domingo, 22 de março de 2009

A torcida jamais voltará a estar completa...

Não tinha assunto para escrever hoje e nem uma idéia em mente, das duas uma: ou eu faria um post horrível ou eu não escreveria hoje. Mas as coisas mudaram. E surgiu um assunto completamente inesperado sobre o qual escrever. Um assunto que eu preferia que não tivesse surgido. Ou pelo menos que fosse demorar muito para surgir. Esse post é mais um para a série 'Aos meus amigos', mas não é um post sobre um(a) grande amigo(a) meu(minha) que tenha feito parte de alguma história maluca. Esse post é uma despedida à um companheiro de torcida, a um amigo, que hoje, ssubitamente, se foi.
Se tu me pedisses há quanto tempo nós três nos reunimos pra assistir juntos aos jogos, eu provavelmente diria há alguns meses, talvez um ano, pois esse me parece ser o tempo certo, mas, fazendo os cálculos, vejo que já faz mais que isso. Assistimos aos jogos da Libertadores 2007 juntos, e na certa começamos nossa tradição de torcer juntos um pouco antes, talvez metade de 2006, não sei bem ao certo. A questão é que o trio já estava formado há mais de dois anos, de vez em quando um faltava ou então apareciam mais alguns, mas, tirando esses dias, estávamos sempre os três reunidos.
Certo, vou explicar direito isso. Sempre que tem jogo do Grêmio, atravesso a rua e vou assistir com o meu vizinho, tio Mili, que é quase como um avô adotivo. Para completar o trio vinha o Milton, vulgo Alemão, amigo do tio Mili e que, aos poucos, também se tornou não só meu amigo, como dos meus pais, que também estão sempre ali do outro lado da rua. Às vezes, junto com o Milton, aparecia um de seus filhos, especialmente a Naiara, que estava sempre com ele, pra lá e pra cá.
Nesta temporada, demoramos para nos encontrar. Sempre que ia no tio Mili ver o jogo ele não estava lá. No último domingo, no qual finalmente nos reunimos os três, ele me explicou o motivo: antes de sair de casa sempre aparecia alguma visita, que geralmente ficava até o fim do jogo, isso o impedia de sair de casa. Mas no último domingo ele foi mais esperto: saiu antes que aparecesse visitas. Assistimos os três ao jogo, cada um no seu lugar de sempre, e eu e o Milton geralmente com as mesmas opiniões a respeito do jogo e de seus jogadores. Ele perguntou muito da minha mãe, que estava ruim no hospital, conversamos muito, até mais que o comum.
A última vez que vi ele foi quando ele estava indo com o tio Mili e a tia Belo até o hospital ver a minha mãe. Até me ofereceu carona, mas como eu tinha acabado de sair de lá, não fui com ele. Como sempre, hoje fiquei de olho, esperando o Gol branco estacionar ali na frente. Quando cheguei lá, ele não estava, não estranhei tanto, talvez hoje ele não viesse, talvez se atrasasse. Pra falar a verdade ainda nem tinha parado pra indagar pela falta dele. Mas não precisei perguntar nada. 'Tu viu o que fizeram com o nosso companheiro de jogo?', o tio Mili me pediu. Estranhei a pergunta. Como eu iria saber de alguma coisa se eu só falava com ele ali mesmo? E como assim 'o que fizeram'? 'O Milton morreu', ele disse. No começo não levei muito a sério. Como ele poderia ter morrido assim do nada? 'Não é mentira, é verdade.', a Marta, filha do tio Mili disse. 'O irmão dele matou ele com um tiro de espingarda', o tio me explicou. Não podia acreditar, quer dizer, ainda não posso acreditar.
O Grêmio levou um gol nos 2 primeiros minutos de jogo, nem reparei muito, o Milton estava na minha cabeça. Não podia ser verdade. Olhei pro lugar dele. Vazio. 'Ele não vai mais sentar ali', eu me dizia, 'ele não vai mais aparecer'. Não posso acreditar, ainda não posso acreditar. O mais incrível foi o que senti. Um embrulho no estômago. Até hoje não tinha reparado o quanto eu gostava do Milton. Ele era um grande amigo. Do mesmo modo que o tio Mili podia ser meu avô, o Milton podia ser meu pai, mas isso não era problema. O Grêmio nos uniu de uma maneira que a diferença de idade não era problema. Éramos companheiros de torcida e amigos.
Sinceramente não imaginava que era tão ligada assim ao Milton. Me sinto péssima, até agora não acredito nisso. Uma morte tão imbecil. O próprio irmão. Ridículo. Hoje ele deveria estar ali com nós. Deveria estar torcendo ali também. Mas ele não estava. E nem vai estar. A torcida jamais voltará a ficar completa. Vai em paz!

3 comentários:

Erica Ferro disse...

Sinto muito, Ana. Já perdi pessoas "conhecidas" que só depois eu vi o quanto elas eram minhas amigas, e o quanto eram importantes pra mim.

Donna Mélis disse...

Sinto muito, Ana. Mas tipo, como tu msm já me disse: ele vai tá pra sempree vivo no teu coração. E a lembrança de ti dle é super o q importa, os bons momentos q vcs passaram juntos.

Bjooo e qq coisa, to akii. Te adoooro.

Bittencourt disse...

Infelizmente, essas coisas infames aconteces. estupido, realmente. sinto muito. mas a justiça eventualmente será feita. receio que até lá, seus jogos do grêmio não serão mais os mesmos. mas é bom não desanimar, a vida continua.