quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Festivais de Música Popular Brasileira

Nos últimos dias me veio a vontade de ouvir uma velha fita cassete que meu tio me deu na minha época de fanatismo por Roberto Carlos, lá pelos meus dez anos (sim, provavelmente sou o único ser do universo que idolatrava Roberto Carlos com essa idade, pelo menos nos anos noventa/dois mil - posso dizer que sofria bullyng na época em que ele era apenas "gozação"?), mais especificamente "San Remo - 1968", registro da primeira vez que um estrangeiro ganhou o festival. Pra minha tristeza, percebi que não há toca-fitas no meu rádio (como demorei tanto pra reparar?). Tempos depois, retomei a vontade ao lembrar repentinamente da música "Maria, carnaval e cinzas", busquei a fita e recorri ao rádio da sala. Lamentável, minha fita está terrível, triste admitir. Acabei resgatando minha pequena coleção de CDs do RC e há mais de semana que eles não saem de perto do meu rádio, escapando da prateleira em que estavam enterrados.
Ouvindo de novo-outra vez-novamente RC, resolvi ir à cata no YouTube e, quem sabe, fazer um post sobre a Jovem Guarda. Mas fui direto pra "Maria, carnaval e cinzas", encontrei o vídeo e muitas relações à outras belas canções apresentadas nos Festivais. Lembrei então que, pouco antes da minha nostalgia ser guiada por Roberto Carlos, ela era guiada pela coletânea de CDs com músicas dos Festivais da Música Popular Brasileira, parte da coleção paterna, que redescobri esses dias. Então, um post que ia ser para a Jovem Guarda foi para o pessoal da MPB, para muitos, rivais.

Os Festivais da Música Popular Brasileira começaram em 1965, pouco depois do início da Ditadura Militar, e suas duas edições iniciais foram transmitidos pela TV Excelsior. Uma explicação simples seria dizer que era um programa em que se apresentavam diferentes artistas e composições, sendo premiados os melhores. Mas logo depois da segunda edição da Excelsior, ocorrida em junho de 1966, a então poderosa TV Record, dona do programa de maior sucesso da época "Jovem Guarda", fez em setembro e outubro também um Festival, tomando a partir daí as rédeas de um dos mais importantes eventos musicais do Brasil. Concomitante ao que ficou coonhecido simplesmente como "Festival da Record", começou o Festival Internacional da Canção (FIC), transmitido pela TV Rio/Rede Globo. Detalhes de outros festivais importantes e de quem os venceu encontram-se aqui, sugiro que dê uma olhada lá e busque quantas fontes quiser, o intuito desse post é apenas falar de cinco apresentadas nos Festivais da Record. Acidentalmente (ou não), quatro delas são do mesmo ano. Claro, poderia ter escolhido uma de cada ano ou algo do gênero, mas as escolhi por mera simpatia por elas, no meio de tantas outras belas músicas, além, é claro, por possuirem vídeos das apresentações originais. Pois bem, vamos à elas:

Disparada - Jair Rodrigues/Trio Maraiá/Trio Novo (1° lugar do II Festival da MPB -1966- juntamente com "A banda" de Chico Buarque)


Ponteio - Edu Lobo/Marília Medalha/Momento Quatro (1° lugar no III Festival da MPB - 1967)



Domingo no parque - Gilberto Gil/Os Mutantes (2° lugar no III Festival da MPB - 1967 - Não sou fã número 1 dele, mas aprendi a gostar dessa, bela letra)



Roda viva - Chico Buarque/MPB-4 (3° lugar no III Festival da MPB - 1967)



E pra terminar nada melhor do que colocar o fato comentado na época: o maior líder da, como disse antes, para muitos rival da MPB, Jovem Guarda se apresentando no Festival da Record. Se for analisar bem, nem deveria ser um fato surpreendente, afinal ele comandava o sucesso da emissora junto com Erasmo e Wanderléa, ou Tremendão e Ternurinha. Roberto Carlos, que meses depois representaria o Brasil no Festival de San Remo, um dos mais importantes do mundo na época, senão o maior, apresenta-se no III Festival da Música Popular Brasileira com um samba, mostrando que os garotos da Jovem Guarda não pensavam apenas em rock e suas loucuras, no caso específico dele, grande fã de João Gilberto, muito pelo contrário.

Maria, carnaval e cinzas - Roberto Carlos/O Grupo (5° lugar do III Festival da MPB -1967)


2 comentários:

Luna Sanchez disse...

Ana,

Eu aprendi a gostar da Jovem Guarda e me arrisco a cantar alguma coisa no Karaokê (rs), mas do Roberto mesmo não consigo gostar...ele me dá uma coceira que não se explica.

Um beijo.

ℓυηα

Hosana Lemos disse...

caramba, legal!!
muita coisa que eu não sabia.


bjos