sábado, 12 de novembro de 2011

"É tua sorte que não tá fluindo..."

Dentre as grandes aventuras diárias da vida, uma das mais preocupantes, sem dúvida, é buscar por um lugar. Estar numa cidade nova e encontrar um lugar específico é, sem dúvida, algo que necessita de coragem ou, ao menos, uma língua disposta a pedir informações (coisa que nem todos têm, o que torna a coragem extremamente necessária). Ah, sim, e é preciso sorte também, coisa que faltou a heroína dessa fabulosa e real história que venho aqui contar.

Nova na cidade, nova na universidade, segundo dia de aula. Onde seria o bloco T? Era necessário saber, já que sua aula seria lá. Como sempre acreditou que quiosque de informações existem por alguma razão, nossa loira e encantadora personagem para lá se dirigiu na busca de comandos para alcançar o seu destino.

- Sai daqui e segue reto à esquerda.

Resposta simples da atendente. É, talvez no quiosque de informações as pessoas não estivessem tão informadas quanto ao seu papel ali. Não sabiam o que ela imaginava saber e ser certo: Pessoas do quiosque de informações devem sorrir, estar disponíveis e não deixar que aqueles que os questionem saiam de sua presença com alguma dúvida. Ao menos a moça que a atendeu não pareceu ligar para sua cara de dúvida ao ouvir tão simples resposta.

Como a personagem dessa história é muito simpática e não teme fazer perguntas, não se preocupou. Saiu do tão encantador e pouco eficiente quiosque de informações e seguiu pela direção indicada.

Andou.

Passou por uma cascata artificial ou fosse lá o que fosse.

Andou.

Um gigantesco estacionamento.

Andou.

O teatro, ao qual, supunha, pertencesse o estacionamento.

Andou.

Andou.

Nada de bloco T.

Uma senhora vinha no sentido contrário.

- Licença - nossa adorável personagem disse -, a senhora poderia me informar onde fica o bloco T?

- Ah, desculpa, querida, não posso. É a primeira vez que venho aqui.

Mas, como toda boa heroína de aventuras, a nossa não se acovardou e seguiu adiante.

Dinossauros: Museu de Ciências Naturais.

Aquário.

Opa, uma moça pelo caminho!

- Com licença - disse nossa encantadora personagem -, tu...

Foi interrompida.

- I don't speak portuguese.

É, a sorte não estava com ela. Mas isso não a desanimou! Usou de sua astúcia e formulou, às pressas, a pergunta em inglês.

- Know you where is block T?

- Sorry, I don't know.

Um sorriso de agradecimento e sigamos. Uma curva e, logo após, mais um vivente:

- Com licença...

Não se preocupou em terminar de falar, ao abrir a boca, aquele a quem questionou fez gestos mirabolantes e então ela entendeu: um surdo-mudo.

Sorte, sorte, onde estais tu?

Continuou a andar. O que mais poderia fazer.

Ah! Uma porta!

Sem perder tempo, nossa heroína entrou com emoção, quem sabe ali alguém pudesse lhe informar.

- Com licença - pediu à moça atrás do balcão -, tu poderias me dizer onde fica o bloco T?

Sem saber da aventura passada por aquela que a questionava, sem saber de quão aflita estava, a moça disse, por trás do balcão, sem mostrar emoção com a pergunta e, ao que pareceu à esperançosa heroína desta história, um tanto seca:

- É aqui do lado.

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Baseada na emocionante aventura vivida e narrada a mim por Daniela Vidor (e romanceado e publicado com a devida autorização dela).

Local de tal aventura: UCS.

7 comentários:

Luna Sanchez disse...

Super me identifico.

Até hoje me perco no Iguatemi, Ana. Levo mais tempo tentando chegar ao estacionamento do que comprando.

Sou dessas tontas.

:p

Beijos.

VaneZa disse...

Xô te contar... meu primeiro dia da faculdade foi a mesma coisa. Eu tinha a primeira aula às 7:00 h e só achei a faculdade às 10:00. Como a Universidade que eu estudei tem vários núcleos em bairros diferentes, eu fui parar no bairro errado, rodei e rodei até um professor meu da escola aparecer por lá e me dizer que meu curso ficava na outra sede, em outro bairro, a um hora de distância dali. (É 'A uma hora' ou 'HÁ uma hora'? Vou deixar com A mesmo)

BeijoZzz

Dama de Cinzas disse...

Eu já disse no meu blog que morro de medo de me perder em lugares que não conheço. Mas não é um medo simples, é uma fobia que quase me paralisa, que me faz ter pesadelos com isso e que me prejudica na hora de fazer qualquer viagem. Sempre tenho que lutar contra isso. Não sei o porquê dessa fobia mas sei que ela é bem real.

Já a personagem dessa história narrada, não teve muita sorte com as pessoas que encontrou pelo caminho...

Beijocas

Dayane Pereira disse...

haha isso acontece mesmo, é mais comum do que pensamos. Comigo acontece sempre no centro da cidade, e nesses shopping e faculdades que mais parecem uma cidade a parte, hahahaa

Anderson Kravczyk disse...

mulheres, sempre perdidas *--* hahaha. Amo-as =D

Christian V. Louis disse...

Há pessoas que possuem uma facilidade inimáginável de se perderem, minha irmã é uma destas, quando saímos só me falta carregá-la pela mão feito criança para que não se perca (um detalhe que deve ser enfatizado: ela tem 15 anos!), pois a criatura se perde no shopping, se perde dentro de qualquer lugar novo (ou não). Ahah, este post me fez lembrar imenso das peripécias de minha irmã perdida.
Muito bom o conto Ana.

Allyne Araújo disse...

Eu não tenho essa facilidade de me perder, mas eu hein? que povo sem graça! no lugar dela eu ja tava chorando de tao absurdo que é essa falta de cooperação do povo.. Logo no primeiro dia! No meu minha tia que me levou. detalhe: a gente estudava na mesma faculdade e as salas eram do lado uma da outra. bjooooo