segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Alexandre Dumas, pai

Como muitos sabem (ou não), se tem um escritor que admiro a valer é Alexandre Dumas, pai. Ele é autor de, entre outros belíssimos livros, "Os três mosqueteiros", meu livro favorito (apesar de eu odiar ficar espalhando isso por aí, ainda mais tendo Erico Veríssimo, Tolstói e outros na jogada). De qualquer modo, meu surto por Dumas anda tão extremo nos últimos tempos que, sem falar muito sério, disse à Pandora (que não conhecia Dumas, veja que pecado!) que faria um mês dedicado à ele, a exemplo do que fiz em setembro aqui. Ela me cobrou e, já que não tenho razão para ignorar um pedido dela, começa a partir de hoje o mês dedicado à Alexandre Dumas, pai, com resenhas especias pra trilogia "Os três mosqueteiros" e suas personagens principais; sorteio da mais bela edição que já vi d'Os três mosqueteiros e, entre outras coisas, a biografia dele, que, aliás, ganhará espaço a seguir.
Ah, se a série é feita por incentivo da Pandora, ela é dedicada ao Fernando, único ser até hoje que compartilha sincera e naturalmente do meu fascínio por Dumas.

Alexandre Dumas, pai, nasceu em Villers-Cotterêts, na região francesa de Aisne, em 24 de junho de 1802. A razão do mês temático não ter começado no dia primeiro é simples: Dumas faleceu em 05 de dezembro de 1870, ou seja, há 141 anos. Seu nome de batismo era Alexandre Davy de la Pailleterie Dumas e tinha como avós o Marquês Antonie-Alexandre Davy de la Pailleterie e uma escrava negra (não se sabe se liberta ou não) chamada Maria Césette Dumas. Sua descendência negra sempre o acompanhou, sendo vítima de preconceito por alguns.

Filho de um general napoleônico, Thomas Dumas, Alexandre ficou órfão de pai, o que fez com que passasse por dificuldades na juventude. Aos dezessete anos foi trabalhar em um cartório de um amigo da família, Mennesson, que reclamava que o jovem lia mais do que escrevia, destacando-se em suas leituras, entre outros, Voltaire.
Mudou-se para Paris em busca de uma vida melhor, onde começou a escrever peças de teatro que lhe trouxeram estabilidade financeira suficiente para viver como escritor. Seus primeiros sucessos no teatro foram Henrique III e sua corte (1829) e Christine (1830). Após o sucesso no teatro, Dumas montou um estúdio para produzir folhetins para jornais, sendo que tudo que era escrito por seus auxiliares era sempre avaliado por ele.
Em 1940 lançou Os três mosqueteiros, romance que lhe rendeu sucesso internacional e foi transformado em trilogia, sendo seguido dos livros Vinte anos depois (1845) e O visconde de Bragelonne (1848), do qual faz parte a conhecida história d'O homem da máscara de ferro. Também em 1940 foram lançados dois outros grandes sucessos: O conde de Monte Cristo e Os irmãos corsos. Com o grande sucesso de vendas, Dumas viveu tranquilamente viajando às vezes e escrevendo muito. (Lista de obras dele aqui)
Mesmo após ter casado com a atriz Ida Ferrier, em 1840, Dumas manteve casos com outras mulheres, sendo pai de pelo menos três filhos fora do casamento, dentre os quais o autor de A dama das camélias, que recebeu seu nome, o que explica o uso das palavras "pai" e "filho" para distinguir os autores. Por questões políticas, Dumas morou também na Bélgica, na Rússia e na Itália (onde lutou pela unificação do país e, através de amigos comuns, conheceu Giuseppe Garibaldi, que lhe entregou seus manuscritos de batalhas - dentre as quais a Guerra dos Farrapos - e permitiu que elas fossem publicadas).
Alexandre Dumas, pai, faleceu em Puys, perto de Dieppe. Michel Lévy Frères publicou todas as obras de Dumas de 1860 a 1884 em 177 volumes, contendo as 91 peças escritas além dos romances. Até 30 de novembro de 2002 o corpo de Alexandre Dumas permaneceu no cemitério de Villers-Cotterêts, quando o presidente francês Jacques Chirac ordenou a exumação do corpo que, numa cerimônia transmitida pela televisão, foi levado para o Panteão de Paris, o grande mausoléu onde filósofos e escritores franceses estão sepultados. Na cerimônia, o caixão foi carregado por quatro homens vestidos de mosqueteiros representando Athos, Porthos, Aramis e d'Artagnan. Chirac reconheceu que Dumas foi vítima de racismo e que enterrá-lo junto a Victor Hugo e Voltaire era uma forma de corrigir o erro. Em seu discurso, o presidente francês disse: "Contigo, nós fomos d'Artagnan, Monte Cristo ou Balsamo, cavalgando pelas estradas da França, percorrendo campos de batalha, visitando palácios e castelos -- contigo, nós sonhamos."


Mais fotos da cerimônia aqui.

Pesquisa feita: aqui, aqui e aqui.

Ah, e uma última questão. Lembra do debate sobre a propaganda de banco em que o Machado de Assis foi representado por um branco? Bom, mesma discussão aconteceu sobre Dumas ser representado nos cinemas por Gerard Depardieu, um ator branco. Veja aqui.

7 comentários:

Pandora disse...

Eu me arrepiei!!! Ana se nós convivessemos vc com certeza iria me falar todos os dias sobre Dumas e eu ia escutar com toda a atenção do mundo os detalhes das histórias, nós não convivemos na vida concreta, mas putz muito obrigada mesmo por ter atendido ao meu pedido!!!

Que loucura é essa nega? Então Dumas era negão, amei isso \o/ Caraca, eu sempre soube que os negões são os melhores, sempre tive amores negros, pai, primeira paixonite, namorado mais querido, até na literatura a grande maioria dos meus amores são negões, tenho que ler Dumas... tenho que ler Dumas... tenho que ler Dumas... três vezes que é para você sentir o quanto estou ansiosa \o/

P.S.: Opa, não é só pq ele era tipo um filho de mulher negra, mas tb por todos os motivos que vc me deu \o/

VaneZa disse...

Nem vou comentar o porquê de gostar também dos negões porque aqui nesse blog só tem menina decente. rs

Eu também fiquei toda arrepiada, principalmente na parte que fala sobre o caixão ter sido transportado por homens representando os mosqueteiros.

Ficou perfeito! Dia desses tava falando pro meu marido que queria ter filhas como vocês duas.

BeijoZzz

Luna Sanchez disse...

Eu gosto da forma como promove as tuas paixões, Ana.

=)

Um beijo.

Fernando Viana disse...

Sabe, eu curto demais o Dumas.
Sem contar que ele escreveu dois livros que são verdadeiros clássicos.

Dumas forever \o/

Não acho que a escolha do Depardieu seja errada e com a assunto do Machado acho a mesma coisa. Uma coisa é campanha publicitária, outra é a realidade. O ator Milton Gonçalves interpretou um personagem que era alemão loiro e de olhos claros. no entanto, ele é negro. O personagem era ninguém menos que o pai de Anne Frank. Acho que vai mais da interpretação. Muito barulho por nada, já dizia o poeta.

Beijo!

Pandora disse...

Eu já acho que era pra ter mais barulho, não pesa sobre os brancos tudo o que pesa sobre os negros!

Luiza Padovezi disse...

Curti muito e gostei muito do jeito que vc conseguiu transmitir informação e paixão!
bjo bjo

Dayane Pereira disse...

Huum, bom... eu... eu não conhecia! Já ouvi falar sim, claro, mas não me lembrava/sabia que ele quem escreveu os três mosqueteiros!
Mas quero acompanhar essa série especial sobre ele!