quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Porquê eu escrevo

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Coragem pra reagir
Coragem pra crescer
Coragem pra decidir
Coragem pra viver
...
Coragem pra cair
Coragem pra levantar
Coragem pra discutir
Coragem pra ganhar
...



Meu último post aqui e um sobre feminismo lá no Gurias fizeram com que várias pessoas se pronunciassem a respeito, seja comentando nos respectivos posts ou falando diretamente comigo em twitter ou facebook. Ouvi elogios e críticas, mas o que eu mais valorizei foram os debates.
Elogios são bons para se perceber que, afinal de contas, tu não é a única pessoa a pensar de certa forma. Críticas são ótimas desde que bem argumentadas. Mas o debate é a união dos dois lados: ele te proporciona ver outros lados, te dá oportunidade para defender uma ideia e, ao fim de tudo, deixa claras questões nas quais tu não tinha pensado e que, mesmo que inconscientemente, te influenciarão em conversas sobre o mesmo ou outros temas. Ou seja, o ato de debater te proporciona um crescimento.
Infelizmente, no entanto, nem todas as pessoas estão abertas a isso, abertas a ouvir e analisar outras visões. Sem grandes detalhes, digo que, por me meter a falar em feminismo, me encontrei numa situação extremamente desagradável, movida por falta de argumentos e de respeito, mas cheia de ironias. Me senti terrivelmente chateada por isso. Quem teve conhecimento do caso, sabe que eu estive aberta a um debate, uma troca de ideias, e procurei abusar do respeito, o que, no entanto, não foi recíproco.
Depois de algumas conversas, acabei por descobri o que me chateava nessa situação e, consequentemente, o que me faz parar e escrever sobre certas coisas. Me decepcionou descobrir que há pessoas que se prendem demais a certos conceitos e ideais (coisa com a qual não concordo, mas isso é papo pra outro dia) e que não estão abertas a questionamentos, que é o que eu busco com alguns dos meus textos e conversas por aí. Penso eu que questionar é provar que se quer crescer como ser humano, aceitar respostas prontas e se prender a elas é, pra mim, um pecado gigantesco que cometemos com aquilo que, supostamente, nos torna animais racionais: o cérebro.
Há pessoas, sim, que gostam de reclamar de tudo, mas não param pra argumentar e mal sabem justificar o que dizem, especialmente na internet, como bem lembrou a Dama de Cinzas. Tenho muito medo de estar nesse grupo, mas acredito que não. Por quê? Bem, não estou aqui pra botar a boca no mundo, pra expor uma verdade absoluta ou coisa do gênero. Meus textos são resultado, em maioria, das mil e uma coisas que giram nos meus pensamentos, do que observo e leio. Ideias que, por vezes, não tenho oportunidade de debater cara a cara com alguém. Coisas, que, então, se transformam em textos que jamais me satisfazem completamente e vêm parar aqui, nesse beco obscuro da internet.
Meu objetivo, então, é dar vazão a essas coisas que eu remoo de tempos em tempos, em momentos de ócio e distração. Não tenho como objetivo, de modo algum, modificar ideias e, muito menos, insultar alguém, longe disso. Não tenho objetivo nenhum relacionado a quem lê. O mínimo que espero, e que, se consigo, me deixa muito feliz, é que quem leia pare e pense um minuto naquilo. Questione. Não quero que concorde ou discorde simplesmente. Quero que reflita e crie sua própria opinião, que esta seja exposta com argumentos, que mostre dúvidas, que mostre saber que jamais saberemos de tudo, que jamais encontraremos uma verdade absoluta.
E então de que serve questionar se o melhor é não se satisfazer com uma única resposta? Serve pra ampliar tua visão, teu pensar, teu entender de mundo. Serve, especialmente, pra que tu não se dê os limites que uma resposta perfeita dá. Serve pra ir além. Afinal, de que adianta encontrar todas as respostas? E depois? Como dar o próximo passo? O melhor da vida, penso, é encarar o medo, o tédio, a dúvida, o receio, porque só então poderemos e saberemos valorizar a alegria, a amizade, o amor, o sucesso. De modo simples, qual seria a graça do futebol se não houvessem as derrotas?
Quero, então, pedir desculpas sinceras a quem, porventura, ofendi; agradecer a quem acha que algumas palavras desalinhadas que eu escrevo merecem a exposição de uma opinião e de um início de debate; e dizer que continuarei fazendo o que faço, dispensando quem busque apenas ofender a mim ou aqueles que aqui expõem o que pensam e/ou questionam. É uma básica questão de respeito.

5 comentários:

Pandora disse...

Ah Ana eu tenho uma profunda admiração por vc!!! Uma guria arretada, sincera, sem pantinho... Vi umas coisas desagradeveis no face em relação ao post sobre feminismo, sinceramente achei aquilo de uma infantilidade sem limites e de uma rudesa desnecessaria!!! Mas, francamente, se apegue a quem gosta de ti, respeita sua opinião e tem educação e maturidade para debater contigo!

Cheros e continue a escrever pq esse é um dos melhores "becos escuros" rsrs que a nete nos oferece!!!!

Artur César disse...

não sei o que aconteceu, mas assim como vc já me vi no meio de discussões com pessoas e as suas verdades unilaterais. Perdi por um tempo o medo de ser soberbo e pretensioso e tentava trazer pro outro lado do prisma a pessoa, pra que se desse conta de que existem muitas verdades e a que ela(e) escolheu não é o centro de toda uma situação, mas topamos com egos, com vaidade e que humildade e orgulho do outro, não permite que seja corrigido por um semelhante, e por mais que o seu argumento seja significativo, a "verdade" do outro sempre deixa uma coisa por ser dita. Hoje em dia eu respeito o tempo desse meu próximo, quando vejo falar alguma bobagem, afinal eu sou responsável pelos meus atos, pelos meus dizeres, e torço pra que meu próximo aprenda rápido, para que não fique na "sombra" por muito tempo!

Bill Falcão disse...

Oi, Aninha, tá boa? Li este post aqui e os dois citados. Acredito que o importante é o que você resume como "parar para pensar a respeito". A história do movimento feminista, por exemplo, é longa. Nos anos 60, a coisa era diferente. Hoje, como você mostrou muito bem, praticamente tudo mudou. Eu me lembro de ter feito uma redação na escola, anos atrás, apoiando o movimento feminista dos anos 60, mas pedindo que "as mulheres não se contentassem apenas em trocar de lugar com os homens". Porque o mundo continuaria injusto como sempre, só que seriam as mulheres que dariam as cartas. Eu imaginava um mundo onde as mulheres conquistassem a sonhada igualdade e, se possível, fossem além, que mudassem as estruturas, que não repetissem os erros dos homens.
Mas, pouco depois, vi mulheres se dizendo independentes e, no entanto, não aceitavam, por exemplo, dividir uma conta de bar. Diziam que isso era "coisa de homem". Não entendi. Se a mulher era independente como dizia, qual o problema dela dividir a conta do boteco?
O que significava, na cabela daquela mulher, a palavra "independência"? Então, passei a defender menos o movimento feminista. Fiquei pensando que elas já tinham conquistado o que queriam. Mas o mundo continuava o mesmo. Só que agora eu não teria mais UM chefe, e sim UMA chefe.
Claro que estamos falando de classe média pra cima. Para o povão mesmo, que acorda de madrugada, ganha salário mínimo e nem sabe ler, o mundo sempre foi uma coisa só. Nada muda. Mas eu os admiro.
E um bjooo!!!

Dona Coisinha disse...

Putz, escrevi um comentário todo fundamentado e bonitinho... e minha conexão caiu e perdi tudo kkk
Melhor pra vcs, q vou resumir:
Ana, ainda bem q temos opiniões diferentes, temos em nossa bagagem diferentes filmes, livros, músicas e influências... nunca nos falta assunto! E trocando idéias acabamos descobrindo muitas coisas em comum tb.
Parabéns pela coragem de expor tuas idéias. Guria, já estou curiosa para ver o que vc anda aprontando para os próximos posts!

Luna Sanchez disse...

Que chato, Ana, eu não sabia que tinha acontecido isso. E justamente num texto teu, tão bem escrito, fundamentado.

=\

Que bom que chegou a essa conclusão, é a correta sim.

Um beijo.

* Tenho sentido a tua falta no passarinho.