domingo, 25 de setembro de 2011

Gaúchos e o futebol

Importante: Tal post virá à luz por demonstração de interesse por parte da Pandora. Sei que muitos não se interessam por futebol, assim como muitos sabem que não costumo falar sobre. É necessário registrar que farei o possível para ser imparcial, já que o objetivo é cultural, mas peço desculpas se deixar à vista meu gremismo, como hoje me disseram, é inegável que eu tenho uma "queda pelo Grêmio".

O futebol é um assunto um tanto delicado no Rio Grande do Sul, se bem que isso não deve ser novidade aos que moram em outros estados. Até onde meus amigos virtuais me fizeram constatar, todos acham que os gaúchos têm grandes tendências homicidas quando o assunto é futebol. Bem, não chegamos a tanto. Claro, como eu todo lugar, há os torcedores insanos, tão encantadores quanto os hooligans, mas, apesar de ter o clássico mais disputado do país (não é constatação minha), o futebol aqui é, a sua maneira, um tema tranquilo.
A verdade é que as raízes do futebol brasileiro estão no Rio Grande do Sul, especificamente em Rio Grande. Em 19 de julho de 1900 foi criado o Sport Clube Rio Grande, primeiro clube brasileiro dedicado exclusivamente ao futebol e que deu certo (tanto que até hoje está em atividade, não no topo do futebol gaúcho, mas está vivo), eis porquê 19 de julho é o dia nacional do futebol.
Os maiores clubes fora do poderoso eixo Rio-São Paulo se encontram aqui: Grêmio e Inter. O Clube que, em 2007, completou 9 anos na elite do futebol sendo, afora o Santos, o único time de interior a estar entre os 24 da série A é daqui: Juventude. Começaram aqui grandes nomes do futebol brasileiro: Émerson, Ronaldinho, Lúcio, Falcão, Renato Gaúcho, Lucas, Anderson, Damião, entre tantos outros. Daqui, são técnicos poderosos na atualidade (mais um link que vale ser conferido sobre o tema): Cuca, Mano Menezes, Felipão, Tite, Celso Roth, Paulo Cesar Carpegiani.
A rivalidade futebolística é sim muito grande aqui. Mais de um experiente jogador já se disse realmente impressionado com os ares de Porto Alegre e energia da mídia em época de Grenal. Outros tantos clássicos gaúchos possuem também tradição e força, como o Caju (Caxias x Juventude) e Brapel (Brasil de Pelotas x Pelotas), por exemplo. São clássicos que são talvez mais disputados fora de campo do que dentro dele, fazendo com que os jogadores sofram uma pressão bem maior que a costumeira (que já é grande).
Os torcedores gaúchos são bastante fanáticos e dificilmente tu poderá encontrar na rua alguém que não tenha um time definido, mesmo que não acompanhe futebol (a influência familiar na maioria das vezes faz com que seja escolhido um clube para se torcer). Uma camisa de um time do eixo Rio-São Paulo não é muito bem vista por aqui (especialmente a do Corinthians) e, dependendo do nível de torcedor gaúcho que tu encontre, tu poderá sim ser analisado e conceituado por ela.
Sim, aqui existe preconceito futebolístico por parte dos mais fanáticos. Eu sou daquelas pessoas que acredita que uma pessoa possa ser analisada por seu time de futebol, não pelo time em si, mas pela personalidade que a faz torcer por tal time. Sim, pode-se descobrir o time de futebol de alguém sem que este assunto entre em pauta, mas isso é algo mais extremo e, apesar de já ter feito alguns acertos na área, não sou especialista. Mas, apesar de defender a ligação personalidade-torcedor, não sou das que defende o preconceito (no entanto, muitos colorados ainda creem que não sofrem antipatia de minha parte por uma questão futebolística, o que - e dessa vez tu pode ter certeza que eu falo sério, mesmo que isso seja quase um milagre, sem qualquer ironia - é mentira).
Dentre os mais tolos preconceitos futebolísticos que vi e, infelizmente, ainda vejo, está o movimento "Anti dupla Grenal", promovido pelos meus conterrâneos, torcedores do Caxias e do Juventude. Claro, entendo que é importante dar força pros times locais (como poucos sabem, não por que eu esconda, mas por desinformação, sou juventudista) e eu defendo essa ideia, mas ainda acho que torcer para um time do estado também é válido. De qualquer forma, acho ridículo o fato de eu temer ser descoberta no Jaconi (estádio do Juventude), reconhecida como (também) gremista e ser linchada. Apoio enormemente que se torça pros times regionais, mas deve-se lembrar aí que diversos fatores influenciam a escolha de um time para se torcer, dentre os quais se destaca há existência de uma razão pra se torcer pra tal time. Creio eu que, torcer por medo de um movimento como o "Anti-Grenal", não é uma razão que dê orgulho a alguém. Movimentos como esse, ao meu modo de ver, só prejudicam os clubes e as torcidas que os apoiam.
E aí entra-se na velha relação futebol-violência, a qual é muito levantada quando o assunto é futebol gaúcho. Como o todo mais, o futebol daqui sofreu grande influência castelhana e, portanto, tal qual uruguaios e argentinos, os times gaúchos por vezes tem como um dos adjetivos mais recebidos o "violento". Ao contrário do resto do país (e aí entramos especialmente no eixo Rio-São Paulo), aqui há um certo orgulho de não se fazer o tão amado "futebol arte brasileiro", mas sim o "futebol-força". Jogadores que gostavam de muitas firulas não se adaptaram aqui, técnicos que pouco incentivava o sentimento aguerrido do time logo foram mandados embora, times já foram muito prejudicados por atitudes recriminadas pelo STJD, mas o estilo permanece. Se bem que, vale destacar aqui, que hoje em dia essa área já está mais tranquila, sem grandes escândalos do "futebol-força" x "futebol-arte".
O futebol do Rio Grande do Sul tem uma história como poucos estado do Brasil (vale dar uma lida aqui) e uma torcida única - vale aqui lembrar que foram os gaúchos, sendo o primeiro o Grêmio, que trouxeram a tradição da torcida hermana de cantar em jogos. Grêmio e Internacional são dois dos maiores clubes brasileiros e possuem uma história de títulos e rivalidade invejada por muitos. Juventude, Caxias, Rio Grande, entre outros times fazem também a história da bola no pé de estado. Grandes nomes saíram dos pampas e levaram o nome do Brasil pelo mundo. Grandes fatos colocaram times gaúchos na história do futebol. Grandes torcidas, grandes histórias. Grande é o futebol do Rio Grande do Sul.

4 comentários:

Pandora disse...

Amei... Tá vendo, nem doeu!!! Sou super curiosa da saber como as pessoas nos vários lugares do Brasil lidam com o futebol, eu sou apaixonada pelo Santa, vc sabe néh, Ana, cruze os dedos pra esse ano ao menos a gente subir para a série C, sofrimento viu, dor viu, angústia!!! Enfim, sou muito mais fã do futebol força do que do futebol arte, acho Neimar um prego com aquelas firulas, enfim... Super amei o post \o/

Tita disse...

A Ana não queria fazer o post e acabou dando uma aula maravilhosa sobre o futebol gaúcho!!! Só para comprovar como as mulheres gaúchas acabam envolvidas pela torcida que esse esporte provoca. Sou colorada, mas minha família não influenciou minha escolha. Foi por uma questão histórica, do preconceito que o Grêmio tinha contra jogadores negros. Sei que isso aconteceu há muito tempo e não digo que os atuais gremistas fossem concordar com isso, mas para mim esse fator foi fundamental.
Não sou fanática, só de vez em quando acompanho meu time, mas acho muito mais atraente um homem com a camiseta colorada (Internacional) rsrsrs E, coincidência ou não, não lembro de ter namorado um gremista, brinco dizendo q não dá pra sentir atração por um homem de "azul calcinha" :)

Luna Sanchez disse...

Não entendo patavina de futebol. Gostei de ler teu texto assim, como leiga assumida que sou, achei uma gostosura, Ana.

Um beijo.

Ideias de canário disse...

Oi, Ana
Fico muito contente quando encontro gaúchos na blogosfera, nas primeiras linhas de qualquer post já dá pra sentir o gauchês.
Adorei teu blog e te convido para visitar o Ideias de canário, o blog que cultivo como meu amor pela literatura. A propósito, meu post mais recente é sobre futebol(amado).
Faz uma visita, se gostar, segue, comenta, fica à vontade. Tem a promo "Rumo aos 100 amigos das ideias" no ar, "te aprochega".
bjokk,
Cármen Machado