quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Somos influenciados (?)

Acho tocante o modo como seres pensantes aceitam toda justificativa que tenha "influência" na explicação para a causa de uma questão social. Somos todos lindamente influenciados. Ou é pela mídia, ou pelo vizinho da esquina, pelo medo da violência, por isso ou por aquilo. Não temos o que fazer, somos reconhecidamente manipulados.
Não, não vou dizer que certas coisas refletem em nossas escolhas e modo de pensar, direta ou indiretamente elas influenciam, mas isso não é regra total, não é a razão para todos os problemas do mundo. Os problemas do mundo encontram-se na parte do "deixar influenciar-se", na parte do "não questionar, apenas aceitar".
Vamos a um exemplo fácil: música. Na minha família tive uma influência musical, minha época como ouvinte de rádio me mostrou outras coisas. Eu podia simplesmente ter me prendido a uma e dito "fui influenciada". Mas não, não é assim. Tirei de cada uma o que realmente me agrada e busquei coisas novas. Simples assim.
Tive que ouvir ainda que as pessoas que fumam podem não ter real conhecimento do que o cigarro tem em seu conteúdo e o que pode causar ou que as pessoas preferem dizer a si mesmas que não sabem e afogar o caos da sua vida causado pela sociedade capitalista e não sei o que mais na nicotina. É fácil assim, né? E a vontade própria de ir atrás de informações? E a vontade de reconhecer seus próprios problemas e buscar resolvê-los em vez de usar qualquer tipo de droga (lícita ou não, com ou sem receita médica) para esquecê-los?
É realmente bonito ver como as pessoas sabem e aceitam a explicação de "somos resultado do mundo cruel e manipulado em que vivemos". Todo mundo aceita isso, conclui fácil que isso é triste e deixa assim? Não estou falando de começar uma revolução gigantesca, mas sim de mudar a si mesmo e parar de aceitar desculpas tolas. Pare, pense e aceite suas falhas e virtudes, mudando conforme lhe for possível. Sim, admitir erros e mudar não é fácil, mas é mais desejável do que viver comoda e teimosamente uma vida que não lhe agrada enquanto culpa o mundo cruel em que seus pés estão pisando.

13 comentários:

Allyne Araújo disse...

Acho q é uma questão de atitude tb. Que somos influenciados isso é verdade, a vida toda foi assim e sempre será, mas também, é preciso antes de mais nada perceber que certas coisas porque "sao tidas como naturais" devem ser questionadas e vistas a fundo... mais ou menos isso. É uma boa reflexão esta Nana.. bjooooo e se cuida!!!!

Pandora disse...

Como sempre um bom texto, quando eu li o titulo pensei: "Claro que somos influenciaveis" e vc reafirmou essa ideia!

Somos influenciados pelo o que lemos, pelo o que ouvimos, por nossos amigos sim, mas até isso nós escolhemos, nós escolhemos que livros vamos ler, que amigos vamos ter, o que vamos ver e ouvir... A mídia manipula sim, mas nós escolhemos ser manipulados ou não, dizer que não é supor que os seres humanos são robozinhos mecanicos previsiveis e isso não condiz com a realidade, nada é mais imprevisivel que gente!

Então é super boa ideia parar com essa história de culpar outros pelo o que somos, pq a vida acontece na gente e a gente acontece na vida!!!

Cheros Ana, Menina Velha!!! Vi a homenagem que a Allyne fez pra ti em Março e o da Ericona, super tua cara apasiguar animos rsrs

Luna Sanchez disse...

Gente que se faz de vítima e não assume o comando da própria vida não merece o meu respeito.

Ignoro solenemente.

Um beijo, Ana.

Jota disse...

Isso acontece principalmente dentro das igrejas, ou com qualquer tipo de liderança que temos. Professora diz: é melhor usar o lápis azul do que o preto. Por quê? (Ninguém pergunta)
O pastor fala: Temos que dar o dízimo. Por quê? (Ninguém pergunta).

Enfim, somos manipulados porque não sabemos questionar. Ou sabemos e não queremos. Ou não temos oportunidade. Ou tudo junto.

Beijos Aninha, se cuida :D

Christian V. Louis disse...

É o que costumo chamar de "a síndrome do coitadinho" e que acometem a muitos. Estes dias escrevi um post a respeito, de que agora o modismo é que toda tristeza que poderia ser simplesmente resolvida com uma boa conversa, uma boa companhia, acaba na doentia crença de confundi-la com depressão, e a indústria farmacêutica agradece, pois os psiquiatras pouco se importam, fazem uma avaliação superficial e a pessoa sai com o rótulo na testa de bipolar, depressivo, que sofre de TOC e o pior: acha isto bonito!
Por que acham isto bonito? Pois assim, qualquer merda que fizerem, obterão este escudo protetor do rótulo, da "doença".
Odeio extremismos, nem toda tristeza é depressão, nem um "cala a boca" meio gritado é bullying.
Assim como não consigo compreender o modismo do tumblr de se cortar os pulsos para fotografá-los. Antes pessoas cortavam os pulsos em tentativa de suícidio, hoje é para fotografar no tumblr e fazer com que pessoas sintam penas delas. Não acredito em todo drama que leio e vejo. Não penso que uma pessoa deveras doente com algum transtorno de personalidade que leve-a a se cortar, tenha consciência de pensar: "Legal, vou pegar a minha câmera e postar no tumblr".
Ninguém está isento de cair no fundo de um poço, mas pode fazer a opção de permanecer nele, tentar sair ou cavar mais fundo.

Rogério Soares disse...

Um jovem escritor modernista português escreveu o seu grito de revolta contra as convenções e todos os discursos manipuladores... Leio entusiasticamente o Cântico Negro de José Régio... conhece-o?

segui o link de um de seus maiores declamadores:

http://www.youtube.com/watch?v=qKyWRJZnu2o

Aproveite e leia também o poema:

http://www.releituras.com/jregio_cantico.asp


Obrigado pela visita ao meu blog, fiquei encantado.

Rogério Soares disse...

Ana,

O autor em questão (o politicamente correto e a literatura) é o norte-americano Philip Roth. Talvez você se interesse por ele. Quanto ao livro, A marca humana, teve uma boa adaptação para o cinema com Antony Hopkins no papel de Coleman Silk professor que é acusado de racismo por um tribunal politicamente correto. Recomendo o filme e o livro. Um abraço.

Rogério Soares disse...

Agradeça a Tita pelos elogios imerecidos....

Leandro Cruz disse...

"Ninguém está isento de cair no fundo de um poço, mas pode fazer a opção de permanecer nele, tentar sair ou cavar mais fundo." Boa

sempre que algum amigo meu aparece com isso de to sem animo com minha vida, comigo mesmo e etc... ou até mesmo quando eu me pego nesses momentos dawn, eu dou e me dou ums tapas ( não literalmente) e digo, muito bem, agora só precisa continuar e engolir o choro!

Dama de Cinzas disse...

Acho que tudo que está em nossa sociedade é para ser contestado, tem que passar pela nossa crítica, senão nossa inteligência não terá servido pra nada e a gente vive por viver.

Eu sou altamente contestadora, sempre fui e isso me faz sofrer mais do que traz alegrias imediatas, no entanto ao final de tudo minha vida melhora de alguma forma e o saldo é positivo.

Beijocas

Tita disse...

Ótimo texto! E temos realmente em comum a questão da música. Eu tinha preferências musicais muito definidas. Quando resolvi conhecer coisas novas e ampliar meu repertório musical (não sei se foi causa ou efeito rsrsrs) iniciei uma fase de questionamentos mais amplos na minha vida. Mas começou pela música...
E concordo plenamente com o Christian V. Louis! As pessoas estão se anestesiando para não sofrer dores existenciais. E com isso perdem a oportunidade de amadurecer, de crescer e criar resiliência para sofrimentos futuros. Deixam de conhecer a si mesmas e por isso se deixam influenciar facilmente, deixam de questionar o que vem de fora pq não sabem o q tem dentro de si.
Ah, Rogério Soares... elogios mais q merecidos. Mas to cobrando um post sobre o Henry Miller... só encontrei um trechinho no post da Maria Bethânia.

VaneZa disse...

Eu acho que vc disse tudo, guria. Nós somos influenciados, sim, mas temos ainda o direito de escolha. E dependendo da influência é a te interessante eu gosto de muitas músicas por influência dos meus pais e isso eu acho maravilhoso... essa herança que eles me deram.

Assino em baixo também. rs

BeijoZzz

M.M. disse...

Outro dia comentei que não gosto que concordem comigo para me agradar ou por preguiça de contestar. Algumas pessoas se acostumaram a não ter opinião, pulam o buraco e nem o veem mais. Tudo torna-se automático. Acostumaram-se a nada.
Gosto que me desafiem.
Assim como a vida sem paixões e desafios me dá sono.
Arrumar desculpas, é fácil.



MM