sexta-feira, 13 de abril de 2012

Eu também vou pra lá

Houve um dia em que eu estava numa parada de ônibus do outro lado da cidade quando um cara me interceptou e perguntou se eu sabia onde ficava determinada loja. Não apenas sabia, como me encaminharia para o lado em que ela estava localizada, nas redondezas da minha casa.
- Tranquilo. Vou pegar o mesmo ônibus. É só tu descer na última parada e é ali perto.
Fiquei com pena do cara. Ele deu sorte de me achar, porque 80% da população caxiense não saberia informá-lo do caminho. Mas eu imagino a angústia dele de ver o ônibus virar pra cá e pra lá e não chegar nunca. Desci umas duas ou três paradas antes dele e, ao descer, o vi sentado lançando um olhar agradecido e nervoso. 
Noutra vez, o cara pegou o ônibus e pediu pro cobrador onde deveria descer. O cobrador não sabia explicar, mas disse que o levaria até o fim da linha que não deveria ser muito longe. Não gosto de ouvir a conversa alheia e muito menos em me meter nela, mas eu ia descer na parada que o cara deveria descer e fiquei com dó do azar que ele teve de encontrar um cobrador tão mal informado. 
Meti-me e disse "Desce comigo". Descidos os degraus do ônibus era só descer até o fim da rua e pronto, estava no mercado que buscava. O coitado era de Porto Alegre e estava de serviço, tinha que visitar certos mercados e não conhecia nada de Caxias. Pobre alma!
Mas o terceiro acontecimento do gênero ocorreu na última semana e sem dúvida foi o mais esdrúxulo. Aliás, aconteceu ontem (se bem me lembro). Tô eu lá pronta pra descer na minha parada enquanto a cobradora explica a certo passageiro que é ali que ele também deve descer. Ele pergunta por um local, ela não sabe explicar como chegar lá, me olha com cara de desespero e eu digo "Vou pr'aquele lado, desce comigo", o que faz com a cobradora do ônibus agradeça imensamente.
- Mas tu vê que sorte a minha - vai me dizendo o cara deslocalizado ao meu lado, - encontrar alguém que vai justamente pro mesmo lado. Eu nem ia vir, tu sabe, mas meus amigos insistiram e eu resolvi arriscar. Mas foi muita sorte a minha, hein?
E assim foi ele tagarelando até que eu lhe mostrasse onde era o que ele procurava. 
- Ah, sim. Mas foi mesmo uma sorte te encontrar, não foi? Qual é o teu nome mesmo?
- Ana.
- Prazer, Diego. - Ele me estende a mão, eu correspondo apenas pra não passar por mal-educada (mesmo crendo que já tinha feito uma boa ação cujo valor era inquestionável). Pra minha surpresa, ele a segura com força e a puxa, me forçando a deixá-lo dar o meigo comprimento de beijinho no rosto. 
Devo registrar aqui que ele era um palmo, no mínimo, mais baixo que eu e que realmente essa puxada dele não me foi das mais agradáveis, mas mantive o bom humor, tão boa alma que sou, enquanto contava os centímetros pra me livrar de tal companhia.
Quando já estou feliz por ele ser obrigado a atravessar a rua, ele, com sua boca incansável, diz:
- Mas foi uma sorte mesmo te encontrar, não foi? Obrigado. Me passa teu número pra eu te chamar uma hora pra se juntar comigo e com os meus amigos.
- Não, não precisa, até mais. 
Já virava as costas e ele:
- Nâo, mas me passa teu número... E blablablá.
Como eu sou um ser de raciocínio lento e de impaciência ligeira, antes de pensar em dar um número falso, inventar um namorado ou algo do gênero, me vi resmungando comigo mesmo que o melhor era passar meu número e correr. 
Foi o que fiz.
Porém, antes de eu conseguir correr, ele vinha outra vez com o "muito obrigado" e me dava outro puxão pra conseguir me dar um beijo no rosto. 
Aí eu pude correr.
Mas a moral da história é: não me ligue sem que eu tenha seu número registrado e muito menos me critique por não atender uma ocasional ligação vossa, retomei meu hábito de não atender números estranhos. Preciso dizer por quê?

7 comentários:

Tita disse...

Hummm... não sei se teu objetivo era justificar ou desviar a atenção do último evento, contando eventos similares anteriores, mas só reforçou minha opinião.
Por que é interessante notar que só homens se perdem quando estão perto de ti! Nenhuma mulher! Esses homens de Casssias são muito desorientados mesmo! Merece um estudo mais aprofundado, tentar descobrir as causas dessa perda do senso de orientação. Será que teu magnetismo pessoal não está alterando a bússola interna deles? Não estarão sofrendo um "Boa Noite Cinderela" só com teu olhar? Fascinante imaginar as possibilidades... rsrsrs

Christian V. Louis disse...

Espere... Deixe eu me situar na crônica. Foram 3 (três?????) casos? O.O
O que está acontecendo com os homens de sua cidade que andam "perdendo o rumo?" por aí.
Suspeito o mesmo que a Dona Coisinha, talvez seu magnetismo pessoal esteja fazendo os caras aí perder o prumo. ahah.
Fiquei imaginando você tentando sair desta situação e se enterrando ainda mais cedendo o número REAL de seu telefone. Putz Ana, que fora! Eu lhe aconselharia a trocar de chip o quanto antes.
Ou logo terá que andar acompanhada daquele gaúcho para ele falar "Te sento a vara desorientado baitola".

Roderick Verden disse...

Tanto o post, como os dois comentários, foram bem interessantes.
Penso também que vc não deveria ter dado o número real do telefone...

Abraços

Babi Farias disse...

Eu ri um bocado com o relato e os comentários de D. Coisinha e Christian. Menina, que situação! E concordo aí com eles, você anda atraindo homens perdidos, hein. Cuidado! Acho que foi loucura sua dar o nº real. Preferiria dar uma de mal-educada neste momento. Peloamor, Ana. kkkkk

Beijo.

Minne disse...

KKKKKKK Meu senhor, que carinha atirado, viu?
Na primeira tentativa de beijinho no rosto eu já tava queimando ele mentalmente, mas ok.
Vejo isso acontecer direto, inclusive já aconteceu comigo, é triste quando o cobrador não é informado o suficiente e não ajuda em nada nos perdidos de plantão, e só eu sei o quanto fico tensa quando não sei ao certo onde descer, principalmente numa área desconhecida, já me perdi de noite por causa disso, não foi nada legal. Às vezes é melhor dar uma de mal educada mesmo, viu? Eu sairia de perto com todas as minhas forças o mais rápido possível.
Adorei o blog, Ana, beijo. :*

Mari. disse...

Hahahahah! Que engraçado! Nunca passei por essas de ônibus, mas já tive que passar meu telefone só pra não ser ''mal-educada''. E o pior é que, mesmo eu demonstrando ''taaaannnto interesse'', me ligaram e me alugaram. Haja paciência!

=)

Pandora disse...

Como disse meus amigos sabem que não gosto de telefone eu tenho uns probleminhas chatos no ouvido, então poupo-os... Como disse quando alguém pede meu número vira piada na minha família.