sábado, 20 de agosto de 2011

O velho e o mar - Ernest Hemingway

Talvez por meu encanto de infância por O velho homem do mar, música de Roberto Carlos, ou pelos comentários do meu pai, independente da razão, a verdade é que por muito tempo olhei para o livro de Hemingway na prateleira prometendo a mim mesma lê-lo. Livro daqui, livro de lá, finalmente o tiro do lugar em que me olhou por anos. Mais um dia encarando-o na escrivaninha e...
O sol pela janela e o frio me fizeram tomar coragem. Nem levantei da cama. Estiquei o braço, peguei o livro, os óculos e pronto: hora de finalmente ler O velho e o mar.
Simplicidade. Essa é a primeira palavra que me vem a cabeça para descrever o livro. Uma história incrivelmente simples e encantadora. O pescador Santiago, o velho que apaixonadamente chama o mar de la mar, com sua humildade se torna admirável instantaneamente. Pelos olhos de Santiago, Hemingway nos mostra uma visão simples e cansada do mundo, o que nos faz parar e refletir.
Depois de 84 dias sem pescar nada, Santiago sai no 85° dia com esperanças, afinal em algum momento as coisas devem melhorar. Despede-se de Manolim, o garoto a quem ensinou a pescar e que verdadeiramente se preocupa com ele, e antes do amanhecer sai acreditando na mudança de sua sorte. O que era para ser mais um dia de pesca, torna-se uma aventura quando um peixe morde uma das iscas de Santiago e, em vez de dar-se por vencido, arrasta o barco por horas, fazendo com que o pescador passe dias e noites dentro do mar.
A história assim descrita pode parecer tola, banal, mas ler nas linhas de Hemingway a fé, os pensamentos e olhar de Santiago nos faz pensar em o que faríamos no seu lugar. Iríamos nos deixar guiar pelo peixe desconhecido e forte ou desistiríamos simplesmente? Até que ponto iríamos? Como nos sentiríamos sozinhos, longe de terra, em um pequeno barco, segurando uma linha com toda a força? Transformando esse peixe em um sonho, talvez fosse mais simples responder. Ou não.
Um livro pra ser lido de uma vez. Com suas poucas páginas e simplicidade, é impossível parar a leitura. Pelo menos pra mim o foi, antes do fim da manhã o livro tinha sido lido. Provavelmente, mais um daqueles livros que, sem pedido, ressurgirão na cabeça e, sempre que isso acontecer, me farão refletir. Uma mostra da simplicidade e do encanto foi o curta inspirado no livro. Sou bem enjoada para adaptações, mas é impossível não achar admirável essa, que ganhou Oscar em 2000 e contou com uma criação artística admirável realmente (vá no youtube e veja a descrição).


8 comentários:

Erica Ferro disse...

Essa resenha me fez ter uma ideia louca.
O barco seria vida; o peixe, o destino; a linha, a nossa vontade de viver.
Certo, talvez não tenha nada a ver com a ideia do livro. Mas pensei nisso, pensei mesmo.
Acho que posso dizer que achei a sua resenha simplesmente encantadora, tal qual você achou o livro.
Vou ver o curta.

Dayane Pereira disse...

Nossa, esse curta é mto bonito, uma animação diferente, linda de se ver.
Saber que cada quadro foi pintado a óleo.. Loucura né!
Mto bom!

Lúcia Soares disse...

Ana, tenho esse livro em casa e nunca o li! Já sei tanto dele, por ouvir falar, que realmente achei que "sabia" da história, mas ler torna tudo mais fascinante.
Assim que voltar com tudo aos seus lugares (fiz uma reforma em minha casa e estou para voltar a morar nela), vou ler, sem dúvida!
Gostei da interpretação da moça aí acima.(Erica)
Deve ser mesmo isso, pensei enquanto lia o post.
Obrigada por me acompanhar no EmQuantos.

VaneZa disse...

Eu tbm tenho o livro na estante e vivo protelando a leitura. E agora depois desse post eu acho que o próximo pequeno que eu vou pegar para ler será ele.

BeijoZzz

Não vou ver o curta pq se não perco a vontade de ler.

Pandora disse...

Eu já vi o curta, achei lindooooo!!!! E com essa decidir ler o livro!!!

Luna Sanchez disse...

Li esse livro com meu pai quando tinha 8 anos. Líamos uma parte a cada noite.

Tenho carinho triplicado por ele pelas lembranças bonitas que me traz.

Um beijo, Ana.

Marcelo disse...

Parece uma boa opção para essa semana fria, vou procurar; Quem sabe o que o velho pescador tem a ensinar á alguém que se concentra no alicerce.
Gostei do blog, abraço.

Cinderela Descaída disse...

Li o ano passado e gostei muito. O Hemingway morou em Cuba e entendia muito de pesca. Comprei um livro de contos dele e há vários sobre pescas.
Uma figura interessantíssima o Hemingway. Escrevi um post sobre ele tempos atrás.
Ah, uma coisa: Sabato. Conheci apenas no ano passado. Vale muito ler O Túnel. E sobre Heróis e Tumbas também. Tem uma parte totalmente delirante, mas é muito bonito.
Beijo,