quarta-feira, 1 de junho de 2011

O conde de Monte Cristo - Alexandre Dumas

Não há nada melhor pra uma alma perturbada do que, em seis dias, conseguir espaço pra ler Jane Austen seguida de Alexandre Dumas (pai). Ou pelo menos quando a alma perturbada em questão é a minha. No caso de Austen, li Persuasão, na edição especial com Orgulho e Preconceito e Razão e Sensibilidade que ganhei da caríssima Erica Ferro. Mas como a capacidade narrativa dela vai além da minha de resenhista, escolho como vítima meu adorado Alexandre Dumas, autor do livro que terminei de ler horas atrás, um dia antes do que tinha me estipulado, cinco dias. Comecei domingo à noite e cá estou já a escrever, ou ao menos tentar, sobre essa que talvez seja a obra de Dumas mais conhecida depois d'Os três mosqueteiros (livro que, como muitos, ou ao menos alguns, sabem ser da minha grande estima, pra não dizer de uma vez ser meu livro favorito). Tudo que me passa na cabeça no momento é dizer: Eu amo Alexandre Dumas!, mas isso teria significado tão amplo quanto pequeno, então farei o possível pra que essa minha volta ao blog depois de quase um mês seja bem feita, especialmente pelo nome de peso envolvido... Então, mãos congeladas à obra.

O que me encanta em Alexandre Dumas é sua simplicidade em escrever e, especialmente, a facilidade em definir personalidades (parênteses para dizer que Austen também tem tal dom e, se possível, de maneira ainda mais profunda). Aqui provavelmente alguns pararão para questionar: Em que ponto Dumas é simples ao escrever em sua difícil linguagem? Sim, à primeira vista não é, mas vamos lá, suas histórias se passam em séculos passados, sendo assim, as histórias seguem tal linguagem. Eu mesma admito que a primeira vez que li Os três mosqueteiros (depois li mais uma ou duas vezes...) quase desisti pela difícil compreensão, mas minha teimosia foi maior e quando vi quase sai falando como suas personagens. Vale aqui ressaltar que em O conde de Monte Cristo a linguagem é mais leve, até por, no contexto temporal das histórias, ser mais recente que Os três mosqueteiros.
Falo em simplicidade me referindo realmente à sua forma de escrever... As histórias que, quando lembradas parecem complexas, quando lidas (e compreendidas com naturalidade) são tidas como leves, por serem narradas com fácil relação ao cotidiano (se tu vivesses no século em que se passa a história, claro) e manterem uma sequência natural e... pam, quando se viu o livro acabou e tu começas a pensar: E agora?
O Conde de Monte Cristo segue essa tradicional linha de Dumas, começando com a chegada do jovem Edmundo Dàntes à sua terra após atracar com o barco em que trabalhava como marinheiro, sendo logo promovido à Capitão. Em suma, era o ápice da alegria de Dàntes, que tinha pretensão de, antes da próxima viagem, casar-se com sua amada noiva Mercedes. Inveja daqui e de lá, tudo se vai com a prisão injusta de Dàntes. Em sua prisão, no castelo de If, acaba por fazer amizade com o abade Faria, tido como louco pelos carcereiros, mas com quem muito aprende e busca uma fuga. Uma vez livre, a meta de Dàntes será descobrir a causa de sua injusta prisão e o destino daqueles a quem amava, o pai e a noiva, e acertar as contas que estiverem pendentes. De posse de um tesouro, Dàntes se torna o conde de Monte Cristo, que enterrou o jovem Edmundo no castelo de If anos atrás e agora é rico e tem grande poder, aparentemente, em todas as áreas.
É, sem dúvida, um livro admirável, daqueles que não há como parar de ler até que surja o último ponto final. Dumas mantém suas já ditas características de enredo fácil de ser apreciado e personagens com personalidades facilmente definidas, sem esquecer de mostrar as falhas dos bons e, muito menos, as glórias dos maus, lembrando que somos todos humanos. É tão admirável a postura de Monte Cristo quanto, em algum momento, é lamentável. Festeja-se tanto o fim merecido aos vilões, quanto questiona-se se realmente aquele seria o único caminho. Enfim, Dumas consegue por a nós, leitores, a pensar, não simplesmente aceitar o mocinho perfeito e os vilões as serem destruídos. Não é à toa que O conde de Monte Cristo é um dos mais conhecidos livros de Dumas, que, até onde li, é autor de livros admiráveis.
Não saberia o que mais dizer sem dizer tudo e deixar de falar muito. Um livro, em certo sentido, subjetivo, já que o ato de cada personagem pode ser interpretado de maneiras diferentes; sem deixar de ser extremamente geral. Mas me repito, então melhor parar aqui, finalizando com o real desejo de que, se minha sugestão literária for seguida, seja apreciada por todos, até porquê me parece impossível ser diferente.

Até mais ver, meus caros. Prometo visitas aos blogs assim que possível.

3 comentários:

Jota disse...

Ta aí, eu livro que eu toparia devorar. Ultimamente só tenho tempo de ler os livros da faculdade e os que pedem na igreja e sinto falta de obras assim.

Eu acho fascinante o período medieval, com todos aqueles cavaleiros, reverências e tal, ainda mais por eles se mostrarem vilões e mocinhos ao mesmo tempo. Fiquei interessado nesse livro (já ouvi falar dele, mas nada que me chamasse atenção).

Beijos, se cuida!

VaneZa disse...

Pelo jeito estamos amabas sumidas. rs

Eu não li nada do nobre Dumas, mas é bem capaz de qualquer dia desses eu ir atrás de alguma obra dele só por conta da tua empolgação.

Só não ia ser o O Conde de Monte Cristo, porque eu vi o filme e eu não consigo ler um livro que eu já vi o filme, até consigo, mas... eu perco aminha imaginação... fico atada aos personagens do filme... em fim... é um droga! rs

BeijoZzz

Pandora disse...

A melhor hora para se ler é na madrugada e é na madrugada que chego aqui por indicação da VaneZa e sim, amei a leitura de seu texto...

Já vi o filme "O conde de Monte Cristo", mas sei que um filme é sempre um filme e um livro é sempre um livro...

Também sou fã de Jane Austen, recentemente reli Persuação e acho incrivel a forma como ela constroí os personagens.

Ah, quanto a linguagem dos romancistas do século XIX, a gente termina se acostumando depois do segundo ou terceiro capitulo, no meu caso me acostumei tanto que me apaixonei e esse virou o meu recorte temporal de estudo, néh fogo?!?!?! rsrs

Prazer em te conhecer, cheros e fico na vontade de conhecer "O Conde de Monte Cristo".