sexta-feira, 5 de março de 2010

Prós e contras da altura

Numa família com o pai medindo 1,80, a mãe 1,68, a irmã mais velha 1,72 e o irmão mais novo, depois de um surto de crescimento, 1,80, realmente não me acho tão alta, tendo 1,75. Possivelmente não é tão comum uma guria com essa altura, mas também não é raro. De qualquer modo, os outros me consideram alta, então vou concordar com eles durante esse post. Vejamos os prós e contras de ser uns centimetros mais alta do que o resto do mundo.

Insatisfação infantil: Quando não se tem a altura comum para a tua idade é difícil encontrar aquele tênis todo colorido e coisa e tal que aparece na propaganda: nunca tem do teu tamanho. Chega uma idade em que eles te levam direto pra sessão adulta, sendo sempre mais fácil pedir que modelos eles tem no teu tamanho do que ficar ouvindo repetidas vezes 'Não tem nesse tamanho'. Até que idade vai a sessão infantil? Não faço ideia, mas antes do previsto já ia direto pra sessão adulta comprar roupa. Demora tempos pra encontrar algo que me agradasse e que, provavelmente, não duraria muito tempo, já que em breve estaria curto. Provavelmente vem daí o fato de eu não dar saltos de alegria quando falam em 'fazer compras', ao contrário de todas as minhas amigas. Deve vir da infância também a antipatia que sinto por vendedoras de loja de roupa. É, está aí mais uma vantagem de parar de crescer: não ter que ficar todo tempo comprando roupa.

Amigos, colegas e afins: Acabo de chegar a conclusão de que talvez a minha altura seja uma das razões pela qual as pessoas vivem me dizendo 'Eu tinha medo de ti'. A verdade é que só percebo como sou mais alta que os outros quando vejo alguém da minha altura no meio daqueles com que convivo. Aí sim eu noto a diferença de tamanho. Ou então quando empresto meu casaco pra alguém que tá com frio, aí vejo como o casaco que me serve perfeitamente fica grande pra amiga que me pediu o casaco emprestado, sendo necessário, em alguns casos, dobrar um pouco as mangas. Às vezes lembro da diferença de altura entre eu e uma amiga na hora de abraços, quando percebo que tenho que me abaixar bastante em alguns casos, ou quando vejo aquela foto em que eu, com meu All Star surrado, continuo sendo mais alta do que as que estão de salto. Não me importo de ser alta, muito pelo contrário, mas vez por outra alguém comenta algo a respeito sem muita alegria. Isso sem falar que a altura virou, automaticamente, um ponto que observo num cara.

Piadinhas: Essa é a parte mais fácil de explicar. Depois de ser chamada muitas vezes de 'girafa' pelos colegas (o que nunca me ofendeu, acho a girafa um animal simpático até), já tive que ouvir, entre outras coisas, 'Como está o tempo aí em cima?'. É cada uma que eu tenho que ouvir...

Pau pra toda obra: Durante as aulas, ou mesmo em auxílio a minha mãe que virou a 'baixinha' daqui de casa, o fato de ser mais alta faz com que tu sempre sejas lembrada na hora de pendurar um cartaz, pegar algo numa prateleira ou qualquer outra coisa que as pessoas queiram fazer mas que são incapacitadas pela altura.

Multidões: Em um show ou qualquer outro lugar em que tenha um acúmulo de pessoas, além de ter que cuidar pra não enfiar o cotovelo na cara de alguém enquanto se passa no meio de todo mundo, a vontade de não atrapalhar me faz ficar sempre num canto ou mesmo no fundo. Quando todo mundo começa a pular, em vez de pular junto e arrancar a cabeça de alguém, tento evitar ser acertada pelo cotovelo alheio, que geralmente se direcionam pra minha cara. Entre outras vantagens, o fato de ser alta sempre me deu lugar garantido no fundo da sala ou, pelo menos, no canto, junto da parede, mesmo quando os professores queriam marcar os lugares. Caso eles não fizessem isso a frase mais dita na sala de aula seria, na certa, 'Baixa a cabeça ai, Ana'. Sem contar que, nas multidões, quando elas estão impedidas de pular, em vez de ficar olhando pra cima como os outros, tentando visualizar a frente, onde está a atração, eu simplesmente olho pra frente.

Cadeiras e bancos: Esse é um ponte negativo. Nas cadeiras ruins da escola o encosto sempre fica na metade das costas, não me dando o conforto que certamente dá às costas dos que sentam direitinho na cadeira por ordem da professora. No caso dos bancos de ônibus, ou mesmo nos de carro, o encosto pra cabeça fica no pescoço o que, e viagens longas, é algo desconfortável e, em alguns casos, irritante.

Conselhos profissionais: Depois de fazer um comentário do gênero 'Como tu é alta!', aquele parente ou amigo de família que eu nem sabia da existência, ou que há muito não via, a frase seguinte é: 'Tu devia ser modelo'. Isso pode variar, em alguns casos, para a sugestão de que eu siga a carreira esportiva, sendo jogadora de vôlei ou, como uma vez sugeriram, jogadora de basquete. Resumidamente, todos os conselhos (não pedidos) profissionais são influenciados pela minha altura antes de qualquer coisa.

Saltos: Já ouvi quem dissesse, com ar de pena, que não devo usar salto ou usar saltos pequenos, como já ouvi que devo usar ('A Ana Hickman usa salto de até 10cm!'). Tais observações eu classifico como inúteis já que não tenho nenhum trauma por não usar salto ou algo do gênero, não uso salto pelo simples fato de preferir um bom All Star ou qualquer outro tênis (quando se passa mais tempo com o lado masculino da família, além de aprender a gostar de futebol e a jogar baralho, também se ouve muito a história de 'Salto é frescura, tem que usar tênis').


Com conselhos profissionais e de calçados não pedidos, sou plenamente satisfeita com a minha altura. Os mais baixos acham que seria melhor ser mais altos, do mesmo modo que alguns altos gostariam de ser mais baixos, esquecendo-se de que sempre há prós e contras. Os altos estão sempre batendo a cabeça em portas de armários de cozinha e semelhantes, enquanto os baixos tem sua cabeça acertada por alguém mais alto. Mas e aí, qual o problema? O que define a tua popularidade ou profissão é a tua personalidade e não tua altura ou o modo como se veste. E é isso que falta nas pessoas: personalidade. Tenho certeza de que se a preocupação de melhorar a aparência e agradar os outros fosse deixada de lado, buscando assim criar uma personalidade, muita gente teria uma auto-estima melhor. Mas é tolice repetir isso, pois quem precisaria aprender isso está ocupado demais tentando agradar o resto do mundo em vez de si mesmo.

4 comentários:

Hosana Lemos disse...

eu tenho 1,72 e me acho enooorme!
=O
o salto pra mim é um problema, não gosto de usar...
aehruaeirhaur

muito bom o tema, gostei!
xD
bejos

Anderson Kravczyk disse...

Pra mim era justamente ao contrário. Até meus 14 anos eu odiava ser nanico, sempre fui o menorzinho da turma, e todo mundo folgava... shaushaush

Rafael Bianchi disse...

olha ahuuhaeuha eu tenho 1,94 de altura e tenho 15 anos , axo foda pra krl , mas encomoda mto , mas se tu vai analisa bem , tu tem mto mais a ganhar do que perder com isso

http://noiademulher.spaceblog.com.br disse...

Oi, tenho 1,76 e adoro ser alta, a única coisa q me incomoda muito eh não encontrar sapatos do meu tamanho e não poder usar salto alto...