sexta-feira, 30 de julho de 2010

A vida alheia

Metade das coisas que eu digo ou que comento no blog alheio não é pensada, simplesmente vou lá e invento um coisa bonita pra manter o papo ou dar sinal de que passei ali. Aliás, tudo que eu faço é inventar coisas bonitas, mas as pessoas parecem não perceber isso e tem alguns que parecem crer que gastei horas pra escrever uma lorota qualquer que vale n0ta porque dizem "Tá muito bom". Bom, por mais que eu insista, as pessoas não creem que eu simplesmente escrevo a coisa mais óbvia que me veio em mente só pra dizer que fiz, então não digo mais, simplesmente finjo crer. Atualmente eu ando inventando coisas ainda mais bonitas: teorias loucas que parecem ter lógica sobre um assunto qualquer, numa hora qualquer, no meio de uma conversa qualquer que não tem nenhuma relação (direta ao menos) com a teoria que será criada. Antes de expor a coisa mais não pensada e com lógica (eu acho) que eu já disse até hoje, quero destacar que esse primeiro parágrafo serve apenas pra tentar convencer todos de que eu realmente não penso no que digo/escrevo, por isso perdoem se tiver algo besta escrito aqui ou numa futura conversa via MSN (que são onde as maiores teorias não pensadas pela minha pessoa surgem), ficando claro que se eu puxar a conversa pra uma direção oposta não é por ignorar o assunto original, e sim porque meu cérebro não funciona direito. Entendido? Então vamos à teoria criada em cima da palestra que fiz via msn pra alguém quando o assunto era uma 3ª pessoa. (Reparem que saber com e sobre quem era a conversa é irrelevante.)

A vida alheia. Há pessoas que simplesmente adoram falar da vida alheia. Fulano fez aquilo. Beltrano disse tal coisa. Seguindo a 'notícia', virá o comentário. Geralmente algo esnobe e crítico. E se, por um acaso, tu ser sincero e demonstrar que tu não está nem ai pro que está sendo dito... bem, aí tu é o esnobe, que não presta atenção nos outros. Sim, é fato, qualquer ser que goste de falar dos outros, o fará com empolgação que, se for esnobada... dependendo da tua relação com a pessoa, se tu esnoobá-la corre o risco de ser o próximo assunto (não que tu vá ligar pra isso, mas sempre tem uns boca aberta que vão parar pra ouvir e dar crédito). Pior será se, ao ouvir a notícia, contada com toda a empolgação, tu disser: "Eu já sabia". Aí tu é um traidor de marca maior, porque não compartilhou o que tu soube antes de todo mundo. Com sorte, o teu informante perceberá que tu não se interessa por discutir a vida alheia e não te atormentará mais, por um tempo pelo menos, mas com sorte, com muita sorte, porque 'informantes' não costumam ter semancol. Apresentado o 'problema', vamos à teoria.
Pessoas que vivem a observar e avaliar a vida alheia, assim como algumas concentram-se em idolotrar um ser qualquer ao extremo (extremo mesmo, ao ponto de não pensar em mais nada e atormentar todos ao redor com o mesmo assunto), fazem tais coisas pelo simples fato de temerem olhar pra si mesmas e ver o quão insignificantes são, ver como menosprezam e ignoram a si mesmas, ver como tem medo de enxergar seus próprios problemas e defeitos e mudar. A covardia de enxergar a si mesmo faz com que se ocupe apenas em observar, em lugar de agir. Pra tais pessoas, é preferível ver o outro arriscar e errar pra depois criticar e palpitar do que ir lá e por a cara a tapa. Se, por um acaso, se ocupa em fazer algo, discretamente apoiando-se em outro, é por ter como único intuito fazer com que os outros olhem para ela e a admirem e, com sorte, o invejem.
Vamos recapitular: O informante passa o tempo em busca de informações pra distribuir, um jornal ambulante (em palavras mais... diretas: um fofoqueiro passa o tempo atrás de novas fofocas). Se, pra sair da rotina, resolve tomar a frente em algo, é algo grande, no qual havera algum público, por menor que seja, do qual ele possa tirar alguma glória. Mas, fique claro, sempre, SEMPRE, vai ter alguém junto com ele que fará com que o negócio dê certo mesmo, sem esperar glória. Não digo que pessoas em busca de glória são incompetentes, apenas que elas precisam ter certeza que dará certo, precisam de alguém que as deixem seguras, porque se falharem, sabem que serão as informações principais durante um tempo e que, por mais eficientes que sejam, nenhuma informação vai ser tão boa quanto aquela em que estão envolidas.
Certo, acho que isso está confuso, nem eu sei mais o que digo (aliás, quando é que eu sei o que digo?). Resumidamente e sem códigos: fofoqueiras são pessoas inseguras demais em relação a si mesmas, por isso, para elas, é mais fácil observar e analisar os outros. E aí o que se deve dizer a tais pessoas além de "Vá fazer terapia"? Acreditem, caros informantes, a vida é bem mais interessante quando vivida e não observada. Sim, eu imagino que deva ser divertido ridicularizar todo mundo por ai, palpitar e inventar uma ou outra coisinha que podia ter acontecido mas não aconteceu sobre outra pessoa qualquer, mas pense: as (ou algumas) pessoas não são tão tolas, elas não vão realmente se importar contigo se tu, verdadeiramente, não se importa com elas. Ah, sim, tu pode crer que tem muitos amigos (porque, assim como um jornal não se mantêm sem leitor, um informante não mantêm o cargo se não tiver a quem informar), mas ai a hora que tu te ferrar, como já foi dito, em vez de rirem contigo sobre os outros, eles rirão de ti. Pare de se importar com a morte da bezerra, olhe-se no espelho. Se tu sabe que as pessoas não gostam de ti assim e, principalmente, se tu não gosta de ti assim, mude. Pare pra admitir teus defeitos (não os ignore, todos temos) e diminuí-los. Resumidamente, pare de assistir e atue.
E pra ti, que por alguma razão incompreensível, perde tempo te preocupando com o que os outros dizem por ai de ti: tu precisa de tanta terapia quanto os que falam de ti, senão mais. É, provavelmente mais. Tu sabe quem tu é, o que tu faz e porquê faz, ignore as teorias criadas a respeito da tua pessoa. Aliás, não ignore: divirta-se com elas, afinal não há nada mais engraçado do que ver alguém se ocupando em inventar uma história que não receberá créditos e será ignorada, pelo menos por aqueles com cuja opinião tu te importa: os bons amigos, que, se são bons mesmo, não crerão nas lorotas que um qualquer diz. Resumidamente, pra ti, pobre injustiçada e sofrida persanagem de fofocas: tenha bons amigos e que o resto do mundo se exploda.
Só faltou direcionar pra um tipo de pessoa: os ouvidores dos informantes. Se tu só escuta pra não te incomodar ainda mais, como eu, seja feliz. Se tu escuta e te importa com o que dizem: me nego a falar com a tua pessoa.

Não, não imaginei que esse é um texto revoltado, de modo algum, até porque a única coisa que se ocupam em dizer por ai é que eu tenho caso com meus amigos... Pelo que eu escrevi, vocês podem perceber que isso realmente tira o meu sono... Bah, nossa, não prego o olho. (por favor, percebam a ironia)
Mas enfim, falando em falar dos outros, queria agradecer por terem falado em mim. Mais especificamente, queria agradecer à Allyne por se ocupar em fazer um post para a minha pessoa no seu blog. Grazie!

8 comentários:

Allyne Araújo disse...

pra qm nao sabe o q falar vc tem muito a escrever.. beijooooosssss

Lou disse...

:)

Ana Carolina Lima Da Rosa disse...

Acho,que as vezes agente fica tentando achar algo interessante e as vezes acabamos deixando de escrever a procura de coisas interessantes, quando poderia pegar qualquer coisa mais obvia
poderia, escrever algo que é o mais obvio possivel.

Erica Ferro disse...

Cara, tem gente que não tem mais o que fazer além se preocupar com a vida alheia. Aliás, ter o que fazer, todos tem... O problema é querer fazer, né? Enfim, matou a pau, Seerig.
Tem gente que vive de olho na vida alheia por medo de olhar pra própria vida e mudar o rumo dela. Gente pequena e acomodada, vale lembrar.

É isso. Um post muito bom esse de hoje.

=*

Luna Sanchez disse...

Gente intrometida mata a minha paciência, ainda mais do que gente fofoqueira, porque pra mim são coisas diferentes...

O fofoqueiro comenta com os demais algo que viu, escutou ou deduziu, querendo que o assunto se alastre. O intrometido quer vender a sua versão / visão dos fatos para o alvo da sua atenção, como se fosse o dono da verdade, e sente-se protegido pelo manto das "boas intenções".

Eu detesto boas intenções, Ana...acho que é o de pior que pode-se oferecer para alguém.

Mundo complexo, esse...aff!

Beijo, beijo.

ℓυηα

Juliana Mendes disse...

Quem mais nessa vida se preocupa com o que os outros dizem!?
Claro que vc n vai sair na rua de roupa intima pra mostrar que vc n liga pro que os outros pensam...
mas na verdade, ligamos mesmo, e ligamos muito,, e somos completamente dependentes!
=D

Kaio Rafael disse...

Eu discordei em alguns pontos, concordei em outros.

Por exemplo, parece que durante o texto você torna o "atuar" e o "observar" excludentes. Não sei qual foi a intenção (não ficou muito claro), mas para se atuar não é necessário se observar? Quanto ao pensar criticamente, ao se pensar o que aconteceu com um outro, todos fazem. Mesmo que instintivamente, formamos uma opinião sobre o que nos rodeia. Acho que temos que assistir e atuar. Como atuar sem saber o que fazer? E como saber o que fazer sem olhar o mundo e as outras pessoas? É uma questão de postura, creio eu. Talvez não. Teria que pensar melhor, mas tô meio sem tempo.

Não acho que para se atuar não seja necessário se observar.

A teoria em relação ao motivo de as pessoas serem fofoqueiras é boa. Nova pra mim, não havia parado pra pensar nisso ainda. Existem outras que fazem sentido, mas a gente sabe que limitar o mundo a uma só teoria nunca dá certo. Mais provável é que todas elas estejam certas em lugares diferentes ou, até mesmo, iguais.

Seu estilo de escrita é agradável, informativo e irônico. Bastante pessoal. Gosto disso.

Outra coisa com a qual não concordei é em relação ao "perde tempo te preocupando com o que os outros dizem por aí de ti". Não acho que seja perder tempo. Mais uma vez acho que seja uma questão de postura. Por exemplo: Se todo mundo tem uma opinião sobre você que somente seus bons amigos não compartilham, tem alguma coisa errada. O problema não tá sempre nos outros, talvez, às vezes, estejamos mesmo passando uma imagem que não gostaríamos de passar por algum motivo que desconhecemos. Não acho que os outros não sejam importantes. A gente vive com eles, afinal. (Claro que existe a possibilidade de o comentário ser puramente fofoca, sem qualquer embasamento. Mas vale aí também a auto-análise pra se saber diferenciar esses casos. É bom ter uma noção de como se diferenciar aquilo que é imagem criada por sim mesmo e aquilo que foi inventado pra te depreciar. Talvez...)

Gostei do texto. Sério. Pensei em coisas novas e não tenho certeza de absolutamente nada do que eu disse. Ainda assim, dar a cara a tapa é sempre bom, concordo. Prazer, me chamam de Kaio. o/

Vitória Kubitz disse...

Pessoas que tem vidas tão desinteressantes que precisam cuidar da vida dos outros pra se satisfazerem.
Só tenho pena.
Gostei do texto, tuas lógicas podem até ser impensadas, mas são mesmo ótimas, não duvide disso.
O que é lógico pra você, nem sempre é lógico para os outros.
:*