quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

'Mas só chove, chove'

- E então tu tens que entrar aqui... Não, tem que ser aqui mesmo... Deixa eu te mostrar... Não, aqui não está, deve estar na outra sessão... Mas então, aqui não tem nada, tu tem que ir aqui...
Depois de conseguir me safar das explicações praticamente desnecessárias da bibliotecária, fui até a outra sessão pegar o livro que tinha reservado. O relógio marcava 15h 20min quando finalmente saí da biblioteca com o tal livro, tinha demorado muito mais tempo que o esperado com as insistentes explicações da bibliotecária.
Assim que consegui chegar à rua, a chuva ficou muito mais forte. Tinha um compromisso às 15h 30 min à algumas quadras de distância, não tinha como parar e esperar a chuva acalmar antes de seguir o meu caminho se quisesse chegar no horário. Antes de seguir a narrativa, quero deixar claro às pessoas que me aturam, pessoalmente, com minhas teorias e manias, que o que se passou a seguir não podia ser evitado com um guarda-chuva, acessório que, pra quem não sabe, eu desisti de utilizar devido à sua ineficiência e maiores complicações que ele traz, pois, com o vento que estava, ele logo seria destruído (como sempre acontece, aliás).
Sem maiores alternativas, fui pra chuva. Cheguei à esquina, pronta a seguir pela esquerda assim que atravessasse a rua mas, assim que vi que o vento me faria ir contra a chuva, resolvi seguir em frente e virar na rua seguinte, protegida pela gigantesca parada de ônibus.
- Olha a Ana ali! Outra tomando banho de chuva - alguém disse atrás de mim. Virei. Uma das colegas que estava na aula comigo minutos atrás.
'Fazer o quê, a Ana tá sempre tomando banho de chuva', pensei em dizer, mas a pressa e a chuva me fizeram apenas encolher os braços, rindo. Com um pouco de sorte, peguei a sinaleira de pedestres aberta. Me refugiei atrás da gigante e coberta parada de ônibus, mas não foi de grande ajuda.
Desci a rua com pressa pelo horário e pela chuva. Senti minha calça grudar nas pernas e então percebi a força da chuva. As pessoas olhavam-me encharcada e dividiam-se entre sorrisos zombateiros e olhares que duvidavam da minha sanidade. Ri comigo mesmo, apesar de estar cada vez mais molhada, aquilo era divertido.
Quase no prédio ao qual me destinava, atravessei a rua (as sinaleiras de pedestres realmente estavam a meu favor) e, por mais que tenha tentado saltar a grande poça d'água na beirada da rua, meus pés foram completamente inundados pela água. 'Azar, já tô encharcada mesmo', pensei comigo.
Cheguei ao prédio às 15h 25min. Tirei meu casaco e o torci. Saiu uma relativa quantidade de água. Havia mais pessoas que o comum na portaria. No momento pensei que esperavam o elevador, mas lembrando agora que apenas uma senhora me acompanhou no elevador, creio que estavam fugindo da chuva. Obviamente, todos os que estavam ali dividiam-se entre a pena pela probre guria encharcada e a suspeita de que aquela guria tivesse algum problema mental. O porteiro me ofereceu uma toalhinha pra secar ao menos o rosto. Sequei e fui rapidamente pra onde deveria ir, ouvindo lá grandes lamentações da secretária por não ter uma toalha à disposição.
- Pelo que vi pela janela, um guarda-chuva não seria muito útil - ela disse, tentando me consolar, como se eu me arrependesse de não ter um sempre à mão.
Saí de lá e a chuva estava mais calma, não que isso fizesse diferença pra mim, mas enfim. Meus tênis tinham se transformado em duas piscinas ambulantes e a cada passo sentia o 'plaft, plaft' que toda aquela água acumulada fazia.
Resolvendo ir direto pra casa pra tirar logo aquela roupa molhada (e também pra enconimizar uma passagem de ônibus, devido ao fato de ter pego o ônibus da escola pro centro em menos de uma hora atrás), peguei o primeiro ônibus que me levaria o mais próximo possível de casa, sem ligar muito para o número de pessoas que o dividiria comigo, em outras palavras, se ele estaria lotado ou não.
Tirando a parte da chuva, que na verdade foi divertida, estava com sorte. O ônibus não estava lotado e haviam dois bancos únicos vazios. Não demorei muito pra saber a razão: eles estavam molhados. Não desisti de sentar em um deles, afinal umas gotinhas a mais de água não fariam diferença pra quem já estava completamente encharcada, tirando talvez uma pequena parte das costas.
Cheguei em casa e fui tomar um banho de chuveiro, pra me recuperar do de chuva. Ouvi então que começou a trovejar. Não me prolonguei muito no banho e, segundos depois de ter desligado o chuveiro, faltou luz.
Sorte minha que tinha um livro à mão e um quarto iluminado o suficiente para tornar desnecessária uma lâmpada elétrica para uma boa leitura no meio de um temporal.

2 comentários:

Luh* disse...

Ah como a chuva faz bem pro corpo e pra alma!
beijos

Erica Ferro disse...

Que dia legal, hein?
Gostei. =)
Foi gostoso de ler.

Beijo.