domingo, 19 de dezembro de 2010

Quando as palavras são dispensáveis...

Estavam as três ali. Sabiam que tinham muito o quê falar, mas as palavras não surgiam. Sorriam umas pras outras, brincavam, riam, mas o que diziam tinha valor momentâneo, coisa de segundos. E tudo o que queriam dizer? E tudo que pensavam? Olhavam-se e sabiam o que dizer, mas não se compreendiam ao transformar pensamentos em palavras. Independente de tudo, era divertido estar ali, as três procurando palavras sem sucesso, iguais no fracasso da missão, diferentes no modo de tentar não fracassar. Ah, quem as visse devia achar graça. Eu achava, você acharia. Não falavam nada, mas dali sairiam como se dissessem tudo.
Talvez, as poucas palavras que passavam por suas mentes pudessem causar vergonha quando pronunciadas. Porque eram, de mais a mais, apenas três jovens com ânsia de liberdade para falar o que quisessem e com vontades tão intrínsecas que conseguiriam alvoroçar quem as ouvissem – de repudia a loucura. Afinal, as pessoas prezavam os bons modos e as conversas ao pé do ouvido para não causar burburinhos. E elas tampouco se importavam se causavam quando se pronunciavam.
Elas falavam no tom que bem lhes aprouvesse. Elas falavam do que bem queriam. Elas falavam porque sabiam que tinha o direito de falar o que pensavam, o que sentiam e queriam. Elas não se limitavam às regras, aos bons modos e toda essa babaquice do jogo social. Elas simplesmente honravam os seus ideias. Mas, naquela tarde, os ideais, os sentimentos, os pensamentos e todo o resto que se passavam dentro delas era um misto de coisas, uma confusão tão grande, que sequer conseguiam formar frases, concluir pensamentos e definir o que era o quê no interior de suas almas grandemente belas. Elas estavam crescendo? Era isso? Estavam mudando conceitos, abandonando preconceitos e adquirido novas sensações que não sabiam nem adjetivar? Ou a vida é mesmo assim? Num dia, fala-se muito, fala-se de tudo e tudo; noutro, cala-se e delicia-se nos prazeres do silêncio, da observação e da reflexão? Aquelas três moçoilas estavam quase crentes que era assim. Nem sempre falar é indispensável. Nem sempre fala-se com palavras. Naquela tarde, elas falavam com sorrisos e olhares cúmplices. Amanhã... As palavras viriam amanhã. Elas sabiam que viriam.
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Eu já tava meio que aceitando a ideia de deixar as teias tomarem conta do blog depois do último post, já que o fim do ano tá aí e a metade inicial de 2011 parece que vai realmente me dar razões pra poupar o mundo virtual da minha presença. Dramas à parte, peguei essas duas se lamentando no twitter por não terem o que escrever e, provando ser eu mesma, me meti pra começar a atormentar e dizer que elas deviam fazer um texto juntas. Papo vai, papo veio, atormento daqui, atormento de lá, acho que estou sendo ignorada (o que seria uma boa ideia delas, não recriminaria) e, dali a pouco, me acho numa conversa tripla. "E ai blablablablablablá, titititititi..." saiu esse texto. Ficou bom? Não? Isso vocês, criaturas leitoras, que sabem. Mas o que vale é a diversão. Uma brincadeira levada a sério e cá estamos eu e Ferro levando mais uma pro caminho negro dos textos criados via msn. É, o que vale é que foi divertido, bem divertido.

8 comentários:

Erica Ferro disse...

Hahaha...
Adoro escrever posts em parceria contigo! E foi igualmente adorável escrever um post junto contigo e a Babizoca.

Gostei mesmo!

=D

Babizinha disse...

Eu pensei que fosse só no twitter a sua loucura. Mas agora ela está testada e comprovada: é doidinha da paçoca!

Gostei demais da parceria contigo e com a Ericona. Vocês são feras! *rawr* Parei.

Beijos
:*

VaneZa disse...

Ficou muito bom. Isso que eu chamo de soltar o verbo. Mesmo que aparentemente tenha sido difícil no começo... mas que as palavras venham amanhã... ou depois.

E que história é essa de poupar o mundo virtual da tua presença... estais louca? Poupe-me!!!

BeijoZzz...

Luna Sanchez disse...

Fez muito bem, Ana, porque a mistura foi providencial! Na verdade é exatamente isso o que todo mundo quer : liberdade para ser o que é.

Beijo, beijo.

ℓυηα

Rebeca Postigo disse...

Enfim consegui vir aqui...
Hehehe...
=D
Ontem estava meio corrido...
Acabei num conseguindo...
=/
Bom...
Apesar da Erica falar sempre de ti...
Não conseguia visitar teu blog...
Mas hoje decidi que viria conhecer teu cantinho...
Aliás, muito ajeitadinho, estou me sentindo em casa...
Huahuahua...
Gostei dos escritos...
Portanto virei mais vezes... =D
Ops...
Esqueci de falar do texto... =S
Hehehe...
Bom...
Amei a brincadeira maluca de vocês...
Três cozinheiras com temperos diferentes criaram um excelente prato...
xD
Adorei!!!

Bjs

Jota disse...

E isso porque vocês não sabiam o que escrever né? HAHA ;*

Conheço (pouco, mas conheço) você e a Ericona e vocês dão um show. Nem pensar em fechar isso aqui.

Enfim, espero que vocês continuem sem ter o que escrever. Quem sabe da próxima vocês convidam a mim e a o Thiêgo (a pseudociência) né? aoeioiaeoaieoaie


Bjs Aninha ^^

Flavih A. disse...

Haha, acbei de ler esse post no blog da Erica. =P

mas ficou ótimo.
=)

Beijo

gabriela marques. disse...

Li este texto no Blog da Erica e adorei! Vocês juntas fazem ótimos textos, viu?
Obrigada por sua visita em meu cantinho, saiba que sempre es bem-vinda lá!

ótimas festas e um próspero 2011.
Imenso beijo