quinta-feira, 30 de junho de 2011

O texto que eu gostaria de ter escrito

Recebi essa semana um baita texto por e-mail que trata de algo sobre o qual tenho o costume de pensar: ser feliz à sua maneira, de modo simples, sem grandes ilusões. Não pude resistir a postá-lo, pois realmente gostaria de tê-lo escrito, diz exatamente o que penso.

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Minimamente Feliz

A felicidade é a soma das pequenas felicidades. Li essa frase num outdoor em Paris e soube, naquele momento, que meu conceito de felicidade tinha acabado de mudar. Eu já suspeitava que a felicidade com letras maiúsculas não existia, mas dava a ela o benefício da dúvida.
Afinal, desde que nos entendemos por gente aprendemos a sonhar com essa felicidade no superlativo. Mas ali, vendo aquele outdoor estrategicamente colocado no meio do meu caminho (que de certa forma coincidia com o meio da minha trajetória de vida), tive certeza de que a felicidade, ao contrário do que nos ensinaram os contos de fadas e os filmes de Hollywood, não é um estado mágico e duradouro.
Na vida real, o que existe é uma felicidade homeopática, distribuída em conta-gotas. Um pôr-de-sol aqui, um beijo ali, uma xícara de café recém-coado, um livro que a gente não consegue fechar, um homem que nos faz sonhar, uma amiga que nos faz rir. São situações e momentos que vamos empilhando com o cuidado e a delicadeza que merecem alegrias de pequeno e médio porte e até grandes (ainda que fugazes) alegrias.
'Eu contabilizo tudo de bom que me aparece', sou adepta da felicidade homeopática. 'Se o zíper daquele vestido que eu adoro volta a fechar (ufa!) ou se pego um congestionamento muito menor do que eu esperava, tenho consciência de que são momentos de felicidade e vivo cada segundo.
Alguns crescem esperando a felicidade com maiúsculas e na primeira pessoa do plural: 'Eu me imaginava sempre com um homem lindo do lado, dizendo que me amava e me levando pra lugares mágicos. Agora, se descobre que dá pra ser feliz no singular: 'Quando estou na estrada dirigindo e ouvindo as músicas que eu amo, é um momento de pura felicidade. Olho a paisagem, canto, sinto um bem-estar indescritível'.
Uma empresária que conheci recentemente me contou que estava falando e rindo sozinha quando o marido chegou em casa. Assustado, ele perguntou com quem ela estava conversando: 'Comigo mesma', respondeu. 'Adoro conversar com pessoas inteligentes'. Criada para viver grandes momentos, grandes amores e aquela felicidade dos filmes, a empresária trocou os roteiros fantasiosos por prazeres mais simples e aprendeu duas lições básicas: que podemos viver momentos ótimos mesmo não estando acompanhadas e que não tem sentido esperar até que um fato mágico nos faça felizes.
Esperar para ser feliz, aliás, é um esporte que abandonei há tempos. E faz parte da minha 'dieta de felicidade' o uso moderadíssimo da palavra 'quando'. Aquela história de 'quando eu ganhar na Mega Sena', 'quando eu me casar', 'quando tiver filhos', 'quando meus filhos crescerem', 'quando eu tiver um emprego fabuloso' ou 'quando encontrar um homem que me mereça', tudo isso serve apenas para nos distrair e nos fazer esquecer da felicidade de hoje. Esperar o príncipe encantado, por exemplo, tem coisa mais sem sentido? Mesmo porque quase sempre os súditos são mais interessantes do que os príncipes; ou você acha que a Camilla Parker-Bowles está mais bem servida do que a Victoria Beckham?
Como tantos já disseram tantas vezes, aproveitem o momento, amigos. E quem for ruim de contas recorra à calculadora para ir somando as pequenas felicidades. Podem até dizer que nos falta ambição, que essa soma de pequenas alegrias é uma operação matemática muito modesta para os nossos tempos. Que digam.
Melhor ser minimamente feliz várias vezes por dia do que viver eternamente em compasso de espera.

(Leila Ferreira, jornalista)

6 comentários:

Jota disse...

Quando eu crescer, quero ser assim. Engraçado como um simples acaso fez com que o "mundo feliz" de tanta gente mudasse - eu me incluo nesse mundo.
Esse texto nos leva a ver que os detalhes da vida são a verdadeira felicidade. Eu tinha que ler isso hoje :D


Beijos Aninha, se cuida ;***

VaneZa disse...

Nossa, minha gaúcha preferida, que texto perfeito. Eu tbm gostaria de ter escrito.

Um dos meus momentos mais felizes é quando estou dirigindo e ouvindo música de estourar os tímpanos.

Mas preciso admitir que ainda preciso cultivar mais esses momentos homeopáticos de felicidade... afinal... o príncipe já virou sapo há um bom tempo.

BeijoZzz... saudades de ti.

Dama de Cinzas disse...

Muito bom o texto! Concordo que a felicidade não é um objetivo a ser atingido, mas pequenos momento bons que vão se acumulando. Tanto mais felizes somos quanto mais momentos desses temos.

E é curtir mesmo cada um, porque a vida é como tempo, tá lindo de repente tudo fica nublado e vem a tempestade, depois volta a ficar lindo de novo... rs

Beijocas

Allyne Araújo disse...

sejamos felizes enquanto tivermos a capacidade de enxergar além daquilo q nós é posto superficialmente... lindo texto, linda teoria, e o que mais?!! pura verdade!
bjooo, se cuida!

Nathacha disse...

Adorei!

A felicidade na verdade esta no modo de como levamos a vida...

Seguindo daqui, adorei :)

www.medicinepractises.blogspot.com

Se puder retribuir, ficarei grata.

Um beijo

Nathacha Phatcholly

Maggie May disse...

ja dizia uma dessas musiquinhas meio bregas "Felicidade não existe, o que existe na vida são momentos felizes."
e pronto! quer mais!?
o que melhor que acordar e tomar café , um novo dia, possibilidades, vida acontecendo!?
ler um livro, comprar um cd que você queria tanto, comer brigadeiro, beijar o amado e se nao tiver um, beijar tambem! rs