estocar suco de uva! 

Pra fechar (depois de duas horas e meia escrevendo), vamos às fotos como parabenização aos corajosos que chegaram até aqui:

No Museu do Homem do Nordeste

Ego pernambucano faz guardar o apito do milésimo gol do Pelé no museu


Quem está no Brennand: Napoleão,..

... Da Vinci...

.... o Divino Espírito Santo...

... Dom Quixote e...

... o Davi de Michelângelo. 

A partir dessa placa tem tudo, até cervos e gamos, como diz a Jaci. 

Quem entrou numa exposição de arte e correu ao ver a imagem embaçada de RC cantando "Quando" no filme de 68?

O caminho pra Recife Antigo. 

SUPOSTAMENTE, onde o mundo começa

Claro que Chico Science está presente!

Uma das inúmeras pontes de Recife.

Foto obrigatória de duas pessoas que evitam fotos.

Não passei sede. 

Não encontro erva argentina em Caxias, mas em Recife sim (a do fundo veio pra cá!)

Comemorações acadêmicas com Alice e Suzana. 


O primeiro povoado brasileiro. 

Foto péssima, Olinda linda. 

Nas ruas de Olinda.


Onde Alceu toca de graça no carnaval. 

É Julho? Todo dia é dia de ensaiar pro carnaval.

Os presentes que me aguardavam em Maceió.

Foto para não esquecer de qual livro comprar. 

Simões Lopes Neto na linha do tempo do Aurélio.

A entrada do Palácio Floriano Peixoto

Ponta Verde sua feia - de águas que causam inveja aos gaúchos

Seerig e Ferro lindas e charmosas em Ponta Verde


Doce horrível de banana [ironia]





Jangada em Ponta Verde, Maceió. 

Os livros que a Alice me deu da estante do Tiago <3 td="">

Açaí! (Ótimo!)

Selfie no Arruda!

A foto que a Jaci tirou com mais orgulho
Compras literárias e capuccino na companhia do Alexandre. 

Os pais tri queridos da Jaci e eu me levando pro aeroporto de madrugada

Acreditem, todos esses livros estavam na mochila na volta. TODOS!

Os livros que vieram de lá. Só comprei os que estão de pé, o resto foi presente!



domingo, 15 de novembro de 2015

O futuro é o caos

Há mais de dois anos esse blog está abandonado. Não sei ao certo porquê. Talvez por causa do blog de viagem, talvez porque cansei da atual blogosfera (mais próxima do profissional do que do pessoal), ou talvez porque comecei a achar mais prático colocar minhas ideias no Facebook - provavelmente tudo isso junto. 

Nos últimos tempos conclui uma dúzia de novas coisas, dentre as quais estão: a) a blogosfera foi algo extremamente importante pra mim, especialmente no que se refere às pessoas que conheci; b) estou desanimada demais com o Facebook para continuar fazendo por lá os resmungos que eu fazia aqui. No início do ano fechei o blog, outro dia o resgate de um post publicado há anos me fez reabri-lo em silêncio. Hoje, por uma necessidade maior que a vontade, volto a publicar aqui. Veremos o que acontece a seguir. 

Talvez a viagem pra Alemanha tenha me estragado, talvez tenha me melhorado, talvez eu seja só neurótica mesmo, mas o fato é que desde que voltei me sinto mais afastada das pessoas do que quando eu estava do outro lado do Atlântico. Pode parecer dramático, mas é real: quando tu está longe todo mundo te ama, se preocupa contigo e etc e tal, aí tu volta e só lembram de ti na hora de falar do show do namorado ou quando terminam com ele (de maneira geral). Em outras palavras, há pessoas demais para te darem tapinhas nas costas quando tu faz algo novo, mas quando tu está desesperado na mesma rotina, elas estão mais ocupadas com suas próprias vidas. 

Há três anos escrevi aqui minha teoria de relacionamentos fracassados, houve mais comentários do que imaginei, até porque era uma ideia que eu tentava falar pra todo mundo e ninguém me escutava. Eu continuo acreditando nela. Alguns podem chamar isso de romantismo extremo e coisa e tal. Pode ser que seja, mas eu vejo apenas como normal. Costumo dizer que tenho uma lista de ótimos amigos no lugar de uma lista de ex-namorados e isso me deixa extremamente feliz. 

Quando encontro um cara legal... bem, eu o vejo como um cara legal, não como um namorado em potencial como muitas parecem fazer (uma vez brinquei com isso lá no GA). Se já achei um cara que me interessasse mais que isso? Sim! Deu certo? Não. Minhas amigas sabem sobre? Grande parte não. Por quê? Porque porquê diabos eu deveria contar sobre algo que nem é certo? No dia que eu encontrar um cara que me aguente dois anos, pelo menos, quem sabe eu pense em anunciar oficialmente um namoro ou coisa do gênero. 

Ah, sim, mas o que isso tudo tem a ver com a minha decepção dos últimos tempos com as pessoas? Porque: a) outro dia constatei que dizer que as pessoas só lembram de mim quando estão solteiras é uma piada deprimentemente real; b) outro dia tive que ouvir uma 'brincadeira' de que eu preciso arrumar um namorado para voltar a me enturmar no grupo. Tudo isso me deixou terrivelmente desanimada com o universo. Explico. 

Primeiro de tudo porque acho um absurdo que uma pessoa que tenha um(a) namorado(a) só saia com ele(a) como sombra e esqueça dos amigos dos quais costuma lembrar quando está solteiro(a). Isso é uma coisa que eu reparo faz tempo, mas que me desanima constatar tão próximo de mim. Especialmente porque algumas das pessoas que, por exemplo, sumiram do meu dia a dia fizeram tudo que, quando terminaram o namoro anterior, disseram que não iam fazer: arrumar outro namoro em seguida, dar trela pr'aquela criatura sem graça que pegou no seu pé (adivinha quem é o novo namorado?), deixar se afastar (de novo) das amigas, etc, etc. 

Quer dizer, a grande maioria das pessoas me parece estar num relacionamento só para dizer que tem um relacionamento, que não está sozinha... E me faz lembrar daquela minha ideia de anos de que elas não conseguem viver consigo mesmas, que não conseguem viver por si, descobrir o que querem ou não fazer. Se estão com alguém, precisam assumir isso o quanto antes, deixar que todos saibam, mostrar que são felizes. Mas será que são?

E aí me vem a minha mais recente conclusão: o futuro é o caos. Assim como acredito que um dia o excesso de tecnologia vai fazer com que as pessoas 'entrem em pane', consigo visualizar o dia em que as pessoas se destruirão emocionalmente por terem um apego maior ao outro do que a si. Um dia o choque será tamanho que vai zerar tudo e elas vão lembrar que o importante é o que hoje está esquecido: o contato real com as pessoas, as amizades verdadeiras, além da internet e de namoros motivados pelo medo da solidão. 

Pode ser exagero da minha parte, pode não ser. Pode ser que nunca aconteça, pode ser que sim. Algo, no fim das contas, terá que acontecer, porque no ritmo que estamos indo está lamentável. Não, nem todos os relacionamentos são fracassados, assim como nem todas as amizades virtuais são ilusões (eu que o diga, já que algumas das pessoas em que mais considero são amigos descobertos através desse blog), mas, infelizmente, parece que essas relações irreais são mais numerosas que as outras. 

Minha fé no mundo voltará a existir quando, ao ouvir que alguém é solteiro, as pessoas achem a informação irrelevante o suficiente para dizer "E daí?" em lugar de: a) dar tapinhas de consolo no ombro dizendo "Não se preocupa, logo tu acha alguém"; b) sorrir e dizer "te admiro, está colocando tua vida profissional em primeiro lugar"; ou ainda c) concluir que a pessoa é 'solteira convicta' e deve estar chutando pretendentes que surgem por todos os lados.

Ah, enfim, estou desanimada e não sei o que digo, ou melhor, escrevo. Sou tola o suficiente para crer que as pessoas deveriam ficar próximas umas das outras por prazer na companhia do outro e não por receio de ficar sozinhas, do mesmo modo que acredito que amizade é uma via de duas mãos, onde tu também deve se preocupar com quem se preocupa contigo em lugar de lembrar de vez em quando da pessoa. Ainda há pessoas assim, poucas, mas há. E, apesar de tudo, ainda tenho fé no mundo, do contrário não teria plantado duas novas árvores esse fim de semana. A gente precisa investir energia em coisas que valem a pena, afinal de contas. 

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Quando a esmola é demais, o santo desconfia

Eu tive um acidente outro dia quando fui arrumar a cerca e fiquei um tempo com uma mão só. Acidentes que acontece com quem não fica se coçando o dia inteiro e vai fazer algo útil. Se era difícil fazer coisa útil, que dirá coisa inútil, como mexer nessa geringonça. Mas aí eu vieram me encher os ouvidos com esses papos de namoro daqui e de lá. Mas vão criar vergonha na cara. Essa gurizada de hoje troca de namorado a cada semana e ainda acham que tem que incomodar gente de idade com seus casos trágicos. 
Sempre digo pra minha neta: abuse o máximo desses caras que vem te trovar, mas não vai se comprometer. Namoro pra mim é sério, não me venham com essa de trocar de namorado a cada cinco minutos. E eu ainda vejo uns por ai se chamando de amorzinho e não sei mais o quê na frente dos outros. Mas ora essa, não é novidade pra ninguém que casal que muito se ama na frente dos outros, não se dá bem de verdade. Só tive uma mulher na minha vida e não precisava ficar amando ela no meio da rua. Ela faleceu e eu não estou interessado em ter outra pra querer apitar na minha vida nessas alturas do campeonato. Se começam a me ligar ou não sei o quê, dou qualquer jeito, me escondo, mando alguém atender o telefone, mas não fico dando trela. 
Na minha época, aliás, as famílias é que arranjavam o casamento. Não tinha essa de mil namorados. Lembro que uma senhora queria me empurrar pra filha dela ou de sei lá quem. Era aquela velha metida que fica arrumando casamento pra todo mundo. Mas olha a minha cara de quem vai aceitar velha bisbilhotando minha vida. Nem pensar. Casei com a mulher que eu quis, mesmo tendo gente contra. Ela me aguentou muito bem, obrigado, mas agora não preciso de outra. Meus filhos tão criados e eu já não tô em idade de ser controlado por alguém. 
E essa gurizada de hoje louca pra arrumar compromisso. Na minha época a gente corria disso, isso sim. Agora tá uma bagunça que só vendo. Minha filha vive contando de alunas grávidas. Que diabo de mundo é esse? Criança criando criança? Mal sabem limpar a bunda e já tão amando e arrumando filho por aí? Que mundo é esse? E onde estão os pais dessas criaturas que deixam os filhos por ai? Ora essa, ai se um dos meus filhos fizesse isso! Especialmente minha filha. Mas nem ela nem minhas netas apareceram grávidas antes da hora. 
E essa moças burras que ficam dando trela pra qualquer indivíduo que apareça? Essas de fato não têm família e tem que ficar fazendo fiasco por ai... Se bem que tem gente que acho que é ruim de nascença, por mais santos que os pais sejam. É cada caso que conheço! Mas também tem tanto filho santo por ai que tem mãe e pai que não prestam mesmo. Vai entender, não é mesmo? 
Ah, mas se a gente vai ver esses causos de família, a conversa não acaba. Tudo que sei é que quando a esmola é demais, o santo desconfia, e que onde tem fumaça, tem fogo. Nem todo causo é só um causo...