sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Quatro anos

Não, não acredito nessa de virada de ano, como deixei claro no último post. Ou melhor, não acredito que a noite de 31 de dezembro pra 1° de janeiro seja o verdadeiro momento de fazer um balanço da vida, do ano, sei lá; ou que marque o fim/começo de um ciclo. Não, nós escolhemos/percebemos tais fases e seus detalhes porque também percebemos as grandes mudanças que nos ocorrerão ou já aconteceram. Sim, sim, mas às vezes pode coincidir com o fim de ano. Meu caso. Então, que fique claro, esse post não é nostalgia de um ano, mas de quatro (duração do Curso Normal/Magistério que faço, equivalente a ensino médio); não é uma retrospectiva, e sim um monte de fatos que, direta ou indiretamente, me tornaram esse ser (in)suportável.

Primeiro ano (2007): O meu melhor e pior ano. Aí está a origem de metade das histórias sobre minha suposta estupidez que contam por ai. Obviamente, não lembro de nenhuma delas (verdade, não tô "fingindo não lembrar", eu não lembro mesmo). Lembro das minhas discussões futebolísticas e políticas (eu não entendo porcaria nenhuma, ou pelo menos prefiro não debater, mas aquele ano eu tinha influências fortes que me deixavam mais louca que o normal); da vez que me meti numa briga (de gurias, lógico) pra SEPARAR e julgaram que eu tava querendo matar um dos lados; de quando fui expulsa da sala (infelizmente, nunca mais consegui repetir o feito) e queriam me tornar líder de uma expulsão geral que nunca veio a acontecer; da aposta futebolística que ganhei; de "elogios" como "se tu fosse lésbica, tinha pego metade da sala" (ainda me divirto lembrando disso); da admissão de uma amiga de que veio falar comigo por achar que eu era lésbica e das brigas que ela tinha com a namorada porque (adivinha?) tinha ciúmes de mim (é, eu sei, é bonito); do Colorado (não, eu não sei o nome dele) e seu bando, com quem nunca falamos diretamente, mas pra quem queriam me empurrar pelo simples fato dele ser colorado (é, o sonho geral é que eu acabe com um torcedor adversário); das indiretas futebolísticas que certa Loira do Caju se divertia fazendo, ou melhor, me fazendo fazer ("E ai, Ana, qual foi o placar mesmo lá do Grêmio na Libertadores?"); ah, lembro dos apelidos daquele ano: Loira do Caju, Os Amigos Tucanos, A Poluição... Eu? Simplesmente Ana do Grêmio... O ano em que comecei a aprender a observar e ouvir ao mesmo tempo que aprendi que fazer uns fiascos por ai com as amigas é saudável. Apesar do que digam hoje, foi também o ano que comecei a colocar meu senso de torcedora no lugar e escapei do fanatismo extremo. O ano em que enlouqueci didaticamente foi 2007, do qual pude ver três anos longos à frente junto com a possibilidade de fugir deles. Covarde pra fugir, corajosa pra encarar, não sei, mas preferi arriscar os três anos.

Segundo ano (2008): O ano anterior ficou com suas malucas e maluquices, ou pelo menos as que afetavam diretamente o cérebro dessa que vos escreve, deixando apenas dois grupos para que a Ana se dividisse (não mais três, ó que legal). Surgiu ai uma guria no ônibus decidida a fazer amizade comigo (é, cada louco com sua mania). Ou melhor, ressurgiu, no ano anterior já tinha tentado contato com esse ser absolutamente estúpido com estranhos. E ela insistiu. Tá, somos amigas. E aí ela começou com supersimpatias e uma amizade feliz, e Ana quis escapar. (Não me julguem mal, eu simplesmente não consigo receber abraços a todo instante de alguém com uma cara de imensa alegria por me ver. Sim, eu digo, sou antissocial, vocês que não acreditam.) O negócio foi pro brejo mesmo quando começou a querer entender de futebol pra falar comigo, aí eu tive que tomar uma atitude. Não, não bati nela (só tenho fama de violenta, sabe-se lá porquê); não debati o assunto (não sou boa com palavras e tenho certeza de que alguém sairia chorando, ou quase - e não era eu - e, bah, sou covarde demais pra encarar isso); apenas tentei dar umas cortadas e tal, ser estúpida (já que, ao que parece, eu sou), mas a estupidez proposital não é tão eficiente como a inconsciente (aprendizado do ano), então não tive grande sucesso. Por sorte, acho que ela percebeu que eu não sou uma pessoa muito... meiga pra tal tipo de amizade feliz. Hey, hey, não me xinga, eu tenho problemas mentais (quando a psicologia me encontrar, vai se divertir comigo), e até hoje ela é minha amiga, boa amiga, só que sem abraços e, se possível, sem conversas futebolísticas. Aliás, acho que foi ai que eu comecei a me negar a falar de futebol, tirando uns e outros, pela simples vontade de evitar que as pessoas forçassem uma conversa futebolística comigo por, sabe-se lá a razão, achar que isso me fará dar atenção a sua pessoa. Ah, e foi nesse ano que fiz meu irmão comer seis torradas por dia (duas de manhã, duas no almoço, duas na janta), o que nos fazia consumir um pacote de pão, queijo e presunto por dia. Eu deixei aberta a ele a decisão de fazer ou não comida para si, não quis, eu é que não vou fazer comida pros outros, nem faço pra mim! É, nesse ano aprendi que não sou uma pessoa legal, que não sirvo pra famosa, que posso me dividir entre dois grupos (o que pode resultar em demência momentânea e nós no cérebro) e que, por menos que eu falasse em futebol, as pessoas já tinham assimilado a ideia de Ana-fanática-gremista e que isso não seria esquecido tão fácil. Ah, foi nesse mesmo ano que a Mels convenceu-me a abrir esse blog.

Terceiro ano (2009): Mostrando que aprendi algo com o ano anterior, escapei de me dividir em dois grupos, já que era impossível juntá-los, lendo o máximo possível em aula (e ignorando papos chatos, tanto de colegas como de professores); parei definitivamente de falar em futebol; tentei ser simpática e evitar a estupidez inconsciente (o que foi fácil, levando em conta que eu falava o menos possível com quem estivesse ao redor), sem esquecer de deixar subentendido que minha simpatia não é sinônimo de abraços a todo instante; resolvi fazer alguns perceberem que apesar de ser um pouco mais alta que a média e parecer meio estressada de vez em quando, não havia razão pra ter medo de mim; e finalmente coloquei a cabeça no lugar, contendo meus impulsos estressantes e sendo o mais paciente possível. Resultado: fiquei um pouco mais sociável. Nesse ano ignorei o galã da escola, o que me fez, parece, sua melhor amiga, ou pelo menos daquela época, já que, vez por outra, ele lembra de mim e, da última vez, veio até me tirar de conselheira amorosa (eu realmente não entendo porquê as pessoas fazem isso... quer dizer? Ana Paula Seerig, a conselheira amorosa? definitivamente não) e eu acho muito engraçado tudo isso. Duas fotos-pérolas minhas foram batidas em fatos ocorridos em 2007 (que não estão no álbum do facebook pra manter alguma imagem que me reste por lá), micos em grupo, que foram divertidos, mas ainda micos, de certo ponto de vista. Aqui eu já não tinha certeza de mais nada, mas se não dei pra trás dois anos atrás, por que fazer isso agora? Bora encarar mais um ano e, ai, o estágio.

Quarto ano (2010): Último! O que parecia tão longe, parece ter chegado rápido. Roubaram meu lugar no fundo da sala, transferi um dos meus grupos de lá pra cá, me meti em outro, fiquei então entre três e às vistas das professoras, o que cortou minha leitura em aula gigantescamente. Somei a essa loucura de três grupos e falta de leitura, alguma atividade extraclasse, que me fez ter desculpa pra fugir do recreio e dos grupos, fez quem não me conhecia me conhecer, me fez andar pela escola toda e me fez dar uma de mestre de cerimônias durante um dia todo e sair correndo pra ver a Alemanha perder um jogo na Copa do Mundo. Concomitante com a pressa de ver o ano voar, a vontade de aproveitá-lo ao máximo, por ser o último. Logo de início já vi que minhas loucuras entre grupos tinha valia, do mesmo modo que também percebi não ser tão insuportável assim, ou pelo menos não tão antissocial, quando no último dia de março, já certa que meu aniversário no dia anterior não tinha sido grande preocupação pra ninguém, aparecem aqui em casa um bando de nove ou dez criaturas (dois grupos da aula mais o grupo de verdadeiras amigas resistente do fundamental) com uma festa surpresa realmente surpreendente (se fosse sentimentalista, tinha chorado, mas não é o caso) dominadas por histórias da "estupidez da Ana", contando inclusive com interpretação teatral. Pra completar belamente minha carreira escolar, consegui uma nota vermelha e sem muito esforço ou preocupação, foi acidental, mas não me fez perder o sono, é divertido. Perdi o sono com uma idiotice qualquer e descobri que quanto mais eu fujo das pessoas, mais elas me perseguem, mesmo, e talvez especialmente estas, as que eu faço questão de deixar claro que não quero como "amiguinhas". Mas professoras são loucas, eu sei, salvam-se duas ou três, e sim, sou implicante com professoras. Putz, fim de ano, semestre que vem vou eu ser o que fingi tentar ser nesses quatro anos: professora, estagiária, mas professora. Onde foram passar os quatro anos?

Tanta gente, tantos fatos, tantos papos furados, tanta coisa... E acabou. Isso é acabar um ciclo. Não a virada do ano. O ano vai virar e dessa vez o que vai vir não será nem um pouco parecido com esses quatro. Sem conversa fiada e fiascos nos ônibus; sem ter que enlouquecer prazerosamente me dividindo em sabe-se lá quantas pessoas; sem ter a chance de deixar um dia passar esquecido, sem atenção... Ou com algo disso, sabe-se lá, o problema no fim é não saber como será o novo começo... Mas continuo sendo covarde demais pra encarar a fuga e suficientemente corajosa pra ter consciência de que não sei o que vai vir a seguir e decidir arriscar. Quatro anos loucos, chatos, animados, irritantes, diferentes, divertidos... Sem o que dizer mais, o que foi bom ou ruim agora é lembrança e deve-se seguir adiante, então que venha a próxima fase com seus temores e divertimentos...

Aviso de antemão que pode ser que minha falta de paciência e estresse volte, me tornando um ser antissocial, do mesmo modo que aviso que talvez meu nível mental consiga impedir-me de atormentar com a frequência costumeira aqui no mundo virtual.

E responsabilizem Erica Ferro pela publicação desse post. Ele quase foi excluído, o que os pouparia, eu sei.

7 comentários:

Anderson Kravczyk disse...

ôh Ana Banana, pode ter certeza de uma coisa: o que tu mais odeia, é o que sempre tu terá de mim. Pleo menos é o q me esforçarei para fazer heheeh.

Tua sorte é que moramos em cidades diferentes, se não ia te atucanar todos os dias

*-*

òh, teminou um ciclo, 2011 começa um novo. Viu como uma noite pode mudar tudo?? uioasdauiodhasudh

E esse ano tu ainda vem ver um jogo do Imortal comigo! E tu vem e cala a boca, não quero saber o q tu pensa sobre isso! "Todos os caminhos levam ao Monumental".

Rebeca Postigo disse...

Hehehe...
Bora tecer outras histórias em 2011...
Feliz ano novo!!!

Bjs

Natália disse...

Para algumas pessoas - eu, por exemplo - um ano novo pode ser sinônimo de recomeço, esperanças renovadas e tudo mais, mas já para outros não passa de mais um ano a ser vivido. Tudo depende do modo qual vemos as coisas... Beijo

Luna Sanchez disse...

Quatro anos bem vividos, isso percebe-se pelo balanço, né, Ana?

Rs

Essa coisa do toque é curiosa : eu sou toda abraços e beijos com quem gosto (tá, sem exageros, mas sou), mas não suporto que estranhos fiquem encostando em mim enquanto conversam. Aliás, fujo de conversas com estranhos sempre e não entendo como pode existir tanta gente disposta a contar a vida inteira em filas de banco e salas de espera de consultórios médicos. Para esses casos emergenciais, sempre tenho na bolsa algum papel qualquer, que uso para simular uma leitura muito concentrada, quando percebo que alguém está prestes a puxar papo.

:p

Beijos, feliz 2011 pra ti.

ℓυηα

Vini Manfio disse...

toda pessoa que se diz insuportável, ou fica desfazendo suas próprias palavras escritas, no fundo, quer um pouco mais de carinho, ou atenção, do que recebe

isso faz sentido e não é uma crítica

acho que você escreve bem
com uma certa agressividade mas
cada um com seu jeito de escrever

pelo menos o seu é, se não único, ao menos raro
porque não conheço mais do que duas pessoas que escrevam com bem, com agressividade

Bittencourt disse...

Ora vejam só, que drama!

Sempre mais modesta do que deveria. E justo você, que diz que temos que nos importar menos com o que dizem! ehuehuehuehue

Dayane Pereira disse...

De fato, isso SIM é um ciclo!
A virada do ano não, mas esse sim é! Gostei muito e me inspirou, quero escrever meu ciclo tb mas , acho que de dois anos para trás não me lembrarei! RS