sábado, 21 de janeiro de 2012

Tipos de homens

O romântico (1918)

Há uma variedade enorme de homens cujo olho inevitavelmente exagera o que vê, cujo ouvido ouve mais do que a orquestra toca e cuja imaginação duplica ou triplica as informações captadas por seus cinco sentidos. É o entusiasta, o crédulo, o romântico. É o tipo de sujeito que, se fosse um bacteriologista, diria que uma mísera pulga é do tamanho de um cachorro são-bernardo, tão bela quanto a catedral de Beauvais e tão respeitável quanto um professor de Yale. 

O cientista (1919)

O valor dado pelo mundo aos motivos que levam os cientistas a fazer isto ou aquilo é frequente e grosseiramente injusto e inexato. Considere, por exemplo, dois motivos: uma mera curiosidade insaciável e o desejo de fazer o bem. O último é considerado muito mais importante que o primeiro e, no entanto, é o primeiro que aciona um dos homens mais úteis que a raça humana produziu até hoje: o pesquisador científico. O que realmente o desperta não é a ideia de prestar um serviço de araque, mas uma sede ilimitada e quase patológica de penetrar o desconhecido, de descobrir o segredo, de chegar aonde nunca se tinha chegado. Seu protótipo não é o do benfeitor que liberta seus escravo, nem o do bom samaritano que levanta os caídos, mas o sabujo farejando furiosamente em busca de infinitos buracos de ratos.

O parente (1919)

A normal antipatia do homem por seus parentes, principalmente pelos de segundo grau, é explicada pelos psicólogos de várias maneiras torturantes e improváveis. A real explicação me parece muito mais simples. Reside no simples fato de que todo homem vê em seus parentes (especialmente seus primos) uma série grotescas caricaturas de si próprio. Eles exibem as qualidades dele deformadas para o máximo ou para o mínimo; dão-lhe a impressão de que talvez seja assim que ele próprio se mostra ao mundo, e isso é inquietante - e por isso ferem o seu amour propre e lhe provocam intenso desconforto.

O contraparente (1920)

O homem detesta os parentes de sua mulher pela mesma razão de não gostar dos seus próprios, ou seja, porque eles lhe parecem grotescas caricaturas daquela por quem ele tem respeito e afeição, ou seja, sua mulher. De todos eles, a sogra é obviamente o mais repugnante, porque ela não apenas macaqueia sua mulher, mas também porque antecipa o que sua mulher provavelmente se tornará. Aquela visão, naturalmente, lhe provoca náuseas. Às vezes, a coisa é mais sutil. Digamos, por exemplo, que sua própria mulher lhe pareça uma caricatura de uma irmã mais jovem e bonita. Nesse caso, estando atado à sua mulher, ele pode vir a detestar a irmã - como sempre se detesta uma pessoa que simboliza o fracasso e a escravidão de alguém.

O altruísta (1920)

Uma grande parte do altruísmo, mesmo quando perfeitamente honesto, baseia-se no fato de que é desconfortável ver gente infeliz ao nosso redor. Isso se aplica especialmente à vida familiar. Um homem faz sacrifícios para satisfazer os caprichos de sua mulher, não porque adore desistir da ideia de comprar o que ele realmente quer para si, mas porque seria pior ainda vê-la de cara amarrada à mesa do jantar.

O metafísico (1922)

Um metafísico é alguém que, quando você lhe diz que dois vezes dois são quatro, ele quer saber o que você entende por vezes, o que significa dois, e o que quer dizer são e por que isso dá quatro. Por fazerem tais perguntas, os metafísicos desfrutam um luxo oriental nas universidades e são respeitados como homens educados e inteligentes.

O solteiro (1922)

Ao redor de qualquer solteiro com mais de 35 anos, florescem muitas lendas a respeito das causas do seu celibato. Alguns sussurram que, sendo uma nulidade, sua solteirice estaria prestando um serviço aos não nascidos. Outros fofocam que, aos 26 anos, ele teria se apaixonado perdidamente por uma linda mulher que o trocou por um corretor de imóveis, e isso partiu-lhe o coração para sempre. Tais histórias são, quase sempre, besteiras. A razão pela qual o solteiro mediano de 35 anos prefere continuar solteiro é muito simples. É que nenhuma mulher normalmente bonita e inteligente viu motivo algum para casar com ele.

O filósofo (1927)

Não há registro na história humana de um filósofo feliz: só existem nos contos da carochinha. Na vida real, muitos cometem suicídio; outros mandaram seus filhos porta afora e surraram suas mulheres. Não admira. Se você quiser descobrir como um filósofo se sente quando se empenha na prática de sua profissão, dê um pulo no zoológico mais próximo e observe um chipanzé na sua chatíssima e infindável tarefa de catar pulgas. Ambos - o filósofo e o chimpanzé - sofrem como o diabo, mas nenhum dos dois consegue ganhar.

(H. L. Mencken)

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Essas são algumas das definições que fazem parte da segunda parte de "O livro dos insultos" de Mencken, Tipo de homens

5 comentários:

Anderson Kravczyk disse...

-- o solteiro -- sou eu! nenhuma mulher encontrou algum motivo pra estar comigo..... =/ hahaah

Minne disse...

ADOREI! O romântico tá em falta, e geralmente, alguém sempre dá um jeitinho de fazer com que ele vire parte da massa, o metafísico me lembrou muitíssimo o Sheldon de The Big Bang Theory. Adorei mesmo. Beijo. :D

Tita disse...

putz, nenhum se salva!!! :(

Jade Amorim disse...

Ah! Amei! Super identifiquei um monte de homem que conheço, mas não posso citar nomes.

Preciso muito comprar esse livro, deve ser muito legal.

Adorei aqui.

Beeijos.

Jeniffer Yara disse...

Oh Gosh, me diverti lendo seu post, existem mesmo esses tipos de homem, queria um romântico-altruísta pra mim.rs

Beijos