sábado, 26 de fevereiro de 2011

♫ Não me leve a sério, não me leve a mal, me leve para casa ♫

Vez por outra, especialmente através do blog, me deparo com análises da minha pessoa do tipo: "Quando alguém se menospreza demais é busca por atenção". Mas eu não fico convencida que preciso de terapia (apesar de achar que a Psicologia ia me adorar e descobrir mil e uma patologias e neuroses em mim), eu rio. Eu não levo a sério. Agora, por que me levam ao pé da letra? Vamos à esclarecimentos do ser "Ana Seerig":

Quando eu digo que sou inútil não é por ser neurótica, e sim por ser inquieta e precisar estar sempre ocupada. Mas eu não falo sério. Eu tenho plena noção de que há criaturas mas inúteis e, especialmente, que faço o que posso, que faço muita coisa, que sou útil e legal para os que me cercam.

Quando digo que sou insuportável, é apenas brincadeira. Assim como sei que às vezes consigo ser terrivelmente chata, quando busco ser; sei também que há razões pra que as pessoas me aturem, busquem minha companhia e considerem minha amizade.

Quando digo que não gostei do que escrevi, é apenas autocrítica, não drama ou busca desesperada por elogios. Tá, eu sei que isso é irritante, tô tentando me controlar para benefício meu e de vossas pessoas, que me aturam (e eu sei que, como tua visita aqui é espontânea, "aturar" não é o verbo).

Quando digo "se é que alguém se importa", é por ter plena noção que nem sempre o que me interessa, interessa aos outros. Por não achar necessário que as pessoas se desesperem, se alegrem, riam ou chorem comigo, cada um é cada um, então nunca tenho plena certeza de que, o assunto sobre o qual falo é importante, ou no mínimo interessante, a quem me ouve ou lê.

Quando sou irônica, não é por violência ou desprezo, é por diversão. Eis o risco da ironia: nem sempre é entendida, correndo o risco de ser analisada pela Psicologia e interpretada por freudianos. Não, não me leve ao sério, ao pé da letra, ao extremo.

Quando eu digo "Me deixa quieta", não é grossura ou estupidez, apenas uma tentativa de, pelo contrário, evitar que alguém saia chateado da conversa e chamando a minha pessoa de, adivinha, estúpida ou isso ou aquilo. Eu sou legal no maior tempo possível, seja legal e me deixe ali, sem achar que briguei com meu namorado (i-ro-ni-a presente), que o Grêmio perdeu ou sei lá que outra teoria possa surgir.

Quando eu digo "aham", eu quero dizer "aham", não é tédio ou insatisfação. No máximo, falta de concentração pra responder algo mais interessante.

Quando eu digo que não falo em futebol, não é falsa modéstia ou superioridade, é por já saber que, em certos casos, pode acabar em conversas exaltadas, com ou sem desacordo, que nos fazem colocar o futebol num nível além do que está: é esporte, não é vida e morte (apesar de parecer às vezes, eu bem sei). Agora se eu faço um comentário futebolístico, não estou me contradizendo, apenas comentando como algo qualquer, e fugirei do tema assim que perceber exaltação à caminho.

Quando eu sou estúpida, não tenho plena noção disso e, em cinco minutos, não compreenderei porque alguém não me olha na cara. E falo sério. Então não leve em consideração, em vez disso me dê um corte tremendo e, meia hora depois, volte a ser legal, já terei superado meu lapso de estupidez inconsciente. Duvida? Tudo bem, mas te garanto que, se tento ser, sou antes cômica que estúpida.

Quando eu fico séria na hora de rir, agradeça. Primeiro por te achar legal e não querer fazer um fiasco na tua frente, do contrário eu gargalharia esdruxulamente. Segundo porque é melhor isso do que ter mania de rir na hora errada, né?

Quando eu digo ou faço qualquer coisa, não me leve a sério. Nem eu me levo.

Quando eu digo que não me levo a sério, não é depressão ou falta de autoestima, muito antes pelo contrário, é autoconfiança demais, suficiente pra me fazer rir de mim mesma. É legal. Tente.

Quando eu digo o que eu digo, eu não digo nada.








7 comentários:

Allyne Araújo disse...

rsrsrrsrsrss... quer saber?? o melhor auto texto seu que eu já li até agora.. Gostei da sinceridade, da ironia e de todo o resto. bjao!

Erica Ferro disse...

E esse finalzinho romântico aí, hein? Ui! Nisso não há ironia, algo me diz. Muito bom esse texto. Mas confesso: nada além do que eu sabia e desconfiava, hahaha. Beijo.

Dayane Pereira disse...

Ana, gostei da sua forma de se explicar, assim não ficam mais te interpretando. Achei que o texto por si só resume seu jeito irônico de ser. ha ha. Acho que eu não conseguiria, se tento me explicar me enrolo e confundo mais ainda.

Pietro disse...

Estava escutando Joquim (Vitor Ramil) quando fui pesquisar e achei teu blog. Muito interessante. A coincidência foi quando li que é de Caxias, onde estou atualmente a trabalho. Seus textos são ótimos, parabéns! Bjo. Pietro

Anderson Kravczyk disse...

Sempre se explicando... seria por temer o q os outrps pensem sobre ti, já q tu está sempre pensando sobre os outros? Aposto q tu vai dizer q eu to viajando.... ahahaha.

Ah para de se explicar, nao quero saber pq tu achas q é como és, seja como quiseres to pouco preocupado com isso ;)

Babizinha disse...

Seerig, 140 caracteres não ia expor tudo o que eu gostaria de dizer e talvez nem aqui eu consiga. Mas eu senti a necessidade de falar que, às vezes, rindo de mim mesma eu evidencio um defeito meu que irrite aos outros ou que incomode somente a mim, porém ninguém queira citá-lo ou eu que não gostaria de enxergá-lo. É uma maneira de afirmá-lo para então diminui-lo. Sim, uma forma de me policiar. De não querer levar a mal tudo que me pertence quando por ventura alguém quiser apontá-lo.

Eu sou irônica, minhas piadas são sem graça e os outros riem da minha cara por causa disso, o meu “sei...” é porque eu “sei...” de verdade, não tenho outra resposta. rs

Ok, ok... Parei. Se fosse contestar a cada parágrafo daria um texto também. Contudo, o seu ficou incrível! Obrigada pela lição. Um bocado divertido.(:

Pandora disse...

A coerencia é uma das coisas que mais gosto nas pessoas, esse post é de fevereiro, mas é coerente com o que vc é, uma fofa com certeza, não perfeita, não uma pessoa de plastico, uma Barbie, mas tão vc, tão coerente, tão de verdade que a gente gosta!

Cheros nega \o/