terça-feira, 20 de setembro de 2011

"Foi o 20 de setembro o precursor da liberdade"

E então chegamos ao fabuloso dia de setembro cantado no hino gaúcho. Uma simples e compreensível explicação da Revolução Farroupilha (ou Guerra dos Farrapos, como queira) aqui, sugiro que passe por lá antes de tudo.
Dois anos atrás, postei alguns dos hinos do RS, além do oficial. Ano passado, o dia foi dedicado ao aniversário de um dos meus maiores ídolos musicais: Wander Wildner. É também aniversário do Frank Jorge, outro grande nome do rock gaúcho, mas hoje, pra manter a ideia e o nível do especial desse mês de setembro, tentarei me superar e fazer um post culturalmente útil e peço que desculpem eventual fracasso de minha parte.


Se tu leu o post que o primeiro link desse texto indica, já tem uma base do que aqui será dito. Se não leu, bem, duvido que o assunto te seja de inteiro desconhecido, afinal a Revolução Farroupilha não foi nada mais, nada menos que, de longe, a maior guerra civil brasileira. Dentre todas as guerras que o imperialismo enfrentou, sem dúvida essa foi a que deu mais trabalho.
Por dez anos o Rio Grande do Sul enfrentou o resto do país pelo simples fato de se ver em situações injustas e, consequentemente, encontrar espaço e força para lutar por mudanças. Bento Gonçalves foi o grande líder dessa guerra e ocupou o lugar de Presidente da República Rio-Grandense, cuja capital era a pequena cidade de Piratini. Inúmeros heróis marcaram esse movimento, dentre os quais Giuseppe Garibaldi, o italiano revolucionário por natureza.
É importante lembrar aqui vários fatos, dentre os quais o envolvimento de diferentes classes nas batalhas. Havia de escravos alistados por seus donos e escravos alforriados. Havia comerciantes humildes e fazendeiros poderosos. Havia os que estavam na linha de frente e os que ajudavam no momento de necessidade dos republicanos, dando asilo e comida. Havia os bugres que, de acordo com Garibaldi*, nada faziam contra os revolucionários, mas jamais poupavam os imperialistas. Havia gente de todas as cores e classes que, de forma ou outra, reconhecidos ou não por aqueles que registram a dita História, foram de fundamental importância nos fatos.
Nem todos os gaúchos, outro ponto importante, eram republicanos. Obviamente, em maioria, tais se exilaram. De qualquer forma, a opção política foi exposta de maneira aberta nas vestimentas. Para os que pouco sabem, a roupa tradicional gaúcha, pilcha, tem, entre outros adereços, o lenço (cujo tipo de nó também é um tanto significativo). Foi-se então estabelecido o seguinte: lenço vermelho > maragato > republicano; lenço branco > ximango > imperialista.
Importante ainda é lembrar que a Guerra não teve vencedores, foi encerrada por acordos, depois de outras tentativas de acerto recusadas por parte de Bento Gonçalves. O que iniciou-se em 20 de setembro de 1835, acabou-se em 1 de março de 1845. Hoje, a data de início da guerra é feriado estadual e conhecida nacionalmente, o que eu lamento, por "Dia do gaúcho".
Como é óbvio, uma guerra de tamanha duração não pode, de modo algum, ser contada em tão poucas linhas, e nem tive por objetivo fazê-lo. Minha intenção foi, simplesmente, dar umas pinceladas sobre a questão e, de alguma forma, fazer pensar aqueles que acham os gaúchos simplesmente bairristas egocêntricos. Essa guerra foi o maior sinal de orgulho que o Brasil já teve, levando em conta que o povo se uniu em busca do que achava ser justo e lutou por mais tempo do que muitos achariam possível. Eis daí, então, que se tira os mais cantados versos do hino gaúcho e que transcrevo abaixo. Antes, porém, vale lembrar do significado das cores da bandeira gaúcha: o verde e o amarelo, lembrando as cores da bandeira do Brasil, são cortados pelo vermelho, uma eterna homenagem àqueles que lutaram na Guerra dos Farrapos.

Hino Rio-Grandense

Como aurora precursora
Do farol da divindade
Foi o vinte de setembro
O precursor da liberdade

Mostremos valor e constância
Nessa ímpia e injusta guerra
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda Terra

Mas não basta pra ser livre
Ser forte, aguerrido e bravo
Povo que não tem virtude
Acaba por ser escravo

____________________________

*"Memórias de Garibaldi", Alexandre Dumas.

6 comentários:

Pandora disse...

Vcs são mesmo uma gente impressionante, estava agora mesmo no blog do meu professor, nem mesmo um profº doutor de uma federal, que está a anos longe do Rio Grande, diga-se de passagem, deixa de no 20 postar algo sobre a "Revolução Farropilha" e dizer que o hino é lindo. Bem, ter orgulho e conhecer sua história é merito sempre néh!

Rebeca Postigo disse...

O que me encanta é ver como vocês são apaixonados pelo seu estado...
Nunca vi algo assim...
É encantador!!!
Belo texto cultural, Chefinha!!!
Huahuahua... =P

Bjs

Luna Sanchez disse...

Irretocável, Ana! Um primor!

Beijo meu.

Tita disse...

Minha querida amiga Jacilene lá de Pernambuco me trazendo ao blog de uma conterrânea rsrsrs
Conheci o RS aos 6 anos de idade e senti que tinha encontrado o meu lugar, virei gaúcha de coração (de saber o hino de cor). Acabei influenciando toda a família a vir morar aqui! Achei maravilhoso justamente esse bairrismo que torna o povo gaúcho uma família... daquelas famílias cheias de defeitos mas apaixonante. Morei alguns anos em outros estados e quando tive um problema de saúde meu medo era morrer longe do RS (são aquelas coisas q passam na cabeça da gente quando está no hospital rsrsrs). Quando voltei não contive as lágrimas de emoção ao ver uma gigantesca bandeira do Estado dentro do Mercado Público, em Porto Alegre.
Adorei o texto! Só uma correção... as datas de início e fim da Revolução Farroupilha são 1835 e 1845 e não 1935 e 1945...
Abraços!

Cacá - José Cláudio disse...

Desde que o Brasil se tornou um estado nacional foram os gaúchos os primeiros a nos enaltecer com a garra nacionalista, identitária e defensora de uma nação, uma república e merecem toda a nossa reverência e parabéns pelo exemplo de luta. abraços.

Ana Seerig disse...

Tita, erro grotesco o meu, mas apenas de digitação. Gracias pelo aviso. =)