sexta-feira, 26 de junho de 2009

Gerações

No fim dos anos 70, o mundo conheceu a história de Christiane Vera Felscherinow, mais conhecida por Christiane F., a adolescente alemã que, ao começar a freqüentar uma boate entra em contato com o mundo das drogas e acaba adquirindo o vício e se prostituindo para mantê-lo.
Na época, a droga mais nociva que existia era a Heroína, popularmente conhecida como ‘H’, que tinha um efeito mais poderoso se injetada na veia em vez de simplesmente inalada. Muitos jovens morreram por causa da droga, sendo que alguns se suicidavam, deixando cartas de despedida e alertando sobre os perigos da droga, por não agüentar mais conviver com o vício e não tendo forças para superá-lo.
Infelizmente, como muitas outras coisas, as drogas também tiveram sua ‘evolução’ nesses 30 anos que se passaram desde a geração de Christiane. Atualmente a droga mais devastadora existente é o Crack, que é tão forte que vicia desde a primeira vez. Se nos anos 70 os drogados se prostituiam para comprar 3 doses diárias de Heroína, hoje os viciados em Crack roubam dentro e fora de casa para comprar dezenas de doses da droga.
Andreas W, o Atze, primeiro namorado de Christiane F., foi um dos jovens que optou pelo suicídio, deixando uma carta na qual, entre tantas coisas, escreveu: “Ser drogado é o fim de tudo. Mas o que será que leva a isso, seres jovens e cheios de vida? Gostaria de advertir a todos aqueles que um dia ou outro se perguntam: ‘E se eu provasse?’ Olhem-me, olhem em que me transformei,pobres cretinos”. Apesar do alerta de Atze em sua carta e de tantas outras cartas de drogados suicidas que até hoje são feitas, apesar de não serem tão conhecidas como foi a de Atze, além dos depoimentos que vemos todos os dias através da mídia, apesar de tudo isso, a cada dia o número de viciados aumenta. ‘Mas o que será que leva a isso, seres jovens e cheios de vida?’ foi a pergunta que Atze fez em suas últimas palavras e que até hoje não obteve resposta.
Atualmente existem 50 mil viciados em Crack apenas no estado do Rio Grande do Sul, número que deve aumentar para 300 mil em 3 anos. Mas por quê? Por que razão jovens que vêem todo dia os efeitos da droga acabam seguindo o mesmo caminho? Por que ignoram os depoimentos de viciados e notam que o único modo que eles encontram de ficar longe da droga é se acorrentando na cama ou ficando prisioneiros na própria casa? Por quê?
É triste ver todas essas coisas, conhecer todos esses problemas, e não poder fazer nada. A droga é uma das coisas que mais exige amor-próprio e coragem para tentar lutar contra o vício. Sem que o dependente queira com muita força, é impossível largar a droga, mesmo que ele tenha todo o apoio do mundo. O pior de tudo é que pouquíssimos dependentes de Crack conseguem se limpar da droga e seguir a vida em frente.
Não importa em que época, a droga é sempre droga, não traz benefício algum, apenas problemas e mais preocupações. O que foi a Heroína nos anos 70, é o Crack hoje em dia: apenas um destruidor de vidas e famílias. Prova disso, é a justificativa que Atze deu para seu suicídio: “Vou me matar porque um viciado não dá nada aos seus pais e amigos, a não ser aborrecimentos, preocupações e nenhuma esperança.Ele não destrói somente a si mesmo ,mas destrói também aos outros”. Não é necessário dizer mais nada, mas é sempre bom lembrar: ‘Crack, nem pensar!’


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Esse era o artigo que eu tinha feito pra aula, e que tinha como objetivo ser enviado para ser publicado no Kzuka da Zero Hora, meio que um 'jornal pra jovens'. Como eu disse, era esse o objetivo. Mas acabou que o texto que foi enviado foi aquele sobre a campanha 'Crack, nem pensar' e foi publicado hoje no Kzuka. Mas, já que hoje é o Dia de Combate às Drogas, resolvi publicar o texto que eu fiz porque eu gostei do resultado. Não sei se ficou bom, mas eu adorei escrever.

10 comentários:

Thais Reis disse...

Nossa ficou ótimo o texto.
Sério tenho as mesma dúvidas que você serio.
Enjetar uma agulha na veia,ou colocar uma fumça pra dentro da boca e jogar pra fora ou simplesmente cheirar algo.
Serio não entendo qual é a graça e sei que nunca vou entender.
è muito triste que mesmo todos vendo que isso é horrível continuam crescendo o número de usuários.Mesmo com todas essas cartas e tudo mais.
Bem o que nos resta é lutar todos os dias contra essa coisa horrível, que só surgiu para atrapalhar a humanidade.
Bjos...

Teresinha Bernardete Motter disse...

Ana, parabéns querida pelos textos e pela publicação na Zero Hora. Amo essas minhas alunas que só me trazem alegria.
Estou colocando no meu blog e no site da escola.
bjs
Berna

Luiza Padovezi disse...

Muito bom mesmo o texto!
é bom ver uma jovem como você com essa cabeça boa num mundo que está se perdendo cada vez mais
essa duvida me atormenta, porque mesmo sabendo disso tudo, de todo esse mal q a droga traz, mesmo sabendo q eh morte quase certa, porque cada vez mais jovens entram nessa?
burrice?vai saber, talvez seja mais complexo do q imagino...
o caminho para não entrar no mundo das drogas eh sem duvida muito amor e boa educação em casa, graças a Deus tive tudo isso e espero fazer algo para mudar esse quadro q vemos hj =(

Bittencourt disse...

Curiosamente, a pessoa precisa se ferrar e quebrar a cara pra descobrir o quão devastadora uma droga pode ser; assim vai ser até o fim dos tempos. é realmente tudo uma questão de curiosidade, acho. na verdade, eu mesmo não entendo o pq as pessoas gamam em beber para se divertir. tipo... é como se a diversão fosse impossível sem beber, impressionante.

vc escreve mto bem, aninha! gosto bastante do que leio aqui!

gabriela rohde ♪ disse...

Pôxa! Já pensou em ser jornalista? Você tem o talento! Esse texto é digno de colunistas, sinceramente. Sei que sou leiga no assunto mas isto salta aos olhos de qualquer pessoa. Eu já li o livro da Christiane F., tem até algumas fotos de adolescentes que morreram em função da droga não é?
Beijos ;*

Erica Ferro disse...

Muito, muito bom, Ana!
Ficou muito bom o texto. Parabéns!
Realmente, não entendo porque as pessoas veem tudo isso, mas permanecem buscando consolo e refúgio nas drogas pras suas dores e dissabores.

Tailany Silva disse...

Muito bom o texto! A história de Christiane F. e do Atze são modelos para não serem seguidos. Mas, "no calor do momento", na "diversão", a galera se droga mesmo, e acham que estão se libertando. Coitados, estão é se escravizando a cada dia.

Mary disse...

Drogas (e eu tô falando de TODAS - até das "inofencivas" nicotina e álcool) nunca trouxeram nenhum benefício pra ninguém. Se antes eram usadas por "revolucionários" (vamos assim dizer - que achavam que com isso se tornavam "melhores" ou "diferentes") hoje são consumidas por imbecis quadrados!!!!!!
Imbecis e idiotas que não cansam de ver e ouvir histórias e mais histórias do trágico fim que terão. Mas quem liga pra isso... O importante é ser bem aceito no grupo dos outros otários!!!

Como já disse Henry David (poeta americano): "Qualquer idiota pode ditar uma regra que milhões de outros idiotas a seguirá".

AMEI (assim, em maiúsculo)seu blog!!
É muito bem escrito...
Xerooo
=D

Bruna (: disse...

Ana! teus textos sempre ótimos né.
Parabens pelo texto do Crack, e eu sei como foi divertido fazer. Beijos :*

Pandora disse...

Os viciados dão sim algo a família: RAIVA e FRUSTRAÇÃO. É dose você ver uma pessoa continuamente se afundando sem sair do lugar mesmo com todos fazendo das tripas um coração para ver se você se conscientiza e sai dessa. Como disse meu pai: "Chega doí ver pessoas bacanas nessa!".

O seu texto ficou lindo Ana, não está velho porque quatro anos depois a situação continua se agravando, drogas são um problema de saúde pública que é ignorado, jogado para debaixo do tapete.