domingo, 6 de dezembro de 2009

Feiúra urbana - Nivaldo Pereira

Caxias do Sul está preocupada com as pichações. E com toda razão. Nunca a cidade esteve tão feia. É o que eu acho, como observador exigente. Mas não penso que a feiúra venha somente dos sprays de gangues revoltadas com algo que nem sabem o quê. Ainda pior é a “pichação” consentida, que paga impostos: é o horror de letreiros e cartazes de lojas sem nenhum traço de bom gosto. No conjunto, sujam o visual urbano. E a estética imbecil das gangues vira fichinha.Veja as ruas mais centrais. Meio de repente, prestadores de serviços de estética bucal investiram pesado em enormes cartazes em suas fachadas. Virou onda, uma onda publicitária. Sorrisos gigantes gritam por atenção. Sei não, sei não. Algo ali não funciona. Gengivas e dentes ampliados, sem o rosto do dono, ficam sinistros. E a promessa de beleza enfeia o visual. Achei que fosse implicância minha, fui perguntar a opinião de outras pessoas. Todo mundo acha bizarro.Também de repente, houve uma proliferação de farmácias. Uma colada na outra. Concluo que a população está mais doente. Concorrência, disputas nos preços mais baixos, descontos. Tudo normal, mas... e o visual? Uma catástrofe! Cores berrantes, letras amontoadas, breguice no pior sentido. Parece que estamos mais doentes também na estética. Ok, democracia é o direito de tomar banho de chapéu ou se pintar de verde. Mas, se algo atinge o coletivo, cabe a esse mesmo coletivo questionar a qualidade do que recebe em suas fatigadas retinas.Com honrosas exceções, prédios até bonitos, com relativo valor histórico e arquitetônico, são escondidos por tabuletas gigantescas ao gosto duvidoso dos donos. Tamanho virou documento, e quanto mais cor, mais visibilidade. Ei, criaturas, onde vamos parar?Não quero lamentar pelas casas de madeira ou o mais que já foi tragado pela gula voraz do mercado imobiliário. Até já me acostumei com as caixas de cimento e mármore cheias de lojinhas, que são a tendência das esquinas centrais caxienses. Todas horríveis, mas estão aí, então deixa. Mas, poxa vida, eu amo essa cidade. E quero muito achar bonitos seus cartões postais.

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Bom, primeiro quero me desculpar por minha ausência aqui e em todos os blogs que acompanho. Essa semana, por alguma razão, não foi muito produtiva, especialmente no mundo virtual. Acabo de ver o Grêmio x Flamengo e por isso só cheguei até o blog agora. (É, o Grêmio perdeu, mas o Inter não foi campeão, isso me deixa extremamente feliz. Não torci pro Grêmio perder, mas não fiquei nem um pouco chateada, ainda mais que o São Paulo também não foi campeão. Parabéns Mengo!) De qualquer forma, não estou com cabeça e nem tempo pra escrever algo aqui, então postei essa belíssima crônica do Nivaldo Pereira, que foi publicada dia 27/11/09 no Jornal Pioneiro, aqui de Caxias. Mais uma ótima crônica do Nivaldo com um excelente tema. Também sou contra tantas placas de divulgação e, especialmente, 'sorrisos' sem rostos. Mas essa crônica me chamou atenção especialmente pela seguinte frase: 'Mas, poxa vida, eu amo essa cidade'. Pra quem não sabe, Nivaldo Pereira não é caxiense e, muito menos, gaúcho. Não, ele é baiano. Um baiano que ama mais Caxias do Sul do que muitos que nasceram aqui. Muitos que apenas reclamam da cidade, criticam, sujam fisica e oralmente a cidade e não fazem nada para melhorar. Metade dos caxienses só o que faz é reclamar. Não faço parte dessa metade. Não, eu amo minha cidade. Defeitos qualquer lugar tem, basta aprender a conviver com eles.

2 comentários:

Natália disse...

Pichações sem condições mesmo. '--
Beijos

Erica Ferro disse...

Nivaldão é demais! *-*
Adorei a crônica, muito boa mesmo.
É um baiano apaixonado por Caxias, hein?
Legal isso.

Perdoada pela ausência, Ana. Estás perdoada.
Só não podes sumir do msn, senão eu choro e morro de tristeza. Tu sabes que eu não vivo sem ti, não é?
Um beijo pra ti, queridona ♥.