quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Rápida volta ao tempo

Quando se muda de escola, bairro, cidade ou qualquer outro tipo de mudança, sempre deixamos algo e, certamente, alguém para trás. Por mais esforço que se faça, jamais consegue-se fazer com que as coisas não mudem pra valer, com que tudo permaneça igual. Muda, tudo muda. Uma mudança acarreta outras tantas. Mas, em raras ocasiões, por breves instantes, as coisas parecem voltar ao que eram, de alguma forma.
Hoje, por exemplo, vieram aqui em casa 3 grandes amigas minhas, com as quais tenho mantido um contato há distância (que, por vezes, não é superada mesmo nos encontros) há cerca de 3 anos, quando mudei de escola. Durante esse tempo, elas vinham aqui de vez em quando, saíamos juntas ou, em raras ocasiões, eu ia até a casa delas. Se tu levar em conta que convivemos diariamente durante 4 anos, bom, isso é pouco.
E hoje elas chegaram com uma ideia que, a princípio, achei que era brincadeira, mas depois vi que elas estavam falando sério (de certa maneira). Elas chegaram aqui querendo jogar o 'Jogo da vida', que preencheu muitas das visitas delas aqui em casa, há uns 5 ou 6 anos atrás. Eu raramente me lembrava desse jogo e, tinha quase certeza, que tinha ido pro lixo. Falei isso a elas, mas elas não mudaram de ideia, até se proporam a me ajudar a procurar.
Com um pouco de sorte, encontrei o jogo em um canto, todo sujo de poeira e com a caixa quase em pedaços (faz anos que ela está nesse estado, aliás). Depois de tentar lembrar as regras do jogo, ficamos uma hora em cima dele sem ver o tempo passar, com risadas contagiantes e a emoção de um bando de crianças ao descobrir um novo jogo. Pensando bem, acho que nem na época em que o jogávamos, há anos atrás, ele parecia tão divertido. Ou melhor, talvez eu não o achasse mais divertido, pelo fato de estar cansada dele. Mas hoje, depois de anos, me diverti muito com ele.
Mas acho que o verdadeiro motivo da alegria incontida (que resultava em risadas por vezes escandalosas) era o fato de estarmos ali, juntas, sem preocupações ou conversa fiada. Pelo menos digo isso por mim. É nesses momentos que percebo que, mesmo depois de três anos, elas continuam sendo minhas grandes amigas. Durante esse tempo em que quase não nos falamos, não encontrei nenhuma pessoa que me faça rir simplesmente, sem motivo algum, por motivos idiotas ou não. Ninguém que venha aqui em casa e me faça esquecer de todas as atenções dadas a uma visita, já que tal pessoa não é mais considerada por um mim uma visita. Ninguém que me deixe realmente feliz pela companhia. Resumidamente, esses pequenos momentos que tenho com elas, tais como o de hoje, me fazem lembrar o que é uma amizade de verdade: sem atitudes forçadas e muito menos risos falsos, mas sim a simplicidade de ser quem se é, sem enganações a si mesmo e aos outros, ser livre de preocupações por confiar em alguém que também confia em ti, esquecendo por completo do que os outros pensam, sendo apenas tu mesmo.

2 comentários:

Taw disse...

É livre mesmo o lugar onde há amizades verdadeiras.

Erica Ferro disse...

"...me fazem lembrar o que é uma amizade de verdade: sem atitudes forçadas e muito menos risos falsos, mas sim a simplicidade de ser quem se é, sem enganações a si mesmo e aos outros, ser livre de preocupações por confiar em alguém que também confia em ti, esquecendo por completo do que os outros pensam, sendo apenas tu mesmo..."

E é por aí mesmo, Ana.

Ficou lindo seu texto, viu?
Beijo.