domingo, 29 de novembro de 2009

Distração

Devo dizer que sou uma pessoa extremamente distraída. Não que eu saia largando coisa por ai e não saiba onde coloquei ou que eu não consiga prestar atenção à certas coisas, não. Na verdade sou distraída com pessoas e não com coisas. Sou do tipo que nunca percebe uma pequena mudança em alguém, como um corte de cabelo, e que, se o fizer, vai ser muito tempo depois, tendo inclusive que escutar, após anunciar minha gloriosa descoberta:
- Bah, mas faz tempo que cortei.
Tirando isso, a coisa que me faz ouvir maiores reclamações é o fato de eu não enxergar ninguém na rua/ônibus a menos que a pessoa salte em cima de mim, salvo em raras ocasiões. Ainda existe a possibilidade de eu ver a pessoa, conversar com ela e tudo mais, mas não saber de onde a conheço. Uma vez me aconteceu dessas e eu tava lá imaginando quem era a criatura (curso de inglês? escola? amiga comum de alguém?) até que ela tocou no assunto 'dentista' e descobri que ela era a secretária.
Mas o fato de não ver a pessoa é que me complica. Volta e meia chega alguém me dizendo:
- Te vi tal dia!
- Onde? - pergunto eu.
- Em tal lugar.
- Bah, não te vi.
- Eu tava bem na tua frente. Tu me viu!
- Não lembro, não.
E assim a conversa continua, a pessoa dizendo que eu a vi e eu jurando não tê-la visto (o que é verdade, mesmo que eu tente não ver alguém, tenho a grande 'sorte' da outra pessoa me ver e não passar ignorando minha existência). Porém nada supera uma situação que eu ainda não entendi como aconteceu, mas enfim.
Numa ida à aula, peguei eu o ônibus em que pretendia encontrar duas de minhas colegas. Quando entrei, conforme ia andando pelo corredor, fui procurando elas. Olha de um lado, olha do outro, nada. 'Na certa perderam o ônibus ou vão de carro', pensei e sentei lá no fundo do ônibus. Minha parada era no fim da linha. Desci e quem eu vejo descer do ônibus tambem? Minhas colegas.
- Onde é que vocês estavam? - perguntei, pasma.
- Ali na frente, logo depois da catraca. - uma delas respondeu.
- Como não vi vocês?
- Tu viu - a outra disse, meio indignada.
- Não vi, não.
- Viu sim, tu olhou bem pra mim e continuou andando como se não tivesse visto. - continuou a indignada.
- É porque eu não vi mesmo.
Passei a aula inteira tentando convecê-la de que não as vi. Pelo assunto não ser um motivo bom para uma briga, ela disse para deixarmos assim mesmo. Tenho certeza que, depois de mais de um ano, ela ainda não se convenceu de que não as vi, do mesmo modo que eu ainda não entendi como não as vi.
Desde então me convenci de que não são as pessoas que ficam imaginando me ver na rua, mas eu que não as enxergo mesmo. O pior é que, quando vejo alguém, eu é que não sou vista, a menos que eu faça um escândalo. De qualquer modo, já levei muitos sustos quando alguém surge do nada do meu lado dizendo alegremente 'Oi, Ana!'. Até eu atinar o que está acontecendo, quem é a critura e tudo o mais, passaram minutos em que eu devo ter agido como uma louca sem cérebro.
De qualquer modo, se tu me ver na rua e quiser ser visto (em vez de ficar brigando comigo na primeira oportunidade), vem falar comigo, pula na minha frente ou sei lá, mesmo que eu aja como uma louca sem cérebro por algum tempo. Mas caramba, entende, tenho mais o que fazer (e pensar) do que ficar reconhecendo pessoas por aí (que desculpa esfarrapada, mas vá lá).

7 comentários:

Marcelo Mayer disse...

farei então a velha brincadeira idiota: tapar os olhos e perguntar "advinha quem é"

Erica Ferro disse...

HUASSUAUASHUAS

Velho, eu tenho esse mesmo problema.
Eu olho na direção que a pessoa tá, mas não a vejo e a tal pessoa JURA que eu a vi e fingi não conhecer.
Fico LOUCA com isso!

Tenho culpa de os meus olhos serem seletivos?

Ah, meus ouvidos também são.
Mas isso já é outro assunto, haha.

Rubia Ness disse...

A Ana faz dessas coisas mesmo, acho que é meio involuntário. Outro dia mesmo estava andando com ela, não lembro aonde, e passou alguem conhecido que ambas olharam e só quando ja tinhamos passado tal pessoa comentei com a Ana e ela me falou que nem viu, mas posso jurar que ela olhou bem na cara da pessoa,m as como ela mesmo diz, vai entender...

Ana Seerig disse...

ahsuahsu

Foi quando pegamos o ônibus com a Jennifer, depois de ter pego os ingressos de HP6!

Eis aí minha testemunha de que não é fingimento meu... ahsuahsau

Douglas disse...

Não estou só no mundo! As vezes as pessoas até pensam que sou mal educado, mas é que eu não percebo mesmo, e meu pequeno grau de miupia não ajuda muito...

Maurício Kehrwald disse...

Ana, muito, muito obrigado pelas gentis palavras!
E por se dar ao trabalho de digitar o troço todo também.
Teu blog já está devidamente LINKADO e REBATIZADO no meu, em dialeto da rurgs. O que quer dizer que entrarei aqui com certa freqüência!

Abraço e cuide-se!

Maurício Alejándro Kehrwald

Gabriela Rohde. disse...

HAHA que coisaaa Ana, eu iria ficar morrendo de vergonha de te chamar :$
mas você provavelmente não vê as pessoas porque tá com o pensamento longe, comigo acontece o mesmo as vezes XD