quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Eu realmente não entendo...

Almocei rápido, estava com pressa, troquei de roupa, peguei minhas coisas e saí. Cheguei na aula, larguei minha bolsa num canto e fui fazer o que tinha que fazer. Isso era cerca de 13h 15 min. Saí cerca de 15h, passei em um sebo para procurar um livro (que não tinha) e peguei o ônibus pra voltar pra casa. No meio do trajeto centro-casa, meu celular toca. É de casa, atendo.
- Tá tudo bem? - a voz da minha irmã do outro lado pergunta.
Do nada, ela me perguntou isso, sem nem sequer um 'oi'. Primeiro, pensei que ela tinha enlouquecido. Quando é que eu ia imaginar que minha irmã ia me ligar pra pedir se eu estava bem? Nunca. Depois cogitei a hipótese de que o telefone tivesse enlouquecido e, sei lá, minha irmã estivesse falando com outra pessoa e eu tinha entrado no meio da conversa (sim, é loucura, mas eu imaginei, não duvido de muita coisa, mas acho provável que a tecnologia enlouqueça sem maiores explicações).
- Ahn? - perguntei, não tinha certeza que tinha escutado direito, cheguei até a tirar o outro fone do ouvido (do MP4, não sou louca de me sujeitar por vontade própria à poluição sonora do ônibus, coisa que eles chamam de 'música').
- Tá tudo bem, Ana?
- Por que não estaria? - definitivamente minha irmã devia ter enlouquecido.
- Ah, tá, depois o pai te explica. - e desligou.
Obviamente, comecei a imaginar mil e uma coisas. Que diabos tinha acontecido para explicar uma ligação daquelas? Será que tinha acontecido alguma coisa com meu irmão ou minha mãe? Ou eles imaginavam que eu tinha descoberto algo que não deveria descobrir porque eu ia perder a sanidade? O que tinha acontecido, afinal??
Quanto mais pressa eu tinha de chegar em casa, mais o ônibus parecia demorar. Por um momento, que pareceu gigantesco, o trânsito foi parado para que um caminhão gigantesco pudesse sair de uma construção. O caminho que de tão conhecido já parecia curto, agora parecia imenso. O que afinal tinha acontecido??
Olhei meu celular. Havia uma chamada não atendida do meu pai, cerca de 13h 45min. Óbvio que eu não ouvi tocar. Estava em aula, com o celular no silencioso e dentro da bolsa, da qual eu estava longe. (Ana-sem-cérebro, por que não colocou o celular no bolso da calça??) Finalmente o ônibus chegou. Fui até em casa o mais rápido possível, isso que minha casa não fica longe da parada do ônibus.
- O que aconteceu, afinal? - perguntei assim que entrei à minha irmã, estirada no sofá assistindo um caso de DNA de uma garota de 20 e poucos anos e um cara de 75, na Márcia.
- Vai lá falar com o pai. - ela respondeu simplesmente, seguindo com uma explicação do cômico caso que se passava no programa da Márcia.
Fui à cata do meu pai. O que tinha acontecido afinal de contas?
- Ligou uma guria aqui em casa chorando, dizendo 'Pai, fui assaltada' e, em seguida, um cara começou com uma chatagem e coisa e tal. Como não citaram nome nenhum, desliguei e liguei pra ti e pra Elisa (minha irmã, também não estava em casa naquela hora). Como tu não atendeu, fiquei preocupado, a voz da guria era parecida com a tua. Mas como não ligaram de novo e não citaram nome nenhum, não perdi a calma, imaginei que era golpe.
Me justifiquei por não ter atendido. Meu pai disse que entendia e que agora não precisava me preocupar. Mas eu realmente não entendo como existe pessoa capaz de sobreviver a custo de golpes como esse. Quantos já cairam em golpes assim? A gente imagina que nunca vai acontecer com nós, mas acontece. Hoje, por exemplo, meu pai quase caiu em um, mas preferiu seguir a lógica do que perder o controle sem maiores explicações. Mas e quantos mais tem a frieza para fazer isso?
É com coisas assim que eu perco a fé na humanidade. Como alguém pode viver tranquilo roubando, matando e aplicando golpes baixos desse tipo? Isso sem falar naquelas tantas pessoas que adoram fazer uma maldadezinha aqui outra ali, com aqueles que as supõe amigas. E nós? Nós, pessoas que fazem o possível para viver na paz, às vezes, fazemos algo que, involuntariamente, chateia ou prejudica alguém, ficamos com a consciência pesada e tentando, se possível, redimir-se de alguma forma. Nós que não fazemos um décimo do que muitos fazem por aí, ficamos com a onsciência pesada facilmente, enquanto pessoas covardes demais para tentar mudar de vida, vivem para fazer mal ao próximo sem um pingo de dor na consciência. Eis algo que realmente não entendo...

8 comentários:

Marcelo Mayer disse...

sabe aquela palavra "sobrevivência"? ela pode ser desculpa pra muita coisa. porém, uma pessoa que rouba pq sua filha passa fome todo dia em casa é para se pensar. não há outra maneira. ou ele é taxado pela sociedade como trombadinha, ou pela mídia como coitado, ou pelo governo como corrupto. ironia, né?

Ana Carolina Lima Da Rosa disse...

Sinceramente, é bastante dificil entender, as pessoas que matam e roubam e não fica nem com a consciência pesada..ah já tentaram aplicar esse golpe aqui, em casa, umas duas vezes, que eu lembro, uma foi a empregada, só que disseram, que a filha dela tinha sido sequestrada e a uma vez, tentaram aplicar o mesmo golpe, com a minha tia, só que eu e o meu primo estavamos em casa.

Sabrina Silva disse...

Há poucos dias atrás isto aconteceu com minha melhor amiga. Ela estava em um curso técnico, quando ligaram pra casa dela. Colocaram uma falsa mulher na linha chorando finjindo ser minha amiga. Pediram dinheiro, falaram o nome dela, chingaram a mãe dela. Foi terrivél. E eu também continuo não entendo o porquê tantas pessoas ainda desejam fazer o mal á alguém. Será que não perceberam ainda que não se leva nada de bom com isto?

Erica Ferro disse...

Concordo com Marcelo.
Acho que algumas pessoas, como diz a música, desandam por falta de opção.
Ok, não podemos justificar coisas assim, mas e agonia, e o filho chorando com fome? E a miséria que assola tantas pessoas?
Há pessoas que roubam para sobreviver, e não por pura maldade.
Como há outras que roubam, enganam, matam por pura ambição e maldade. Essas daí são cruéis mesmo e indignas de pena e compreensão alheia.

Sinto muito que isso tenha acontecido contigo, mas que, graças a lógica, seu pai não pirou e cedeu a esse tipo de pressão.

Grande abraço, Ana querida ♥.

Ana Seerig disse...

Marcelo/Erica:

Sei que nem todos tem outra opção, mas nesses casos, acredito eu, eles não aplicam golpes e sim roubam o que é necessário...

Infelizmente, nem todos que querem mudar de vida aproveitam verdadeiramente uma boa oportunidade, do mesmo modo que alguns que querem melhorar não tem chance...

Sabrina Silva disse...

Ah muito obrigado querida! Fico feliz por saber que mais alguém esta lendo :)

Natália disse...

Também não entendo e me indigno com coisas desse tipo. Povo pobre de espirito. Deus tarda mas não falha. Beijos

Déia disse...

Vc acredita q meu pai caiu nesse golpe? e deu 700,00 em crédito de celular pro ladrão? tadinho....

É gente boa, gente ruim, tem em cada esquina..e esse "buraco" é tão mais lá embaixo...tantas diferenças sociais...Aff...

bj