sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Live and let die ♫

Já parou para pensar que estamos correndo em direção a morte? Já parou para pensar que cada segundo que se passa é menos um segundo de vida? Isso é tão louco! Tão absurdo, mas ao mesmo tempo é natural, é normal. Nascemos, crescemos, reproduzimos, envelhecemos e morremos. Um ciclo. A vida. Quanto mais penso que a vida é algo tão frágil e fugaz, me deprimo e penso que não há razão para lutar por tantas coisas, vencer tantos obstáculos, se tudo acabará algum dia, desavisadamente, quando menos se espera, antes que tudo se concretize, antes que eu realize o que eu pretendo realizar. Ora, penso que esses meus devaneios, esses meus temores sejam perdoáveis, posto que são sinceros e provavelmente devem se passar pelas mentes de quem interroga a vida, de quem critica a existência. Eu sei, eu sei, eu sou um homem amargurado, com medo do que está por vir. Eu sei, eu sei, eu estou perdendo vários segundos em lamuriações e em loucos pensamentos, tentando solucionar o insolucionável, tentando parar o que não pode ser parado. O curso da vida é esse: é ininterrupto. Eu nada posso fazer além de me consternar, de chorar meu tempo perdido em alucinações vãs. Eu sou um pobre homem, com sua garrafa de vinho, seu cigarro e sua solidão. Não, por favor, não me critique e muito menos tenha pena de mim. É a vida, amigo, a vida que me enlouquece e me deprime. Que ironia! Porque dizem que a vida "é bonita, é bonita e é bonita".
Bonito. O que é bonito? Namoro, praia, sol, sucesso? Acaba. Tudo acaba. Hoje você não é ninguém, amanhã é a manchete, positiva ou não, dos noticiários. E daí? Dois dias depois está morto. De que vale se sua infância foi boa ou terrível, se alcançou o sucesso com trabalho árduo ou sorte, se continua na monotonia dos últimos vinte anos ou na melhor fase de sua vida? Você vai morrer, mais cedo ou mais tarde. Qual é a vantagem de dizer “eu aprendi” se você sempre tem algo mais a aprender, se nunca saberá tudo e, se souber, bem, sua sabedoria acabará por ser apenas mais uma informação no seu epitáfio, ou não. Se eu morrer amanhã, quem se importará? Minha família, amigos? Podem lamentar, mas continuarão suas vidas que acabarão algum dia, o mundo não vai parar porque eu morri. Nem quando você morrer. Tudo que foi feito em uma vida inteira de esforços será apagado de uma hora pra outra, rapidamente esquecido, como um papel cheio de palavras jogado ao fogo.
Morrer agora, amanhã ou mês que vem, que diferença faz? Talvez seja melhor parar de enrolação, interromper essa pequena tragicomédia que chamamos de vida, e morrer. Agora. Ah, seria tão bom deitar e não levantar mais, não ter problemas, não ter saudades de momentos e pessoas que me fizeram felizes num passado distante, simplesmente esvaziar a cabeça, dormir e não acordar mais. Nos filmes parece tudo tão fácil... Gás do fogão, pular de prédio, cianureto? Demorado e complicado. Overdose. Remédios são drogas, calmantes são remédios... Ah, o que afinal estou fazendo? Talvez eu seja mesmo louco... Ah, mas agora está feito. Sem arrependimentos. De nada vale me arrepender, o intuito é justamente acabar de vez com o que chamam de consciência e coração. Ah, me sinto leve. Melhor deitar e sonhar meu sonho vazio, relaxar e esperar não acordar... E você, caro amigo, que lê as palavras loucas e, apenas aparentemente, sem sentido de um suicida, acredite, está é a coisa mais divertida que já fiz e, tudo que tenho pra lhe dizer é: Live and let die.
(Ana Seerig e Erica Ferro)
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Desafio: escrever um post conjunto ali, naquele instante, sem dar pra trás. Desafio aceito. Uma hora depois de uma ter iniciado, a outra terminou. Loucura, ilógica, diversão. Resultou nisso. Dedicado aos poucos loucos leitores que disseram que minha parceria com a Ferro era boa e incentivaram novos posts conjuntos após aquele belo falso poema que fizemos. Creio que esse ficou até mais interessante que o poema, mas isso é vocês quem dizem, afinal são vocês que, por alguma razão, nos leem. Mais textos conjuntos? Tudo depende da vontade dessas duas criaturas sem sentido e dos comentários recebidos. Vejamos no que vai dar.

10 comentários:

Erica Ferro disse...

Nossa união literária "é legen... WAIT FOR IT... DARY!" [quem vê How I Met Your Mother, reconhecerá RAPIDAMENTE a frase do Barney, o cafageste mais querido que eu conheço HUAHUAHUA].

É, Seerig, esse conto [?] ficou MUITO mais "legível" do que o poema. O poema ficou muito... muito... DOIDO.

Beijo.

Felipe disse...

FICOU FODA. Meus parabéns, fazer uma cabeça só se entender consigo já é difícil, duas então é de se louvar.
Eu tenho pensado que nem esse cara às vezes, exceto a parte do suicídio. Acho é que a gente vive porque é teimoso demais pra morrer.

abraços!

Luna Sanchez disse...

"Replicando" aqui o comentário que acabei de deixar lá no blog da Erica, Ana :

Daí a gente corre e se rasga toda para alcançar o que deseja, para ter o que quer. Quando tudo corre bem, quando a coisa flui, não pensamos na morte, na finitude, apenas seguimos em frente, serelepes e pimponas! Só quando algo sai do controle é que essa ideia vem como um balde de água fria, né?

=\

Não acho que exista alguém que, tendo um pingo de consciência, nunca tenha se questionado quanto a isso, francamente.

Bela parceria, gurias, vocês são mesmo fodásticas! Ehehehehe

Beijo, ótimo fds!

ℓυηα

Mr. Blue disse...

É como já dizia o Grande Vinicius de Moraes: "A vida é a espera da morte. Faça da vida um bom passaporte."

Ou o mesmo Vinicius quando também disse: "trizteza não tem fim, felicidade sim."

A vida é isso. Já parei para refletir também, para pensar nessas questões q vcs expuseram com maestria no texto. Já ficou óbvio pra mim, do alto de meus 19 anos, que a vida é feita de momentos e apenas isso. Você acaba se arrependendo do que não fez, do que você fez, mas fez errado, mas nada importa, a vida é aquele momento feliz ali e pronto, depois vc deita a cabeça no travesseiro, dorme, acorda no outro dia, volta pra mediocridade cotidiana que a sociedade capitalista contemporânea lhe impõe, e só lembra, pensa naquele momento feliz, isso te faz esboçar um discreto sorriso talvez. Mas a constante, o grande pano de fundo que corre por toda a vida é a tristeza, a dificuldade, os problemas, os momentos felizes e que te ajudam a aguentar tudo isso ou ao menos amenizam essa situação são só buracos nesse pano de fundo.

E meu Deus, ficou bom demais, Ana!!! Publiquem um livro juntas. Talento a ser explorado aí hein... xD Parabéns pelo belo texto.

Dayane Pereira disse...

Achei muito coerente, parece que foi uma pessoa só que pensou e colocou no pale, incrivel uma entender e levar adiante a maluquice da outra, mas ficou ótimo!

GrazieWecker disse...

certamente, como todos esses que comentaram, já fiz esses questionamentos..

mas isso foi num passado muito distante, quando eu ainda me prestava pra filosofia hahahahaha
e quando cheguei num auge de depressão eu concluí que a vida era divertida demais... efêmera talvez, mas divertida.
então eu fico com a frase de alguém que no momento não lembro quem é: "nunca deixo de ter em mente que o simplesmente fato de existir já é divertido"


em tempo: muito bom o conto. Podem tentar a parceria com mais frequência...

Anderson Kravczyk disse...

Pois então, oras pois, veja bem

Vim ler esse texto emocionado achando q era realmente suícida. e não tem nada de suícida aí

É só uma análise da bestialidade da condição da vida humana.

No momento em q nascemos, estamos fadado a morte a qualquer instante.

O importante é aproveitar esse meio tempo com muita sacanagem *-* (6)

Bittencourt disse...

Legendary indeed!

Muito bacana mesmo, é um questionamento SÉRIO que as pessoas deviam se fazer de vez em quando. Por que o ser humano é um animalzinho chato pra cacete que acredita que é o supra-sumo do planeta, que sua construção é extremamente impressionante e que não há quase nada no universo melhor que ele. Eu diria que o ser humano é o playboy porradeiro da biologia. Acho que as pessoas deviam parar e tomar consciência de que ao mesmo tempo em que são indivíduos únicos, são também apenas um mamífero bípede e termina AÍ. Não é difícil tirar a vida de um ser humano, por mais que seu legado sobreviva. Percebe-se que eu não concordo com tudo o que foi dito no texto, evidentemente. Mas foi como eu vi um sábio dizendo uma vez... "Não é o suficiente sobreviver. O indivíduo deve MERECER viver".

cecilia disse...

Ficou muito bacana a parceria de vcs nesse texto.Bem,lógico e divertido.Amei ler!
Beijo,boa semana

Natália disse...

Desde o nosso primeiro minuto de vida estamos correndo em direção a morte. beijo