domingo, 26 de fevereiro de 2012

Emocionante domingo de carnaval

Par muitos, domingo é sinônimo de ressaca. Domingo de carnaval, então, nem se fala. Mas ainda há pessoas que zelam pelo sossego do domingo em família, enquanto outros ocupam o solitário dia inicial da semana com uma faxina. Ou pelo menos é o meu caso.
Apesar da minha controlada alegria no solitário domingo, há quem se preocupe com isso e me intime a atravessar a rua para participar do churrasco, adiando a faxina. Pós-churrasco, há o momento gasto no ato de vegetar. Respeitei tal tempo e retomei o plano da faxina.
Mas o domingo destinava-se a ser mais emocionante do que meus humildes planos tinham programado. Foi eu encostar em um balde e... tá, tá, tá, tá. Meu primeiro pensamento dizia que era um foguetório, mas não há futebol no domingo de carnaval e havia algo estranho: não eram foguetes.
Tal como se pode esperar da minha humildade e inocência dominical, não hesitei em me agarrar ao muro para averiguar o que acontecia e entender o que os gritos diziam (sim, havia gritos). Polícia chegando, povo se aglomerando e policial (depois anunciado como grande aniquilador dos bandidos) recolhendo balas e cartuchos pelo chão.
Num instante me vi fora de casa questionando esse último. O que aconteceu? Assalto. Mais uma olhada aqui, outra lá. Vizinhos: OK. Povo se aglomerando: OK. Ambulâncias surgindo: OK. Certo, então, hora de voltar ao plano simplório de domingo. Uma hora depois, faxina: OK. 

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Minha meiga rua de uma quadra foi parar no jornal por ser parte do cenário de tiroteio entre polícia e assaltantes de um mercado. Fiz meigos comentários no facebook no dia (aqui, aqui e aqui), mas ninguém se ocupou de comentar, o que me faz crer que da próxima é melhor eu dizer que fui vítima de bala perdida pra ser mais emocionante (como disse aqui). Enfim, o negócio é que na segunda minha mãe foi trabalhar (sim, professoras municipais de Caxias não podem ir pular carnaval, elas têm que trabalhar), e quando surgiu o meigo assunto do tiroteio (que ela nem presenciou, aliás), uma colega dela disse que tinha visto eu comentar sobre no facebook enquanto outra sugeriu que fosse feita uma crônica. De bobeira, na segunda de noite escrevi a dita crônica. Confesso que, no momento, ela me pareceu melhor do que agora, mas se serve de desculpa, fiz em menos de uma hora e enquanto tagarelava por mensagens com uma amiga. Só quis registrar aqui a crônica, porque o original dela foi dado à quem sugeriu a crônica (e mesmo que tivesse ficado comigo, eu certamente consumiria com o papel). Até mais ver! 

6 comentários:

Jeniffer Yara disse...

Ei, eu vi você comentando sobre isso no facebook sim, fiquei rindo em algumas frases que postou. rs Mas que interessante essa história não? Nunca presenciei um tiroteio perto daonde moro, ou morei, só na rua da casa da minha prima, lá é um bairro, vamos dizer, perigoso. rs

Queria ter lido a crônica original :/ rs

Beijos!

Allyne Araújo disse...

Deus me livre! Nunca que eu ficava calma, no minimo saia correndo.. Mataram um professor universitário subindo a minha rua em janeiro, e uma das desculpas dada na hora do ocorrido era foi o fato de ele ser gay, sem contar o assassinato ocorrido no campus em 2009, até hoje eu tenho medo de ficar sentada na porta de casa até tarde.. que dirá se fosse assalto seguido de morte durante o dia e envolvendo muitas pessoas! Ainda bem que a policia agiu rápido e nada de grave aconteceu com o povo dai.. Beijoooo!!!!!!!!!

Rogério Soares disse...

ANA


A violência, lamentavelmente, se naturalizou no cotidiano de todas as cidades do Brasil. Gerando a insensibilidade e a indiferença de todo o mundo. Ninguém mais se escandaliza com a covardia de um troglodita ou com a carnificina que viceja nas ruas. Moro numa cidade de pouco mais de 40 mil habitantes e quase todos os dias assistimos uma barbárie. Creio que a tevê tenha uma parcela de responsabilidade por tudo o que está acontecendo. Eles preferem "faturar" em cima da notícia do que tratar o ocorrido de forma seria e reflexiva. Mas o que podemos fazer? talvez seguir as lições de Brecht que disse:

Nós vos pedimos com insistência:
Nunca digam - Isso é natural -
diante dos acontecimentos de cada dia.
Numa época em que reina a confusão,
em que escorre o sangue,
em que se ordena a desordem,
em que o arbítrio tem força de lei,
em que a humanidade se desumaniza....
Não digam nunca - Isso é natural! -
Para que nada passe a ser imutável.

Eu peço com insistência
Não diga nunca - Isso é natural -

Sob o familiar,
Descubra o insólito,
Sob o cotidiano, desvele o inexplicável.

Que tudo o que é considerado habitual
Provoque inquietação,
Na regra, descubra o abuso,
E sempre que o abuso for encontrado,
Encontre o remédio.

Jade Amorim disse...

Menina, que coisa tensa! Não vi seus comentários no face... eu te tenho no face? Se não, me add now! :P

Já a crônica, sei lá, foi meio sinistra. Esse negócio do mundo quase acabar (ok, exagerei) e depois voltar a fazer faxina como se nada tivesse acontecido.

Terrivel essa nossa realidade, né?

Beijos.

VaneZa disse...

Ô mô deusô, você foi quase vítima de bala perdida e ninguém deu a menor importância. Oxe! Povu feio, né? rs

BeijoZzz

Dama de Cinzas disse...

Que doideira. Eu trabalhei num lugar que saía muitos tiroteios, porque ficava próximo de uma favela bem violenta.

Então cansei de ficar presa no trabalho esperando a coisa amenizar, e depois que amenizava tinha que ter coragem para enfrentar a rua, porque o clima ficava pesadíssimo.

Não vi comentários seus no Face sobre isso, mas também não tenho entrado tão constantemente no Face.

Beijocas