sexta-feira, 24 de abril de 2009

Opiniões opostas, mas amigas.

Devo confessar que minha primeira impressão da Tati não foi das melhores, quer dizer, eu não me dei bem com ela logo no princípio, mas isso é normal, raramente gosto de uma pessoa de cara (é, talvez a história de que sou estúpida com quem não conheço tenha algum fundamento...), mas, numa troca de lugares feita pelo professora, as coisas mudaram.

Ela é colorada, eu gremista. Nossas opiniões políticas eram bem diferentes. Viviamos discutindo. Íamos completamente contra a história de que política, futebol e religião não se discutem. Nós fazíamos questão de discutir. Era por isso que a gente se dava bem, porque a gente discutia, mesmo sbendo que isso não nos levaria a lugar nenhum. Eu não gosto de falar de política, até porque não entendo nada, mas fico do lado de todos que odeiam o Lula e o PT, e a Tati os defendia.

Então imaginem, raramente falavamos em política, mas quando falavamos... era melhor sair de perto. As discussões de futebol não eram tão pesadas, a gente fazia comentários de jogos, ela defendia o time dela e eu o meu, o negócio só ficava mais bravo quando era GreNal, aí não tinha quem nos aguentasse. Quando eu digo que discutiamos feio, não quero dizer que saíamos no tapa, pelo contrário, no fim acabavamos rindo abraçadas uma na outra quase. O que chamo de dicussão brava é aquela discussão em que um quer falar mais que o outro e que ninguém completa uma frase.
A única aposta que fiz até hoje foi com a Tati, praticamente obrigada, diga-se de passagem. A aposta era relacionada ao jogo São Paulo X Grêmio, pela Libertadores de 2007, que resultou em vitória para o Tricolor dos Pampas por 1x0. Resultado: Tati beijando o tênis do Grêmio da Ana (que estava enrolada numa bandeira, beeeem fiasquenta, pra variar) no corredor do 2° maior colégio do RS. Meigo, não? Quantas risadas demos juntas...

Ah, sim, foi a Tati que veio com a história de Ana do Grêmio. Como na sala tinha eu (Ana) e a Anna (a diferença era só na grafia, aí que estava o problema), sempre que alguém chamava uma de nós dava confusão. Quando era comigo era fácil resolver, era só gritar 'Grêmio' logo depois do nome, caso eu não respondesse, que eu virava logo pro lado que estavam me chamando. E eis que surge a Ana do Grêmio, a Gremista, ou outra derivação. O certo é que quem não sabe meu nome me indica pelo time. Tri fácil.
A Tati era também a psicóloga da turma, vez por outra aparecia uma na classe vazia na frente dela pra falar da vida (imaginem como a Tati prestava atenção na aula...), eu vivia dizendo que ia fazer uma agenda, porque cada uma que ia lá ficava ao menos 1hora, quando não a manhã toda. A Tati tinha esse dom: fazer as pessoas falarem. Ela sempre arrancava tudo de todo mundo. Era incrível.
Ela fez parte da minha maior 'aventura' escolar. Por uma questão boba, que se quiserem explico outra hora, eu fui expulsa da sala. Ou melhor, convidada a me retirar. Diante de tal oferta, olhei pra Tati e disse: 'Vamos, Tati?', 'Claro!', ela respondeu num sorriso divertido, e saímos as duas faceiras porta afora. Teria sido mais divertidos se tivessemos ido pra direção, mas não, na certa a professora sabia que tava errada, mas tudo bem, deixamos isso pra lá.

Passamos 1 ano discutindo e nos divertindo. Tudo era motivo pra risada, principalmente as nossas discussões. Todos nos achavam malucas, numa hora parecíamos que íamos sair no pau e na outra estavamos abraçadas rindo uma da outra ou de qualquer outra bobagem. Mas então ela parou de estudar, e abandou a pobre Ana do Grêmio, que virou uma santa (Como é bom pôr a culpa nos outros...).

Eu fiz um orkut pra ela, mas ela não entra, quem coordena mesmo sou eu, então de quê adianta? Ela me telefona raramente, e sempre que me liga, ou meu celular tá quase sem bateria ou eu estou fazendo outra coisa e não posso ficar tagarelando com ela. Pedir pra ela ligar outra hora? Sonha. Ligar pra ela? Uma hora o telefone funciona outra não, além do mais, do jeito que ela é, é bem capaz de trocar de número e não avisar. Outro dom dela: ligar na hora errada. Mas fazer o quê? Uma hora dessas vou tentar ligar pra ela. Ela é colorada. Ela é maluca. Ela é petista. Ela é tudo. Mas é uma das pessoas mais divertidas e amigas que conheço.

2 comentários:

Donna Mélis disse...

Anaa! Como eu tava sumida daqui. Mas o blog continua tudão. Ameei o novo banner, tua cara com o chaveiro do grêmio e as coisas da alemanha, tri original.

bejoo

Erica Ferro disse...

"Nossas opiniões políticas eram bem diferentes. Viviamos discutindo. Íamos completamente contra a história de que política, futebol e religião não se discutem. Nós fazíamos questão de discutir. Era por isso que a gente se dava bem, porque a gente discutia, mesmo sbendo que isso não nos levaria a lugar nenhum."

Já tive/tenho amigos(as) assim: opiniões diferentes, mas a amizade sempre prevaleceu. É meio doido isso, mas é bom. ^^

Afinal, o tempero é esse: opiniões diferentes, mas, claro, o respeito tem que estar presente. Às vezes é bom se desentender. =P
Assim sai da rotina, da mesmice... xD

Beijo, Ana.