sábado, 20 de fevereiro de 2010

Sábado

Não há nenhum outro dia que se compare a sábado. Parece que, já ao acordar, percebe-se que é sábado, mesmo antes de perceber que se está acordado, ou antes de qualquer outra coisa. No sábado, tudo é diferente. Não há razão para olhar um relógio antes de tudo, não há horário para se preocupar.
Olha-se pela janela e tudo parece parado. Há carros na avenida. A loja está aberta. Há pessoas na rua. Apesar disso, a cidade parece ainda estar dormindo. Os carros na rua não são tantos quanto os dos outros dias da semana. As lojas fecharão ao meio-dia e, salvo uma ou outra, não abrirão à tarde. Poucas das pessoas que estão na rua vão ao trabalho, a maior parte delas vai ao mercado ou visitar alguém, afinal é sábado.
No sábado não se encontram facilmente algo que lembre a existência da escola ou qualquer outro meio de educação. Os estudantes, em sua maioria, estão dormindo, aproveitando que não é necessário acordar cedo. As mochilas ficam jogadas e um canto e só serão lembradas na segunda de manhã. Até lá, não há nada com que se preocupar.
Meio dia. Ainda há carros subindo e descendo há avenida, posso escutá-los. Vez por outra, passa um ônibus. Mas muitas vezes há silêncio. Um silêncio curto, poucos segundos, mas que parece enorme. Ouve-se um carro ao longe. Buzinas são desnecessárias, não há trânsito. No lugar delas, carros com rádios a todo volume, na maioria das vezes, com uma música qualquer, sem valor nenhum, que amanhã ou depois será esquecida, mas que hoje ainda é moda.
À tarde o silêncio nas ruas é ainda maior. Os carros estão guardados. As pessoas estão sentadas na frente da TV, vendo um programa qualquer ou algum DVD. Se não estão em casa, devem ter ido ao cinema, ou encontrar algum amigo. Mas não há compromisso, não há planos, faz-se o que se quiser fazer, impossível prever.
Quando a noite chega, os planos são feitos. Para onde ir? Com quem ir? Ou ficar em casa? Fazer o quê? O mesmo que se faz em todas as noites ou outra coisa? Futebol? Filme? Livros? Internet? Música? Muitas opções, mas a noite do sábado não pega ninguém desprevinido, todos já tem um plano premeditado, feito durante o dia ou mesmo durante a semana. Todos já sabem exatamente o que vão fazer, ou o que não vão fazer.
O sábado encaminhou-se sozinho até a noite. Sem planejamento, sem procupação. E agora está no fim. Não se sabe mais o que foi feito, mas o sábado acabou. Amanhã será domingo, dia de algum passeio com a família ou uma repetição mais devagar do sábado. Últimos momentos antes de tudo se iniciar de novo. O sábado acabou e, antes que se perceba, já é segunda-feira, percebida logo ao acordar por seus sons e a eterna preguiça que a domina.

6 comentários:

b disse...

Em caso de tédio e algum dinheirinho extra, sábado é dia de fazer coisa radical, tipo, cortar o cabelo todinho...

Dayane Pereira disse...

Legal! Uma bela homenagem ao sábado! Meu dia favorito! O dia que folgo e unico que fico sozinha em casa, a noite adoro ficar ne net sozinha no meu quarto, ouvindo musica, vendo filme.... meu sabado perfeito:!!!!

Erica Ferro disse...

Cara, quando o sábado passa, já é segunda; domingo passa voando, e a gente nem sente.

Muito boa a crônica, Ana! Amei.

Beijo.

Fê Colcerniani Justo disse...

Sábado é tudo de bom! E concordo com vc, já acordamos sabendo que é diferente... tudo tem gosto diferente....

Bjsss

Melissa B. disse...

Sábado é uma delícia mesmo.
Mas me diz, tu vive na mesma cidade que eu? Trânsito tranquilo? Me dá o endereço.

No mais eu concordo ali.

beeijos

PS: sempre tem q vir eu pra discordar. ahsuaushasuh xD

Mr. Blue disse...

ahuehauheuae adorei seu texto!

Pois é, sábado é um ótimo dia, ele é a fusão da sexta (dia de bebedeira, euforia, agitação, ansiedade) com o domingo (o dia mais chato e monótono da semana, parece final de algo triste, um velório talvez, não o início de uma nova semana), portanto, no sábado você, ao mesmo tempo que tem a opção de descansar sem toda a catarse histérica que fica a cidade numa sexta, também tem a opção de dar uma volta, encontrar algum bar ou baladinha aberta, se divertir como numa sexta, ao contrário de domingo, quando você não pode se divertir de maneira alguma, mesmo que você faça algo divertido (pois você vai estar pensando que no outro dia é segunda, diversão nenhuma poderá durar até tarde, etc)