terça-feira, 23 de junho de 2009

Aventura Matinal

Este era o desafio: localizar os 'ângulos da cidade'. Eram fotos tiradas de diversas partes da cidade que precisavam ser localizadas. A única que continha uma pista dizia: 'casa de dois pavimentos localizada à 3 quadras e meia da Praça'. O prêmio era 2 ingressos para um importante show: The Beats, a melhor banda cover dos Beatles do mundo.
Resolvemos tentar. Combinamos de nos encontrar na manhã seguinte, às 7h, na Praça. Com um pouco de sorte, encontraríamos logo a tal casa e não perderíamos o 1° período da aula (não que estivéssemos muito preocupadas com isso). Antes de sair de casa olho o jornal: ninguém tinha localizado a casa ainda. Provavelmente ninguém procurara, mas nós procuraríamos e, se tudo desse certo, a encontraríamos.
Minutos antes das 7h, lá estava eu no lugar marcado e, enquanto esperava, aproveitava pra dar uma olhada geral, talvez localizasse mais alguma das fotos. Vi-a de longe, despediu-se de quem a acompanhava e veio a meu encontro. 4 esquinas=8 possíveis ruas. Tínhamos que descer 3 quadras e meia de cada uma das ruas possíveis.
Descartamos a primeira rua: não continha mais que 2 quadras. Seguimos para a rua seguinte. Descemos a rua e, só quando chegamos à conclusão de que a casa não estaria ali e demos meia-volta, percebi que tinhamos descido um morro ralativamente grande. Subimos e nos encontramos na praça outra vez. Agora restavam 6 ruas.
Resolvemos atravessar a Praça e descer as ruas opostas. Mais morros. Descíamos tranquilamente, olhando da foto que eu trazia na mão para as casas da rua, e só percebia o quanto tinhamos descido quando subíamos. Voltamos à Praça. Restavam 4 ruas. Seguimos para a 3° dos 4 lados da Praça.
O movimento aos poucos aumentava. Subiam e desciam carros na principal avenida da cidade, onde nos estávamos. As quadras eram longas, quando pensei que estariamos na 3ª ou talvez 4ª quadra, estavamos ainda na 2ª. As pessoas que passavam por nós, ou mesmo os motoristas que estavam presos nas sinaleiras, lançavam olhares curiosos para nós. Na certa parecíamos loucas olhando de um pedaço de jornal e vasculhando com o olhar todas as casas próximas.
-Parecemos aqueles caçadores de tesouro dos filmes. - eu disse. Ela concordou, rindo.
Paramos para ver um poster do show e decidir se arrancavamos ou não. Nenhuma de nós fazia questão de ter o cartaz, então o melhor era deixar ele lá mesmo. Seguimos em frente. Na esquina seguinte estava uma mulher que esperava para atravessar a rua e pouco antes tinha nos visto do impasse de arrancar ou não o cartaz. Quando nos viu, ela nos lançou um olhar de 'Essas garotas são malucas!' e quase saiu correndo, sem nem reparar se podia ou não atravessar a rua.
Estavamos de volta à Praça. Nada da casa. Pelo menos tinhamos pego o endereço de uma das outras fotos. Agora só nos restava um lado. Atravessamos outra vez a rua e seguimos o lado oposto das ruas em que estavamos. Deixamos por último o lado que achavamos mais improvavel se localizar a casa e agora ele era o único lugar em que ela poderia estar, a menos que tivessemos passado pela casa sem vê-la. Eram 7h45min. Tinhamos perdido o 1° tempo da aula, agora só 8h20min, tinhamos tempo.
Descemos por uma rua e subimos pela outra, do mesmo modo que fizemos nos outros lados da Praça, nada da casa. NADA. Eu estava com as esperaças perdidas praticamente, não falei nada, afinal, a esperança é a última que morre. Em todo caso, tendo andado 1 hora nas 8 ruas que saíam na Praça, não entendiámos porque não a encontramos.
-Vamos ir até ali. - ela disse, passando reto pela parada de ônibus - Só vamos dar uma olhada.
Eu, devo admitir, não estava com ânimo pra dar um passo, mas fui com ela. E... lá esava a casa! Uma quadra abaixo da Praça e duas quadras e meia pro lado. Nós encontramos a casa! Ninguém mais tinha encontrado. Também tinha sido um golpe de sorte. Quantas mil endereços existiam que ficavam a 3 quadras e meia da Praça? Depois de caminharmos 1 hora inutilmente por caminhos retos, numa questão de sorte (e de insistância dela, óbvio) tinhamos encontrado a casa!
Chegamos em cima da hora na escola e, na primeira oportunidade, saímos em busca de opiniões que pudessem nos ajudar a localizar outra foto, que ainda não tinhamos encontrado. Estavamos animadas. Tinhamos encontrado a casa, afinal! Andamos pra lá e pra cá na escola e surgiram várias opções. Ao fim da manhã tinhamos 4 de 5 fotos identificadas, sendo que uma delas tinha mais de uma opção. O jeito era mandar mais de um e-mail, cada um com uma resposta pra 4ª foto.
Ela localizou a 5ª foto. A última foto, que saiu no dia seguinte, foi facilmente localizada por ela. Mandamos logo de manhã os e-mails. As respostas da localização da foto saiu na semana seguinte: acertamos 4 de 6. Se houvesse empate, talvez eles considerassem que tinhamos sido as únicas a encontrar a casa. O resultado saiu no outro dia: não ganhamos. Tudo pareceu inútil. Nossa subida e descida de morros às 7h da manhã, durante 1 hora, fora em vão.
Não, não foi em vão. Não ganhamos os ingressos, mas vamos ao show. E, além de ter sido divertido, temos uma 'história pra contar', como ela disse. Afinal, quem mais sai às 6h 30min de casa, um pouco escuro ainda, pra ir à cata de uma casa qualquer na 2ª maior cidade do estado? Só eu e tu mesmo, Rúbia?

2 comentários:

'cary. disse...

aaah sim, o texto, que por sinal eu gostei demais *---* vocês podiam ter ganhado, mas pelo menos vocês vao no show, né ?! :D

Luiza Padovezi disse...

nossa q luta pra conseguir ein?
mas aposto q foi divertido e vcs perderam algumas calorias!!
hahahaha
amiga, vo no jogo do cruzeiro x grêmio amanha!