sábado, 2 de abril de 2011

♫ Sou Narciso invertido, veja é bem mais divertido ♫

Não sei ao certo como surgiu o assunto, mas n'outro dia me peguei dizendo à Babs: A melhor coisa que há pra se fazer é rir de si mesmo. Não sei de onde tirei isso. Ou melhor, eu sempre tive essa ideia em algum canto da mente, mas só naquele momento as palavras apareceram de forma clara. Aliás, toda a ideia apareceu clara. Coisas do meu inconsciente, que às vezes deixa vir à luz o quê, em outras ocasiões, fez questão de deixar obscuro, como uma coisa que está longe, incerta. Mas naquele dia "fez-se a luz" e eu nem estava escutando Wander (que canta a música que dá título ao post).

Ideia esclarecida, hora de expô-la, se possível de maneira mais clara do que eu fiz com aquela meia dúzia de tweets pra Babs.

Uma coisa que sempre defendi e continuo a defender (então desculpem a repetição) é que a personalidade é o que mais vale em uma pessoa. Alguém que diz o que pensa, que defende ideias, admite erros, encara os problemas, não teme mudanças, adapta-se da melhor forma às situações sem esquecer de seu próprio modo de pensar... Parte fundamental da personalidade é não ligar para o que os outros dizem ou, melhor, não levar ao extremo os outros sem repensar sua própria ideia, só assim saberá se deve ou não validar a ideia do outro.

Complicado? Explico. Se alguém critica a tua atitude, antes de simplesmente mudá-la, pense: por que eu faço isso? Se obter uma resposta que te agrade, que te mostre que tu faz o teu melhor pelo melhor, permaneça como é; se, do contrário, encontrar buracos em suas autoexplicações por medo/vergonha de admitir a falha, repense a si mesmo e mude o que achar necessário.

E o Narciso invertido, onde está? Simples: Narciso admirava a si mesmo, especialmente sua imagem, bem, somemos ai as atitudes, até porque acho que elas refletem mais no teu exterior que o inverso, ou seja, se estás feliz com teu modo de agir/viver, estás também feliz com sua aparência e vice-versa. O invertido? É o segredo da personalidade, ao meu ver.

Olhar-se no espelho e ver aquela pereba enorme na sua cara, aquele cabelo que não toma jeito e tantas outras coisas que nos incomodam e poder rir, isso é personalidade. Não buscar a perfeição, muito pelo contrário, olhar pra si e achar mil e um motivos pra rir: a risada ridícula, a piada tosca, as manias idiotas e coisa e tal. Quando nos olhamos e realmente nos vemos; quando rimos da nossa própria ridicularidade e paramos de nos importar com as risadas dos outros; quando sabemos que não somos perfeitos e que isso nos torna quem somos; tudo isso nos torna Narcisos invertidos. E os benefícios? Inúmeros.

Olhar pra si e avaliar-se nos faz ver os erros e, com vontade e coragem, consequentemente, temos a chance de mudar. E sim, mudar não é fácil, mas eis aí a vantagem de rir de si mesmo: quando se faz isso, se mostra como a vida é leve, como não nos pressionamos. Mude naturalmente, por saber que é certo, não se imponha uma mudança, torne isso leve: perceba o erro, veja quão tosca é a tua atitude e a mude. Simples. Esqueça o que os outros dirão sobre ter feito isso ou aquilo, por ter mudado de opinião ou por rever algumas coisas antes comuns; se importe com você! Seja ridículo, assuma a riducularidade, ria tranquilamente e mude.

Sim, tu tá aí lendo e acenando positivamente com a cabeça enquanto diz "Ela pode ter razão", mas simplesmente continuará fazendo igual, afinal é só um texto qualquer, de uma maluca qualquer; ou, no máximo dirá "É fácil pra ela dizer, é fácil concordar, mas e fazer?", e eu concordo: não é fácil "aprender" a rir de si, não é só tomar "Narciso invertido" como hino e repetir com o Carlinhos Carneiro: "Wander Wildner é Deus: esse é o caminho", não, não é fácil. E então? Então eu não posso fazer nada, digo que minha maior diversão é rir de mim, mas se pra ti ainda é difícil, bem, ai vai de ti a vontade de mudar. Pra mim deu certo.

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Ah, e agradecimentos a:

Bittencourt, o meu Ross favorito, que fez um post pra mim tentando me convencer de que dinossauros são emocionantes, mas ainda não me caiu a ficha. Dragões e Pokémons são emocionantes (sem falar na Genki Dama), mas dinossauros? Jurassic Park? (e ao ler isso, o Bittencourt desistirá de mim pra sempre, mas né, sinceridade...)

VaneZa, que nunca se cansa de mandar seus leitores pra esse beco. Mille grazie!

Allyne, que se prestou a me fazer um post de aniversário, além de todos os demais que me deram parabéns, mesmo que me chamando de bêbada, como a Babs (já devidamente linkada no post) e, CLARO, a Ferro. Danke schon, Leute!

9 comentários:

Erica Ferro disse...

Tem toda razão, Seerig.
Não é porque criticarem, que disseram que o que você faz ou fez não é certo que você deve acatar. É preciso criticar as críticas e ver se vale ou não apenas ouvir a opinião do "criticador".
E rir de si mesmo... bem, eu acho que tenho aprendido.
Acho que sou uma boa narcisa. Consigo ver bem quem sou. Consigo enxergar minhas qualidades e ri dos meus defeitos. Há horas, claro, que não rio, que até me irrito, mas também não se aprende a ser narciso invertido tão rapidamente. Alguns maus costumes, como os de não se divertir com as próprias ridicularidades, demoram a ser deixados de lado. Demoram, mas podem ser anulados com o tempo, com empenho e determinação.

Belo texto!

Luna Sanchez disse...

Oi, Ana!

Rir das própria besteiras é um dom, uma dádiva que alivia o coração e deixa a alma mais sábia.

Acho importante que o nosso filtro esteja sempre limpo para que funcione direitinho...assim podemos identificar o que devemos reter daquilo que as outras pessoas dizem e o que devemos deixar que vá diretamente para o ralo.

Um beijo.

Ótimo texto, como de costume.

VaneZa disse...

Acho que hoje em dia eu já rio mais das minhas desgraças.

Quanto as críticas eu ainda tenho problemas com pessoas que criticam sem conhecimento de causa ou que falam dos seus defeitos, mas não enchergam que cometem os mesmos erros ou erros piores.

Mas ainda preciso praticar mais "o rir de mim".

BeijoZZz

Dama de Cinzas disse...

Já percebi faz um tempinho que as pessoas mais chatas, mais amargas, aquelas que ninguém quer por perto, são exatamentes aquelas que não tem capacidade de falar sobre seus problemas e defeitos e rir deles. Colocam uma carga de peso e drama em tudo. Credo, quero distância!

É um exercício totalmente necessário!

Beijocas

Allyne Araújo disse...

rsrsrsrss.. por isso que te mando muitos rrsrssr! faz bem a alma, ao coração, ao tudo!!! beijooo depois comnto mais!

Bittencourt disse...

Novamente, eu volto ao argumento primordial: você acharia dinossauros emocionantes se visse um velociraptor correndo atrás de você. Alguma emoção você ia ter que sentir!

Mas enfim... eu nem COMECEI a tentar convencer você, tava só me aquecendo. E eu vou ter sucesso, isso é axiomático.

Ah... é claro que eu não vou desistir de você! Apesar de não conhecer você pessoalmente, ainda gosto pacas de conversas contigo, e acredito SINCERAMENTE que você ainda tem jeito. Mas obrigado pelo agradecimento! Toda vez que eu leio algo que tu escreve aqui e eu me identifico, eu penso "pelo menos não é loucura só minha". Personalidade é tudo! E entender que o convívio social começa a partir do momento em que você se entende e se aceita é algo que as pessoas tem que se lembrar sempre... o que os outros acham de você costuma ser secundário... Mas vamos ver se isso muda alguma hora.

Juliana disse...

É verdade, eu fiquei concordando com a cabeça e dizendo é fácil escrever, queri ver fazer isso. Mas, gostei da idéia e não custa tentar, mesmo que seja apenas por um dia, farei o teste amanhã, vamos ver no que dá! Haha (Já comecei bem)


Beijos

Cinderela Descaída disse...

Aprender a não se levar a sério é o primeiro passo para não sofrer tanto. Ter-se em alta conta é um passo para cair de cara no chão em algum momento.
E eu adoro dinossauros. Tenho até um conto sobre eles mas ainda é inédito.
Boa semana!

Dayane Pereira disse...

Taí algo difícil pra muita gente, geralmente gente mal humorada, exigente demais consigo e com os outros. eu sou bem tranquila, rio das minha desgraças, às vezes choro, mas depois ligo o foda-se, assumo minha condição. As coisas não vão mudar só porque a gente quer, então, vamos seguir a dica da Seerig!