quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Sobre a inutilidade e periculosidade de guarda-chuvas e semelhantes

Quando Caxias do Sul se encontra em situações como a atual (chuva, pausa, chuva, pausa, chuva...), sou forçada a explicar a todo momento a razão de não estar com um guarda-chuva, sombrinha ou qualquer coisa derivada em mãos, além de justificar o meu esforço para me manter longe de quem use tais coisas. Provavelmente esse texto não fará sentido pra ti, que está muito bem instalado numa região em que só chove uma vez a cada, sei lá, um século (?), mas ainda assim peço que leia, 2012 está aí, nunca se sabe o que se pode acontecer, e, afinal, sempre aparece um turista maníaco por guarda-chuvas, então não quero me sentir culpada por não te previnir do perigo de tal acessório, especialmente nas mãos de alguma senhora de mil anos, meio cega, que usará uma sombrinha de dois mil anos (ela gosta de antiguidades) para se proteger do sol, acertando qualquer pobre alma que se aproxime. Pois vamos aos meus argumentos, que calarão os descrentes da minha teoria:


Sobre a inutilidade: A base da teoria

*Pare um momento e pense. Tu abres o guarda-chuva e encara a chuva. A chuva tem uma direção, ela não cai retinha, certo? Então. A menos que teu guarda-chuva seja um superelemento tecnológico que faz com que seja criada uma barreira invisível em torno de TODO o teu corpo, tu te molhará. Parece familiar? Cabeça sequinha, calças encharcadas, tênis ou seja lá o que tu estejas usando e meias transportando água e mais água? Esse é meu primeiro ponto. E lembre que se for uma tempestade ou algo do tipo, é BEM pior, correndo o risco de NEM a tua cabeça sair seca, apesar de tu insistir no guarda-chuva...

*Certo, tu chegou aonde pretendia. Fecha o guarda-chuva. E agora? Simples! Tu fica carregando ele encharcado pelos corredores, traçando uma trilha de água (que será bem útil caso tu te percas e, claro, nenhum cachorro morto de sede tenha lambido) e, dependendo da delicadeza com que tu o carrega, respingando em qualquer pessoa que passe pelas proximidades da tua gentil pessoa. Ah, mas tu é uma pessoa esperta! Não passa por isso. Tu comprou aquela sombrinha cheia das capas (capa dentro de capa detro de capa, no meio delas, a sombrinha), tu chegas no lugar, a fecha e coloca dentro das capinhas! Ponto contra um: a sombrinha fica seca porque tu, pessoa jeitosa, fizeste a água toda ser transfirida para a tua pessoa. Ponto contra dois: a sombrinha só entrava perfeitamente nas capinhas dentro da loja (sim, tu não te deixas enganar, praticou o tira-coloca de capinhas da sombrinha), quando estava SECA, úmida o esquema parece não funcionar tão bem...

*Tempestade. Esqueça a chuvinha de molhar bobo. Vento. É, não precisa ser uma tempestade, apenas uma ventaniazinha. Boa sorte se estiver indo contra o vento. Das duas opções uma: ou tu vai colocar o guarda-chuva na tua frente, encarando de frente a ventania, ou tu vai ser ainda mais esperto e vai colocar o guarda-chuva apoiadão no ombro. A menos pior ainda é a opção um, porque a dois... O problema? Nada não, só que ele vai sair voando, virar do avesso e fazer tu correr atrás dele como um idiota. Sorte tua se ele não matar ninguém, o que me lembra do outro ponto que me faz ser contra essas coisas que as pessoas usam com falsa ilusão...


Sobre a periculosidade: Onde fica subentendida a importância da teoria

*Volte ao item anterior. Eu não ia começar com esse papo de perigo mortal, mas já que estamos no tema... O teu fantástico e super-protetor guarda-chuva saiu a vagar pelos ares, com a tua pessoa correndo desesperadamente atrás. Há duas possibilidades:

- Vôo raso, com o qual ele irá parar no meio da rua, fazendo com que: a) tu te atires no meio do trânsito idiotamente, te fazendo ser vítima (aliás, tu é a menor vítima de toda a história, sr. confiante em guarda-chuva) de um atropelamento que, na melhor das hipóteses, fará tua família, até teus tatatataravós, serem xingados de diferentes maneiras pelo dono do carro em cuja frente tu te atirou, ou, na pior da hipóteses, te fará descobrir o que acontece após a morte (vendo assim não parece tão ruim, não é? Viu, não sou tão má assim, coloco até a pior das hipóteses de maneira agradável...). Mas ainda temos a opção b): dependendo da força do vento, o guarda-chuva homicida se atirará em alguém em quem tu certamente não gostaria de bater ou, como eu disse, dependendo da força do vento e da vítima, causar o óbito. Vejamos as possibilides: se a vítima for uma velhinha, tu provavelmente será pego com o guarda-chuva na mão (ufa! Tu finalmente conseguiu agarrá-lo!) e uma pobre senhora caída no chão, vítima do teu guarda-chuva e da própria sombrinha. É uma cena que pode ter muitos desfechos, deixarei a encargo da tua imaginação, mas lembre que pode sempre terminar PIOR do que o final feliz que tu imaginará de primeira. Ou a vítima pode ser um cara enorme, que provavelmente nem sentirá o guarda-chuva, mas ele não gostará de te ver feliz ao agarrar o guarda-chuva que cruzou o seu caminho. Pra ti não ser vítima da vítima do TEU guarda-chuva homicida, sugiro que corra.

- Vôo alto, que levará teu amado guarda-chuva para uma altura além do teu alcance, como uma árvore (da qual cairá, mais cedo ou mais tarde, e acertará alguém inocente), ou passará por cima de alguma cerca, acertando sabe-se lá quem do outro lado (lembre de que pode ser QUALQUER vítima, tais como as do item anterior). Espero que teu amor pelo acessório que te protege tão eficientemente da chuva não seja maior que o teu cérebro, não espere pelo desenrolar da situação, te some, a vítima sempre pode ser o cara grandão ou te tornar um assassino de pessoas frágeis, além do mais, tu já tá encharcado mesmo depois dessa correria, por que razão tu ainda precisa do guarda-chuva?

*Mas não sejamos drásticos demais, não é mesmo? Sem tragédias. Tu és uma criatura esperta, usa o guarda-chuva contra o vento, se for o necessário. É, tu és realmente esperta. Anda sabiamente no centro com teu estimado acessório de proteção da chuva. Tu é alta? MUITO CUIDADO! E dessa vez falo por conhecimento de causa. Há muitos seres por ai que não fazem noção de que segurar um furador-de-olho magnífico. Ou cortador-de-pescoço. (Tudo depende das alturas das pessoas envolvidas...) Redobre o cuidado nas aglomerações, onde cada um vai pra um lado, em uma velocidade própria, te fazendo testar teus reflexos pra evitar guarda-chuvas e sombrinhas que atacam de diferentes formas e direções, e tentar sair inteiro dali. Tu é baixa? CUIDADO COMO QUE VEM DE CIMA! Algum ser alto e desastrado pode enroscar o teu cabelo no próprio guarda-chuva, te fazendo ficar careca antes que tu consiga fazê-lo parar e largar teu cabelo. Ah, teu cabelo tem milímetros de extensão? Ah, tranquilo. Apenas fique longe de cotovelos e de alguém que esteja tentando abrir um guarda-chuva emperrado na tua direção. E tamanho pode não ser documento, mas é importante numa discussão, por exemplo (pensamento otimista).


Sobre as preocupações que podem ser evitadas com o não uso de tal arma travestida de acessório: Apenas um resumo da teoria, onde são apenas relacionados os problemas que guarda-chuva e derivados podem trazer

*Fugir de alguém que: tenha se ofendido por tu tê-lo molhado na luta com teu "acessório", tenha tido seu carro danificado porque tu te atirou nele tentando agarrar o teu amado "acessório", não tenha gostado de ter sido acertado, ter seu olho furado ou seu pescoço arranhado pelo já citado "acessório" que tu tens orgulho de dizer que é tua propriedade, ou que tenha sido vítima de alguma forma do teu amor por guarda-chuvas e sombrinhas.

*Ter que secar todo o trajeto de gotas d'água que descobrirão ter sido criado por ti porque, essa é fácil, seguiram o caminho de gotas que levou até, adivinha, onde tu largou cuidadosamente teu estimado protetor de chuva.

*Ter que secar estofado do carro, os livros de outrém ou qualquer outro lugar em que tu, gênio da distração, largou teu encharcado guarda-chuva.

*Correr atrás de um guarda-chuva voador, cujas possíveis consequências tu já conheces.

*Voltar à uma loja para buscar o dito no porta-guarda-chuvas depois de andar quadras e quadras sob o sol que recém apareceu e, com um pouco de azar, descobrir que caminhou à toa porque alguém o "adotou". Mas não reclame, pode recomeçar a chover.


Observação: Não foram expostas todas as possibilidades pela simples razão de tudo ser resultado do teu modo de agir quando tem em mãos tal arma, digo, objeto, sendo impossível saber qual é o limite da tua estupidez, digo, distração e indelicadeza. Independente de qual situação o tenha feito pensar, é bom lembrar que SEMPRE pode ser PIOR. Então pense positivo. Ah, sim, também não foi relatado a grave consequência social do uso de tal objeto: ele pode impedir tua comunicação com alguém com quem tu tenhas uma diferença considerável de altura, tornando os dois irritáveis diante do insistente pedido do mais alto: "Ergue esse guarda-chuva, eu não consigo ver a tua cara". Isso sem falar que algum dos acidentes expostos ou não nessa teoria possam acontecer entre amigos, o que pode resultar em fim de amizade. Não esqueça: é apenas uma TEORIA, cabe à tua pessoa testá-la e aprová-la ou não. E boa sorte em dias de chuva.

12 comentários:

Erica disse...

HAHAHAHAHA!

Adoro tuas crônicas, sério mesmo. São bem divertidas. E essa teoria é verdadeira, pois eu já pude testar quanto um guarda-chuva pode ser um instrumento altamente perigoso, quase mortífero.

[http://ericaferro.blogspot.com/]

GrazieWecker disse...

:/ é, eu uso guarda-chuvas. porque odeio molhar meu cabelo; sim realmente, é só ele que fica protegido, quando o vento permite o uso de guarda-chuvas...
mas eu acho que o pior do guarda-chuva nem é isso que tá aí no blog, é o guarda-chuva em si. é aquele negócio ocupando tuas mãos. se tu pega aqueles dosbráveis que cabe na mochila, dá um temporal e eles se destroem. se tu pega um grandão, resistente, abre o sol e daí tá tu caminhando com aquela bengala...

enfim, lendo teu post, lembrei de uma cena. nunca consegui contá-la pessoalmente a ninguém porque sempre tenho um ataque de risos quando lembro. era um dia bem, bem chuvoso. meu pai foi buscar eu e meu irmão (tres anos mais novo) em algum lugar. eu entrei no carro, e depois ele, ocupando o banco do caroneiro. quando ele entrou, ainda estava com o gaurda-chuva aberto. e o próximo passo seria rapidamente fechá-lo, colocá-lo para dentro do carro e então fechar a porta. mas ele preferiu fechar a porta primeiro... hahahaha por muita sorte ele pode continuar usando aquele guarda-chuva hahahah

Luna Sanchez disse...

Ui, ui, ui...que bom que não uso sombrinhas! \o/

Quando era criança tinha uma com aquela capinha plástica que parece um conjunto de copinhos empilhados. Coisa ruim é cheiro de sombrinha, né, Ana?

Beijos.

ℓυηα

VaneZa disse...

Criatura de Deus... que os pobres dos guarda-chuvas não leiam isso. Fiquei em pânico... apesar de na minha cidade não chover, mas o sol de 40° tem feitos pessoas usarem o famigerado guarda-chuva (ou seria guarda-sol), e não são só idosos... pessoas jovens também... e balzaquianas como eu rs. Mas eu ainda não matei ninguém... e nem cometi suicídio... mas é bem provável que eu tenha causado muitos transtornos a outros... afinal do jeito que eu sou desastrada. Aff... vou reduzir o consumo ops o uso de guarda-chuvas.

AbraçoZzz guria.

MAILSON FURTADO disse...

Bela postagem!!!

Muito bom,parabéns!!!

Acesse:
http://mailsonfurtado.blogspot.com

Anna Beatriz disse...

hsuahsuahsuahsuahs adoro seus posts (:
beijos

Jota disse...

Jesus!

E não é que você tem razão Ana? aushuahshasha
Mas mesmo assim, aqui é inevitável não usar, mas vou tomar mais cuidado depois dessa.

Beeijos :D

Natália disse...

Tenho pavor de guarda-chuvas, sombrinhas e principalmente de chuva. Beijo

Paulinha Portes disse...

ótima crônica!!!
Eu não suporto guarda-chuvas... tenho um por livre e espontânea pressão que ganhei de presente. Qdo chove, prefiro me molhar por completa do que ter de carregar um estorvo nas mãos... rs

Allyne Araújo disse...

kkkkkkkkkkkkkk.... aqui é um daqueles lugares em q chove só alguns meses do ano,mas isso vem mudando, veja só! em pleno julho e agosto, tudo aqui em alta estação, tem dias q cai aquele famoso toró!! e por conta do sol, é inevitável não ver o povo aqui usando guarda-sol, sombrinha e derivados direto... a verdade é q eu adoro chuva, o acessório nem tanto porque banho de chuva pra mim é um do melhores, e cá entre nós, odeio ter q limpar a casa depois.. bjooooo

Tita disse...

Amei! Mas como já te disse, acho q o maior risco é uma "querida" de TPM querer te atacar com o guarda-chuva!
Não tenho como fugir e, na verdade, amo guarda-chuvas! Vá entender, lembranças de infância em q eu adorava passear pisando nas poças d'água nas ruas vazias pq as Anas fugiam da chuva rsrsrs Parecia q o mundo era todo meu. Megalomaníaca desde criança :|
Onde moro chove muuuuuuuuuito, digo q aki a gente vira sapo logo. E como faz frio não tem como ficar de roupa molhada e gelada senão já era! Mas eu tenho meus artifícios. Para não molhar as calças, eu NÃO USO CALÇAS! Ops, peraí... kkkk eu uso saias com meia calça de lã e botas de borracha. Daí se molha a meia sempre tenho outras de reserva na bolsa (fácil de levar). E com a bota eu não molho os pés. Guarda-chuvas gigante, uma capa para proteger a roupa e... voilà, uma mulher impecável!!! rsrsrs
E nunca furei o olho de nenhum turista... e olha q já atravessei a cidade cheinha em tempos de Festival de Cinema, Natal Luz...

Pandora disse...

Não resisti e voltei pra ler... kkkkkkk Só faltou meu comentário! #Fato

Ana do céu, a questão é que no anime, arre eu odeio deixar suspense no ar, uma das personagens rola escadaria abaixo com um guarda chuva e o danado entra na garganta dela!!! Agora imagine, eu moro em uma escadaria monstro, sou um desastre em pessoa, já pensou nas consequencias???? shuash

Vc devia ter incluído que se caso você morar em uma escadaria vc ainda corre o risco de cair por cima do mostro e morre com ele enfiado em você!!!

E por fim, eu morri de ri com seu texto!!!