sábado, 26 de maio de 2012

"A Ana não nasceu pra ser famosa"

Essa foi a genial conclusão de uma amiga minha sobre a minha pessoa. E quando uso a palavra "genial" não estou sendo irônica. Foi realmente uma excelente frase, falou muito com poucas palavras. De primeira, estranhei, mas no fim vi que ela estava certa. Hoje tenho a plena certeza de que não poderia ser famosa e, que se um dia eu publicar um livro, talvez o faça usando um pseudônimo por garantia (vai que eu dou azar e ele é bom mesmo e vira best seller? eu enlouqueceria).
Minha amiga concluiu isso por uma situação que eu vivia. Uma outra guria, mais ou menos da minha idade, de outra turma, cismou comigo. Lembro que eu a via no ônibus e um dia, do nada, ela puxou conversa e pediu meu msn. Passei, pois, como foi atestado recentemente aqui (com consequência e tudo), sou tolinha e dou tudo que as pessoas pedem: endereço, telefone e tal e tal. Mas ela acabou nunca me adicionando e, um ano mais tarde, acabou que, por alguma razão qualquer, começamos mesmo a nos falar nas idas e vindas de ônibus. 
Agora vem a razão para minha outra amiga se convencer de que eu jamais poderia ser famosa: com o passar do tempo, essa guria não podia me ver sem vim se pendurar no meu pescoço e ficar cheia das meiguices pra cima de mim. E não, ela não era lésbica (ao contrário de situações parecidas que me aconteceram anteriormente). Nos víamos na ida e na volta da escola, mas em qualquer momento que ela me visse pelos corredores, vinha me dar um abraço e me apresentava a quem quer que estivesse por perto. Por quê? Não faço ideia. Nunca entendi. Eu falava com ela como falo com qualquer pessoa e, a bem da verdade, nunca tivemos muito em comum, afora o time de futebol - que ela nunca acompanhou, até começar a falar comigo, aí ela resolveu falar de futebol, para minha completa tortura, já que, claramente, ela não fazia ideia do que dizia.
Ou seja, eu comecei a querer evitá-la ao máximo. Ela era uma pessoa legal, mas eu não consigo conviver com pessoas que tentem ser incansavelmente simpáticas e agradáveis comigo, ou, mais diretamente, puxa-sacos. E eis porque não posso ser famosa. Minha solução foi ser o mais fria e distante possível, por mais que isso me angustiasse. De verdade, não gosto de ser estúpida com as pessoas, mas por que, por que as pessoas têm que cismar comigo? Mas no fim das contas o ano acabou e cada uma foi pro seu canto. Hoje eu a encontro e a trato muito bem, fico feliz em vê-la e saber que está tudo bem, mas também fico feliz por serem encontros esporádicos e sem mil abraços. 
É por isso que, talvez, eu diga às pessoas que não acho digno que digam que são minhas fãs. Eu não mereço fã nenhum. Sou um ser como qualquer outro, só talvez mais arisco. É por isso que não me acerto com gatos, dois seres ariscos não se acertam. Também me angustio com pessoas que me presenteiam demais ou são atenciosas demais, apesar de adorar dar presentes que sei que vão agradar e de sempre querer ser o mais gentil possível com as pessoas. Ou seja, sou, de certa forma, o que não gosto que as pessoas sejam comigo... Daí só concluo que, realmente, eu não me aguento. Como é que eu ainda mantenho a lucidez (ou algo parecido com ela)?
Mas voltemos a como os outros me veem, porque como eu me vejo é conversa longa e sem sentido. O fato é: gosto de ficar no meu canto e de respeitar os espaços dos demais. Fico feliz, sim, em saber que há quem simpatize com minha pessoa, assim como há quem concorde/goste do que escrevo, mas não gosto de afobação. Aí chego a outra conclusão recente minha: vejo tudo numa simplicidade lógica que, provavelmente, é utópica. Putz, eu talvez precise mesmo fazer análise, né?

4 comentários:

Pandora disse...

Ana, quando eu digo que gosto dos seus textos, vai por mim não é nada pessoal, eu só gosto dos seus textos, especialmente os sérios... Pouco me importa quem vc é ou de onde saiu... Ler é meu prazer narcisista, algo que faço apenas por mim e para mim.... Então relaxe, não é pq vc é fofa que eu gosto de suas reflexões.

Ponto 2, já entendi que vc é chata e não quer ser presenteada, tanto que resolvi guardar para mim a ultima buginganguinha fofa que comprei para vc! :) Só para lembrar de não esquecer que vc não gosta de presentes!

E por fim, vc é uma graça por isso as pessoas querem ficar próximas a você!

Cheros... Se cuida..

Roderick Verden disse...

Me identifiquei com o texto, pq eu também não nasci para ser famoso. Quando eu era bem jovem, cheguei a ter vontade de ter fama, eu gostava de aparecer, hoje penso diferente, tenho até vontade de desaparecer.rs Relato isso no meu blog do eremita, no post, "Narcisistas? Artistas?".

Recentemente, uma pessoa falou mais uma bobagem a meu respeito, disse que sou viciado em elogios. Elogio a quem merece, embora posso me enganar. Não sou pegajoso e gente como a colega que vc citou, Ana, incomodam mesmo.

Tiêgo R. Alencar disse...

Engraçado, eu acho que tenho vocação pra ser famoso mas não tipo fã de cantora de axé, saca? Famoso do tipo reconhecido e tudo. E eu não tenho aversão a bajulação, adoro que puxem meu saco kk Só ODEIO que sejam falsos demais. Aí já é outra história! Mas olha, amei seu texto e fiquei com vontade de dizer pra sua amiga pegajosa que ela tinha que descobrir um espelho e a autoestima dela! hahaha

Beijo! :*

Allyne Araújo disse...

Vc precisa de analise, rsrs... mas na boa, essa de ter individualidade é super legal. E ter pessoas q reconheçam isto tb. Vendo seu texto percebo: há gente q amola demais. Equilibrio, equilibrio... bjo