quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Uma música

Bem, como é completamente notável, sou do tipo de pessoa viciada em música. Música, acima de tudo, tem como função de fazer sentir bem, te trazer uma boa lembrança, te acalmar. Meu irmão vive dizendo que não gosta de música internacional porque ele não sabe o que estão dizendo. Por um lado ele está certo, mas, por outro, errado porque muito antes de tu aprenderes uma letra de música, seja em português ou em qualquer outra língua, o que te cativa num primeiro momento é o ritmo e cia.
Dentre todas as músicas que adoro, a que me traz mais lembranças é sem dúvida 'What a wonderful world', de Louis Armstrong. A razão é que, desde pequena, quando toca essa música no rádio, meu pai diz: 'Essa música teu avô adorava'. Como sempre fui muito ligada ao meu pai, e ele sempre faz referências ao meu avô, consequentemente sinto a mesma admiração, ou talvez até maior, que meu pai sente por ele.
Meu avô paterno, Hans, morreu muito antes que eu nascesse, antes mesmo de meus pais casarem, de câncer. Ou seja, nunca o conheci e o máximo que sei dele é o que meu pai fala (já que convivo pouco com os meus parentes paternos, mas na última vez que os vi, descobri que eles acham que meu avô era parecido com o Alfred Hitchcock, o cineasta) e as lembranças que tenho dele são alguns retratos.
Independente de tudo isso, construi uma afeição enorme por meu avô. Lembro que quando pequena e meu pai demorava para chegar, eu ia discretamente até a sala, erguia a cabeça e olhava para o retrato de meu avô pendurado na parede (que por sinal, meu pai diz que ele não gostava) e meio que rezava pra ele, pedindo para que o pai chegasse logo em casa. Fé de criança e que, admito, por vezes me domina de novo. Há uma época atrás, por exemplo, quando brigava com meu pai, tentava imaginar o que meu avô faria se estivesse ali, porque, sem dúvida ele seria a única pessoa que meu pai ouviria.
Bem, talvez isso esteja ficando muito melodrámatico, mas a verdade é que eu ainda tento entender como posso me sentir tão ligada ao meu avô sem nem conhecê-lo. Pouco tempo atrás, quando percebi isso, lembro que fiquei ouvindo repetidas vezes a música 'What a wonderful world', uma atrás da outra. Até hoje não entendo a finalidade disso, porque na maior parte das vezes, em vez de me fazer sorrir ao pensar em meu avô, ela me faz lamentar sua perda, lamentar não ter podido conviver com ele nem um pouquinho.
Mas, com todas essas lamentações, eu tento evitar isso, tento imaginar como ele era, o que gostava de fazer e tal. Talvez por isso ele tenha se personificado pra mim como um herói. Sabe, aquela ilusão de que ele podia fazer tudo, ajudava a todos e tudo mais. Ao mesmo tempo, que meu avô acabou se tornando também o meu ponto fraco. Só pensar nele já me faz ficar com a visão embasada (imagina como estou agora). Por vezes tenho que reprimir isso, especialmente quando estou com meu pai, porque, bem, como disse, ele era muito ligado a meu avô, e, nas raras vezes que fala no assunto, percebo como é dificil pra ele.
Certo, certo, isso está ficando um tanto depressivo. Tudo que tenho a dizer, em resumo a tudo isso, é que é ótimo pensar em meu avô, independente do sentimento que cause, alegria pu tristeza, e, sem dúvida, 'What a wonderful world' é um meio que tenho de lembrar dele. Então, vamos à música, com tradução embaixo do vídeo.

Que Mundo Maravilhoso

Eu vejo as árvores verdes, rosas vermelhas também
Eu as vejo florescer para nós dois
E eu penso comigo... que mundo maravilhoso
Eu vejo os céus azuis e as nuvens tão brancas
O brilho abençoado do dia, e a escuridão sagrada da boa noite
E eu penso comigo... que mundo maravilhoso
As cores do arco-íris, tão bonitas nos céus
Estão também nos rostos das pessoas que se vão
Vejo amigos apertando as mãos, dizendo: "como você vai?"
Eles realmente dizem: "eu te amo!"
Eu ouço bebês chorando, eu os vejo crescer
Eles aprenderão muito mais que eu jamais saberei
E eu penso comigo... que mundo maravilhoso
Sim, eu penso comigo... que mundo maravilhoso

2 comentários:

Erica Ferro disse...

Own, Ana, me emocionei lendo. :S
Triste não ter podido conviver com ele, não é? Mas, olha, você sempre o teve com você, nas suas lembranças e no seu coração - e isso é puro e é tão bom.

Ai, eu nem quero me aprofundar muito nisso, não quero te fazer chorar.

A música é linda.

Grande abraço, minha amiga ♥.

Yasmim Lopes disse...

a musik é linda, Aninhaa
bem, é bom q vc tenha um elo com seu avô, pois é o que faz ele estar vvo dentro d você...
pena que não tenha conhecido ele