domingo, 12 de outubro de 2008

O testemunho de Zoraide

O seguinte texto foi criado para a aula de Português do ano passado com a seguinte proposta:

"Um rico empresário recebeu o bilhete abaixo, após o seqüestro de seu filho. Escreva uma narrativa relatando esse seqüestro e esse desfecho.
Seu filho está em nosso poder, se quiser o menino de volta siga as instruções:
Ponha 500 mil dólares numa mala preta e deixe atrás da banca de jornal da estação de trem às 10:50. Pegue o trem das 11h. Se ficar alguém vigiando a mala, o menino morre!
Instruções gerais:
1. Os três personagens abaixo devem fazer parte da história:
*Dorisgleison Silva: ex-investigador de polícia, com um morto em seu passado e nenhuma perspectiva de futuro.
*Fátima Zoraide: dona da banca de jornal, viciada em bombons e vidente nas horas vagas.
*P. C. Júnior: menino-prodígio que, aos 12 anos, vale cada centavo do meio milhão de dólares exigido como resgate.
2. Sua narrativa deverá ser em primeira pessoa. O narrador deverá ser obrigatoriamente, um dos três personagens descritos. (Cá está a falha da humilde autora desta narrativa: o texto foi escrito em 3ª pessoa.)
3. Se achar necessário, você poderá criar outros personagens."
Proposta feita, observações escritas, abaixo trancreverei a narrativa que escrevi o ano passado e que achei muito interessante escrever por sinal. Espero que gostem...
O testemunho de Zoraide
Eram 9h quando Fátima Zoraide ouviu uma batida na porta de sua casa. Ela olhou pelo canto da janela. Lá estava ele, esperando para ser atendido. Ela sabia que ele viria mais cedo ou mais tarde fazer-lhe perguntas. Rapidamente, ela guardou a caixa de bombons que estava devorando na tentativa de se acalmar na gaveta mais próxima. Foi atender a porta.
Quando abriu a porta deu de cara com Dorisgleison Silva. Ele havia sido investigador de polícia mas uma morte estranha tirou seu cargo. Mesmo assim, todos sabiam, ele ainda fazia investigações autônomas.
Fátima afastou-se para dar passagem a ele. Sem nem falar, ele sentou-se em uma poltrona. Ela sentou-se próxima a Dorisgleison. Então ele disse:
-Fátima, me diga o que aconteceu essa manhã, quando foi abrir a banca.
-Bem - ela disse nervosa - como sempre faço, coloquei a banca em ordem e, às 7h, abri a porta. Como todos os dias, P.C. Júnior passou aqui antes de ir para a escola...
Dorisgleison a interrompeu.
-Não havia nada estranho? Pense bem...
-Não... Aliás, havia sim. Quero dizer, não sei se isso pode ajudar.
-Por favor, diga-me.
-Bem, quando abri a banca, havia um homem próximo a porta. Quando ele me viu, ele pegou o celular e ligou para alguém. Enquanto ele falava, eu percebi que ele olhava para os lados, como se ele estivesse procurando ou esperando alguém.
-Você não escutou a conversa dele no celular?
-Não, já estava no balcão, na frente da porta.
-Você pode me descrevê-lo?
- Deixe-me pensar... Ele era alto, acho, devia ter 1,80m, mas não tenho certeza. Ele tinha cabelos pretos levemente ondulados e os olhos... a cor dos olhos... lembro-me de ter observado... Verdes! É, eram verdes!
- Certo, se não tiver nada a acrescentar sobre este homem, prossiga a narração dos fatos.
- Bem, onde parei? Ah, sim. Júnior passou por aqui para comprar cromos para o seu álbum. Lembro-me que o homem ainda estava na rua quando Júnior veio.
-O.k. - disse Dorisgleison, enquanto fazia anotações - prossiga.
-Certo. Logo que Júnior saiu, ouvi um grito dele. Corri até a porta a tempo de ver apenas um carro preto indo embora. O homem não estava mais na calçada.
-É só isso que tem a me dizer?
-Sim.
Ao despedir-se de Fátima, Dorisgleison teve uma surpresa: ela estava paralisada, com o olhar fixo em algo que ele não observou.
-Júnior está preso no porão do velho museu. - Zoraide balbuciou.
De repente ela voltou ao normal e agiu como se nada tivesse ocorrido. Dorisgleison então deduziu que Fátima Zoraide havia tido uma visão. O menino estava no velho museu!
Ele despediu-se, ligou para a polícia e para Paulo Carvalho, pai do menino, e depois dirigiu-se ao museu da cidadezinha. Já eram 10h15min. Escondeu-se rapidamente quando viu um grupo de homens saindo do velho museu. Eram os seqüestradores, estavam se posicionando para pegar a recompensa, deduziu Dorisgleison.
Esperou até eles desaparecerem e entrou silenciosamente no porão. Caminhou por tudo até achar o menino amarrado com um pano ao redor de sua cabeça, impedindo-o de falar.Desamarrou-o e o levou para a sua casa. Ligou novamente para a polícia para dizer que o menino estava em segurança.
A polícia armou uma armadilha e pegou os seqüestradores . Júnior voltou para a sua casa e Dorisgleison ganhou uma recompensa.
->O final ficou bem tosquinho porque se escrevesse tudo que tinha em mente ia sair um livro...

2 comentários:

Anônimo disse...

Suzana Berwanger.
Estudo no colégio Castelo Branco e minha professora pediu para fazer um destes textos...
O Seu ficou ótimo

Anônimo disse...

Adorei obrigadaa