segunda-feira, 29 de março de 2010

"A cada ano que se ganha se perde um ano"*

Quando pequenos contamos os dias para o aniversário, para os presentes, para a festa. Depois de uma certa idade começamos a contar os meses para completar tal idade e fazer tal coisa. Até que chega uma hora que o aniversário é só mais um dia, ficamos felizes se alguém lembra, fugimos do 'Parabéns pra você' e já não damos tanta importância pra data. De qualquer modo o aniversário, seja ele aguardado ou não, acaba por marcar de alguma forma. Entre todas as alternativas que chamam a atenção, a mais comum talvez seja o fato de que tu está completando uma idade que, ao que parecia pouco tempo atrás, parecia longíngua.
Não, minha intenção não é dissertar sobre aniversários ou algo do gênero, mas sim falar sobre como somos tolos que enrolamos a nós mesmos. A cada aniversário, ou frequentemente em viradas de ano, prometemos a nós mesmos fazer algo no ano que se segue ou aguardamos o ano seguinte por uma razão qualquer. Todo ano prometemos a nós mesmos, todo ano ignoramos nós mesmos, todo ano adiamos para o ano seguinte. E essa rota se segue até que se admita que tal coisa não será feita jamais, que nos obriguemos a fazer tal coisa ou que algo nos obrigue.
A cada ano que acrescentamos à nossa idade, acrescentamos um ano em que deixamos de fazer uma ou várias coisas que gostaríamos de ter feito. Cada ano somado é um ano diminuído. Pior é se lembrarmos de quantas promessas a longo prazo já fizemos e que ainda hoje fazemos 'Com tal idade estarei fazendo tal coisa' ou 'Daqui a tantos anos farei tal coisa'. E então, o que, há anos atrás, tu prometeu a ti mesmo fazer com a tua idade atual e que até hoje não fez? Quanta coisa tu fez e quantas deixou de fazer? Quanta coisa que tu imaginou e se provou sem sentido? Quanta coisa deu errado, quanta coisa deu certo. Tu é uma pessoa diferente do que era anos atrás, mas aqueles teus desejos se provaram malucos ou tu apenas não tem coragem de arriscar e adia sempre?
O dia que agora acaba é um dia perdido se nada do que tu gostaria foi feito. A semana que terminou não teve nenhuma validade se tu não aproveitou tudo que podia. O mês que se acaba foi igualmente inútil se tu não arriscou em momento algum. Dia após dia, semana após semana, mês após mês e pronto, foi-se mais um ano em que tu não quis arriscar. Adiam-se os medos, adiam-se as vitórias, as alegrias.
Qual é a graça de ver os dias serem sempre iguais? Que boa lembrança pode haver no fato de preferir algo/alguém por medo de arriscar? O que difere um dia do outro senão aquele receio de errar, aquele frio na barriga, aquela idiotice gigantesca com os amigos que resultou em boas risadas? Por que continuamos a empurrar com a barriga aquilo que nos assusta de alguma forma? O que nos marca mais: o arrependimento de ter feito ou o de não ter feito? A vontade de não ter feito algo que se fez será tão grande como a de ter feito algo que não se fez e ficar sem saber o que poderia ter acontecido? Questão maluca essa última. Maluca mas com um fundo de sentido. Aliás, muitas das coisas que adiamos parecem malucas quando não queremos admitir o verdadeiro sentido daquilo apenas para convencer a nós mesmos que não precisamos fazer aquilo naquele momento.
Ah, as palavras começam a ficar desconexas (ou complexas?), talvez o melhor seja parar por aqui. Deixar esse assunto pra amanhã. O dia está no fim. Amanhã tudo estará mudado. As ideias não serão mais as mesmas. Talvez esse assunto nem volte a me interessar. Ou, se interessar, talvez eu prefira ignorá-lo pelo simples fato de não poder argumentar suficientemente bem a respeito. Que os dias continuem os mesmos, que eu não gaste meus neurônios tentando explicar algo que eu não entendo, que as coisas que eu não quiser fazer amanhã eu deixe pro dia seguinte, afinal o fim é igual pra todos, todos morremos. Qual a diferença entre uma vida bem vivida e uma com sombras de medo e arrependimento? O fim é o fim, apenas isso. Ou será que, como alguém disse, o que vale não é o destino e sim a jornada? Bem, como diria Scarlett O'Hara, amanhã eu penso nisso.
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*Há alguns meses atrás, após um show do Vera Loca, depois de um gole do chopp do Mumu e da tradicional foto com a banda, Diego "Floreio" Dias, tecladista da banda e grande músico e compositor, que toca também com outros grandes nomes do rock gaúcho como Alemão Ronaldo e Nei Van Soria, que conversava com outra guria, se aproxima com a bela frase, conclusão de um dos dois, 'A cada ano que se ganha se perde um ano'. Eu, minhas companheiras de show (Rúbia e Bruna) e Floreio, todos blogueiros, chegamos à mesma conclusão imediatamente: 'É assunto pra post'. Como até agora ninguém escreveu nada a respeito de tão bela conclusão, resolvi eu mesma fazer. Acho que o texto não manteve o sentido da coisa, mas enfim, eu tentei.
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Agradecimento à Erica Ferro por seu post pra mim. Gracias, Ferro!

6 comentários:

Erica Ferro disse...

Maldita frouxura, maldita mania de se enganar em adiar coisas inadiáveis.
Maldita mania do ser humano de se atrasar, de perder tempo ao invés de comer o tempo, encher a barriga das guloseimas da vida. Tá certo que vai dar umas indigestaçãozinhas, mas dane-se. É assim mesmo...

Que eu não me adie mais, amém.

E você tentou e conseguiu, eu gostei do texto.
Muito bem escrito, complexo, do jeito que eu gosto. ;)

Ana Carolina Lima Da Rosa disse...

Gostei do texto.
Ah cada virada do ano é a mesma historia, iremos fazer, isso enfim vamos deixando e não fazemos.


ah Parabéns pelo niver õ/

Juliana Mendes disse...

eu odeio..
quando eu dou parabéns a uma pessoa...
e falo, aê, tá ficando mais velhinha, um ano a mais..
ai a pessoa fala..
um ano a menos..
--'

pohhaaaaaaaaaaaaa...
se fud** viu!?

beijos

Allyne Araújo disse...

depois eu comento sobre o seu post.. mas antes,(To vindo do blog da Erica Ferro)...,
'Bah'!!!!
feliz aniversário e sucesso sempre!!!! tudo de bom e muitas realizações!!!!!!!! parabéns e ate logo logo!!!!!!! beijao grande!!!!!!

Non je ne regrette rien: Ediney Santana disse...

"Qual é a graça de ver os dias serem sempre iguais? " seu soubesse , abriria um igreja e ficaria cheio de pecados e grana

Bruna disse...

Ana!
muito bem lembrado!
certamente não esqueci deste dia, mas não lembrei de escrever sobre! :P

adorei!
beijo!