sábado, 7 de maio de 2011

Claramente incompreensível

Os carros passam. Conforme o sol desce, as pessoas surgem. Saem elas do trabalho e vão pra casa; saem elas de casa e vão estudar. Começa a lentidão entre os veículos, todos andando desesperados, fugindo do ponto de partida, desesperados pelo de chegada. E eu ali, apenas observando tudo isso refletido nos raios alaranjados que escapam por entre os prédios enquanto a noite fria chega.
Me divirto simplesmente vendo tudo isso. Sempre me diverti com isso. Para onde vão? De onde vem? Quem será manchete semana que vem ou daqui dez anos? E por quê? Acidente de carro ou descoberta fantástica? Mas as coisas mudaram. Agora olho os outros enquanto penso em mim mesma: O que diabos eu estou fazendo?
No começo isso estava comicamente divertido, mas agora esse movimento parece um tanto tedioso. Fazer duas ou três coisas completamente diferentes, ocupar sessenta por cento da tua semana com horários, mais trinta com os extras que tais horários exigem, resta o quê? Dez por cento para reclamar de tédio. Sim, tédio. Tédio de tudo, tédio de nada. Ou talvez não seja essa a palavra.
Cansaço? Cansaço de tanto pra fazer? Ou será cansaço de fazer tudo e em poucos momentos se satisfazer plenamente com o que faço? Não, não está errado, não visualmente, não oficialmente. Tá tudo certinho. Sem grandes problemas. Todo mundo diz "Que bonito!" e eu continuo sem achar graça. Quer dizer, gosto disso tudo, gosto do que faço, mas... há sempre um "mas".
Tenho pra mim que é a minha tal insatisfação, ou antes inquietude. Mesmo que seja uma rotina variada, me canso de ficar na mesma rota, de andar no mesmo círculo e não ver mudança nenhuma, avanço nenhum. Ah, caramba, não é assim! Pra algo isso tá prestando, nem que seja pra algo mínimo, mas tá, não negue! Então é cansaço mesmo...
Ah, eu queria pegar um livro e "devorá-lo" como fazia tempos atrás. Queria passar horas fazendo nada, seja na frente do computador ou da televisão. Queria rever pela milionésima primeira vez os filmes que já vi mil vezes. Queria voltar há anos atrás quando a Sessão da Tarde prestava e eu ficava assistindo enquanto resolvia alguma divertida expressão matemática. Queria não ter certeza de que, com uma semana de férias, já estarei querendo voltar à rotina maluca de agora. Queria saber o que realmente quero e parar de escrever e escrever e continuar a não entender.
Eu queria simplesmente entender... e dormir sossegada quando a lua aparecer.
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Tá, eu tinha "despublicado" isso, mas na falta de algo melhor, ai está de volta.
Aproveito para pedir licença e me ausentar daqui, meu tempo dedicado à blogosfera nos próximos dias será para ler blogs e etc e tal, em vez de teimar em posts ilógicos e mal escritos.
Até logo mais, povo.

7 comentários:

Mihh' disse...

É como você mesma disse: "Pra algo isso tá prestando, nem que seja pra algo mínimo, mas tá, não negue!"

E quando você descobrir pra que isso tá prestando, as coisas vão fazer sentido e você vai entender.

Anônimo disse...

Bom dia intrigante post , adorei bastante, acho que poderiamos tornar-nos amigos de blog :) lol!
Aparte de brincadeiras chamo-me Barata, e à semelhança de ti publico webpages embora o tema principal da minha página é muito distinto do teu....
Eu escrevo websites de poker que falam de bónus sem depósito sem teres de por o teu cash......
Adorei imenso aquilo vi escrito mais uma vez
Voltarei!:)
Ps:Peço desculpa pelo meu portugues ruim

Cinderela Descaída disse...

Olha, eu passo por momentos iguais aos teus, então acho que isso deve ser algo bem comum. Esse tédio, essa insatisfação... Acho que é vontade de fazer algo diferente ou fazer melhor o que já fazemos.
Paciência. Como diz o ditado chinês (ou seria japonês?) hoje, melhor que ontem, pior que amanhã!

Dayane Pereira disse...

Como eu quase morri na parte que vc comenta de voltar aos tempos de sessão da tarde, de não fazer nada. Ah, meu Deus, é tudo que preciso nesse momento!
MAs é impossível, semrpe tem algo pra fazer, meta pra cumprir, etc..
Ser adulto é chato e cansativo demais!

Erica Ferro disse...

Ai, que bom ler o blog da Ana Seerig!
E que bom me dar de cara com um texto assim. Tu sabe que eu me identifico UM BOCADO com textos inquietos e devaneados como esse, né?
Será que tu tem espírito aventureiro? Do tipo de pegar mochila e sair por aí sem destino certo?

Ah, não demore a voltar ao mundo bloguístico.

Um abracinho.

p.s: e aí, vai fazer amizade com a Barata aí em cima? HAHAHA... (não contive a piada huhauhaua)

Mr. Blue disse...

Eu andei um tempo sem vir aqui enxer o saco nos comentários deste blog, não? Eu era sócio de carteirinha do link "postar um comentário" daqui. Adivinha porque acabou? Bom, leia este seu próprio post que reflete exatamente o que acontece comigo também, me sinto igual. Aliás, vc acaba de abortar um post meu, dona ana: eu queria escrever alguma coisa pra postar no blog, exteriorizando toda essa angústica e stress, a saudade de tempos há pouco ainda vividos, um pouco dessa nostalgia, mas agora nem preciso escrever nada, é só pegar o seu texto e assinar embaixo que vou estar dizendo tudo o que quero dizer perfeitamente sem ser com as minhas palavras aheuhaeuhaue.

Ah, e quanto ao "começa a lentidão entre os veículos, todos andando desesperados, fugindo do ponto de partida, desesperados pelo de chegada.", você por acaso passou um tempo aqui em São Paulo? Ahahuehau. É este "desespero" aliás, que gera tanto acidente e tanta briga de trânsito, xingamentos, batidas, e mais stress... até mesmo eu muitas vezes me vejo capturado por essa atmosfera e me deixo levar pelo desespero também, agindo como um brigão de trânsito irracional, que xinga todo mundo na sua frente de "filho da puta", principalmente os que andam mais devagar... na maioria das vezes eu procuro (e prefiro) ligar o rádio, relaxar e ficar escrevendo num papel os nomes das músicas e artistas que eu ainda não baixei, ou quando toca aquela música boa pra eu colocar num post de sexta à noite!

Babizinha disse...

Gosto dos seus posts "ilógicos e mal escritos" e com esse me identifiquei, porque quando realizamos aquilo tanto almejávamos passa a ser rotina. "Meta alcançada. Download completo. Próxima fase..." Mesmo com essa rotina, também me pego pensando no maldito tédio. E há tanta coisa para fazer, pensar e realizar, mas a preguiça e a procrastinação são meus maus hábitos.
Enquanto não dá para adiar certos compromissos e quebrar certas regras, voltemos à rotina, Seerig.

Beijos, guria.