segunda-feira, 13 de junho de 2011

"Escrevo-te essas mal traçadas linhas..."

Sempre tive um encanto por cartas, não sei exatamente porquê, mas as adoro. Jane Austen conseguiu me fazer gostar ainda mais (não há nada mais lindo do que a carta do Mr. Darcy), se é que é possível, anos atrás. Durante um bom tempo eu catei alguém disposto a enviar cartas no correio para a minha pessoa, antes ainda de todas as minhas amigas viverem em roda de e-mails. De verdade, não sei explicar, mas acho cartas extremamente interessantes.
Abrir a caixa de correio e encontrar lá um envelope para a minha pessoa é algo que me anima. Tanto que, mesmo que esteja saindo de casa, eu a saio lendo pela rua. Bonito é ver a cara das pessoas quando começo a rir sozinha ou a fazer caras e bocas com a leitura empolgada da folha de papel que seguro. São histórias sobre o bêbado da esquina ou tragédias do dia a dia. E eu me divirto em ver que alguém se ocupou em escrever aquilo, especialmente nos dias de hoje, que tudo é feito da maneira mais rápida possível e pouquíssimas pessoas se dispõe a parar e escrever.
A maravilha da cartas está em, depois da primeira lida, relê-la com calma, pegar papel e caneta, e responder. Por vezes foi minha ocupação em aula, enquanto a professora falava alguma coisa que não me interessava. Mas é lamentável terminar uma carta, por duas razões: 1. Tu sempre esquece algo, deixa de fora; 2. Ter que assiná-la e colocar no correio sabendo que demorará algum tempo para receber resposta, é deprimente.
Adorar cartas é uma coisa que só pode dar imensa alegria quando se tem um correspondente. Meus anos de procura inútil foram completamente esquecidos há quase três anos, quando pela primeira vez recebia uma carta da minha maranhense favorita: Alynne.
Na espera da 19ª carta dela, olho as outras devidamente guardadas: envelopes coloridos, de tamanhos variados, com selos de profissões, instrumentos e obras de arte desaparecidas. A última contou com um vídeo que há tempos ela havia me prometido e, que diz ela, só foi feito porque eu a ameacei de morte (quando que eu ameacei alguém? Estou chocada com tal anúncio). Antes já tinha me enviado lembrança do aniversário dela e a dedicatória para o livro que ela me deu e não colocou.
Uma amizade virtual que, hoje, só usa da internet para avisar "Carta enviada". Cartas que às vezes não parecem ser escritas por alguém que está longe, por alguém que não se conhece pessoalmente. Alguém que fez amizade com o carteiro e que se gaba de ter uma louca no Rio Grande do Sul com quem se corresponde. Uma louca que se alegra em receber respostas longas e divertidas para suas cartas escritas rapidamente. Cartas rápidas que são longas; cartas curtas que são respondidas com perguntas e perguntas na busca por uma carta maior; cartas que são recebidas e lidas com toda empolgação. Cartas, cartas e cartas.
E, na espera da 19° carta, só tenho a dizer: feliz aniversário, Alynne! (E me mande um pedaço de torta!)

4 comentários:

Family More disse...

wow amiga, li tudo na mini tela de um celular e amei tudo que li. Você é uma grande amiga
brigadaa!
ah, não tem torta, só bolo, serve?

Luna Sanchez disse...

Ah, Ana...mas as cartas manuscritas têm uma beleza e um calor que são só delas mesmo. Cartas me encantam também, tanto que tive a ousadia de fazer uma série lá no blog com troca de cartas (que, naquele caso, eram datilografadas).

Beijo!

Rebeca Postigo disse...

Adoro cartas, mas nunca tive a oportunidade de ser agraciada com uma...
=/
Amei o texto!!!

Bjs

Buba. disse...

Antes de eu me meter nesse mundinho virtual, eu trocava carinhas com pessoas desconhecidas. Fazia isso pela Revistinha da Turmaa da Mônica. Tinha um espaço lá para você escolher pessoas para trocar cartas. Cheguei até a conversar com um menino de Portugal. Foi uma fase muito gostosa da minha vida! Aquela esperança no carteiro! Era muito bom! :D