terça-feira, 5 de outubro de 2010

360°: uma volta completa e ilógica

Graforréia Xilarmônica, sem dúvida uma das minhas bandas favoritas. Já falei dela aqui. Me surpreendo toda vez que paro pra ouvir as músicas. Depois de um certo tempo, tu acaba por nem reparar nas letras das músicas em geral, tu as canta automaticamente, sem parar pra ouvir o que diz. Geralmente, ao contrário de um ser normal que repara na letra na primeira vez que escuta, eu só começo a identificar uma coisa e outra na milionésima vez. Em português. Em inglês eu... Bem, eu não me esforço muito, pra não dizer nada, porque tenho uma séria implicância com o inglês. Mas voltando ao Graforréia, na milionésima vez que ouvi a música "40 anos", identifique o nome Isaac Asimov. Voltando um pouco mais na letra, é dita a seguinte frase: "...E reconheço os fundamentos da robótica, conforme Isaac Asimov já dizia". Isaac Asimov já remete ao livro "Eu, robô", o que antecede o nome apenas estende minha lembrança às três leis da robótica.
Robôs, Asimov deu lógica a eles. Previu os anos 90 cheio deles. Os 2000 nem se fala. Um dos melhores livros que já li. Cada história torna as leis mais complexas e exatas conforme a robótica evolui, coroado com um robô humano (ou humano robô? ou é mesmo um simples humano?). Lembrei mais uma vez desse livro ao ver o filme "Substitutos", com o Bruce Willis (cujos filmes nunca dispenso), por mostrar os robôs usados e controlados de uma maneira diferente da imaginada por Asimov, talvez até mais evoluída, em certo sentido: controlar tua vida deitado enquanto um robô, comandado mentalmente, a vive por ti. Meio surreal, mas é interessante. Óbvio, há pessoas que não concordam com isso, vivem em seus próprios territórios, onde é proibida a entrada de 'substitutos'. Esse isolamento de alguns da 'evolução' me lembrou, imediatamente, de "Admirável mundo novo", de Aldous Huxley. Mas o que realmente me marcou foi o líder antisubstitutos: um cara metido a profeta, guru, ou algo do gênero, a quem todos obedecem cegamente, mas em quem tu, que tá assistindo, sabe que provavelmente é um pilantra... E guru pilantra lembra quem? Quem? QUEM?
TIM MAIA! Tim Maia e sua fé Racional. Fé que resultou em: "Tim Maia Racional - Volume 1" e "Tim Maia Racional - Volume 2", em meados dos anos 70. Nunca a Cultura Racional teve um fiel tão fervoroso, chegando até a ser insuportável. Tudo chegou ao fim quando Tim descobriu que seu tão estimado guru usava seu dinheiro, tão humildemente doado, pra fazer farra. Ou seja: pilantra. Depois de irritar todos ao seu redor pregando a Cultura Racional, Tim irritou-se consigo e com os volumes do disco Racional que estavam acumulados pelos cantos, acabando por dar fim a todos os que via pela frente, o que torna tais discos artigos de colecionador. A Cultura Racional é apenas uma das muitas maluquices do "síndico do Brasil", como Jorge Ben o apelidou em "W Brasil", todas narradas no livro (sim, meu raciocínio sempre acaba em livro) "Vale tudo: o Som e a Fúria de Tim Maia", de Nelson Motta, desde piá. E quem tá perdido na infância do Tim? Quem? Quem?
Ora, Erasmo Carlos! Sim, antes de se tornar o Tremendão da Jovem Guarda, ele vivia entre tapas e beijos com o Tim na Tijuca. Todas as bagunças, ou muitas delas, estão narradas em primeira pessoa onde? Num livro! "Minha fama de mau" é, segundo Erasmo, um livro de memórias e não uma autobiografia. Independente de como ele o classifica, vale ser lido. Agora vem a mais óbvia: Erasmo lembra...?
Sim, sim, óbvio, Roberto Carlos. Erasmo e Roberto. Roberto e Erasmo. Há uma parte do livro de Erasmo totalmente dedicada à amizade dos dois. Roberto Carlos Braga, o líder maior da Jovem Guarda, que enlouqueceu garotas, consequistou San Remo, tornou o TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo conhecido e que todo fim de ano volta à tela da Globo para um, cada vez mais decadente, especial de fim de ano. Especiais de fim de ano à parte, Roberto é o grande símbolo da Jovem Guarda, junto com o Tremendão e a Ternurinha (Wanderléa), dando os primeiros passos do rock no Brasil, o que é esquecido diante de suas, dispensáveis, penso eu, canções novas. O que me lembra...
"Soa uma canção triste do Roberto...", verso da música "Segundo fim", do Julio Reny, músico que eu ainda estou descobrindo, depois de muitas e muitas vezes ouvir o Wander Wildner cantar: "Julio Reny continua pelas ruas da cidade e tem um violão modelo Elvis Presley", em "O reverendo Rock Gaúcho", uma baita música dele. Tudo bem, nada do que eu fale sobre Wander pode levar muito crédito, levando em conta que é um dos músicos que mais admiro, pra não dizer mais e parecer uma pessoa completamente louca, o que, aliás, eu sou. Das músicas mais lentas e românticas até as mais sem sentido, eu adoro Wander Wildner. De "O reverendo Rock Gaúcho" a "Quase um alcoólatra".
Ei, peraí. Veja o clipe de "Quase um alcoólatra". Veja! Viu? Quem é o garçom? Aos onze segundos, quem é o garçom? Quem? Quem? O Frank Jorge! E essa rápida participação dele como garçom encerra essa volta de 360° completamente completa e ilógica, com livros, músicos, músicas e filmes, ou melhor, filme, no singular. Ah, aos que não viram a ligação do início, Graforréia Xilarmônica, com o fim, Frank Jorge, explico: Frank Jorge é um dos fundadores do Graforréia, tendo participado também d'Os Cascavelletes e do TeNenTe Cascavel, que segue carreira solo e se mete a escritor por vezes.
Viu só, tudo se encaixa. De que outra forma seria possivel relacionar Tim Maia, Bruce Willis e Isaac Asimov? Ou gurus pilantras e Erasmo Carlos? Ou robôs e a Cultura Racional?

Tá, tudo bem, eu sei que não faz sentido, mas deixemos assim mesmo...

6 comentários:

Erica Ferro disse...

Genial esse teu post, Seerig. Sem exageros.
Começou sem pretensão e o fim se encaixou perfeitamente com o começo.

E é aquele negócio: uma coisa puxa a outra. Uma música lembra algo. Um filme lembra uma música. E tudo pode, magicamente, se interligar de um modo despretensioso e genial, como é o exemplo do teu post.

Outra coisa, o que me chamou a atenção no teu blog é justamente esse lado cultural. A gente sempre aprende algo por aqui. É com grande alegria que eu posso afirmar que continuo tendo o mesmo encanto e satisfação ao ler os posts do "Alguma coisa a mais pra ti ler...".

Beijo, grande Seerig!

Jota disse...

Sinceramente, eu fiquei perdido ao ler. Sabe cego no meio do tiroteio? Era eu lendo seu texto.

É só contradição: um "amante" da indústria cultural como eu sou conhecer somente 5% do que vc citou. E concordo com a Érica: cultura, a gente por aqui!

Luna Sanchez disse...

Ana girando no seu próprio eixo...rs Muito bom, achei ótima a forma como costurou as informações, gostei dos paralelos.

Desde que eu fiz aquele post do boteco com o Tim e me falaram sobre o livro nos comentários estou ansiosa para lê-lo. Quem sabe no feriado, quem sabe...

Beijo, beijo.

ℓυηα


* Estive aqui ontem mas o Blogger não me deixou comentar, dizia "serviço indisponível". =\

VaneZa disse...

Ufa! Parece até eu pensando. Mas claaaro que não sou tão culta como você minha cara amiga. Mas eu penso assim... em 360°. Tudo sempre volta pro começo.

Agora... babado essa do guru do Tim... num sabia disso não... o cara era pilantra mesmo, né? Filho da p.

BeijoZzz

Lou disse...

hahaha, muito legal! :)

kaio rafael disse...

eu estou com uma profunda inveja de você.

como você pode saber disso tudo?!
caralho, é muita coisa!