sábado, 12 de maio de 2012

Gentileza resulta em...

Sem o menor sinal de autorização por parte da personagem principal vou contar essa bela e verídica história. E sem citar nomes, pra não me processarem. O fato é que esse meu bom amigo é o cara mais sortudo do universo, ou quase, só que o contrário. É cada uma que acontece com ele que já não me impressiono mais quando ele conta uma nova história. Aliás, quando o vejo já chego e pergunto: E aí, o que te aconteceu na vinda pra cá?
Agora que ele provou aos pais dele que consegue chegar em casa com o carro inteiro (mesmo com todos os malucos da cidade tentando meter ele num acidente), creio que a história que vou aqui contar não tornará a se repetir... Se bem que, mesmo que ele mantivesse a sua dependência de ônibus, ou, nesse caso, táxi-lotação, creio que a cena que vai aqui ser narrada não mais se repetiria, pois seu trauma foi tanto que ele evitaria a todo custo uma cena parecida. Ok, não chegou a ser trauma, mas ele aprendeu a questionar a frase "Gentileza gera gentileza". Mas vamos à história.
O fato é que esse meu amigo é um cara ímpar. Pura simpatia e gentileza. E muito conhecimento de séries de TV. E é gremista, o que prova a esperteza desse meu amigo e como merece ele ser admirado. Ora, não é à toa que eu digo que ele é meu amigo, quando poderia dizer que ele é apenas meu colega. Enfim, acho que vocês já entenderam como a personagem dessa história é boa gente. Sigamos, pois. 
Como disse, houve um tempo que ele dependeu do táxi-lotação para usufruir do seu direito de ir e vir. Só que o dito do táxi-lotação do qual ele necessitava só passa de meia em meia hora. Naquele dia, ao sair da aula, ele esperou meia hora pelo táxi lotação em questão porque, viva a lei de Murphy, tinha passado um dois segundos antes dele pôr o pé na rua. Mas ok, ele esperou os trinta minutos passarem, afinal tinha saído da aula antes, não havia pressa. Ele esperou, e o táxi-lotação chegou.
Nessa parte da história é importante que todo mundo tenha clara a imagem do táxi-lotação ao qual me refiro. Nada mais é do que um micro-ônibus que dá voltas e voltas pela cidade. Um micro-ônibus azul, razão pela qual ninguém chama o táxi-lotação caxiense de táxi-lotação, mas sim de Azulzinho. O povo caxiense é mesmo muito criativo, não é? Mas pra ter certeza de que todos estão visualizando corretamente, afinal, por ser uma história real é importante detalhes fiéis, eis AQUI um Azulzinho (e justamente da linha que ele usufruía). Agora tá todo mundo imaginando direitinho, não tá? Pois bem, prossigamos a história.
Paramos no momento em que, depois de meia hora, o Azulzinho que meu amigo aguardava chegou. Ele fez sinal para que o dito parasse, e ele parou. Estava cheio mas, acreditava meu amigo, muitos desceriam, ia pegar aquele mesmo. Se encaminhava para a porta quando duas moças surgiram e estavam prontas a entrar logo depois dele. Mas, como vocês devem lembrar, esse meu amigo é (ou era) um cara gentil e, num ato de cavalheirismo, deixou as duas moças entrarem antes dele. Ser adorável o meu amigo, não?
As duas moças entraram e ele dispôs-se a entrar logo atrás. Apenas dispôs-se, já que não foi possível realizar seu intento. Ao contrário do que pensara, ninguém saiu do Azulzinho. Ninguém. E ninguém mais podia entrar. Nada além do pé do meu caro amigo pode dizer que entrou naquele Azulzinho. Se ele teimasse e entrasse, a porta não fecharia. Ou seja, ele não podia ir naquele ônibus de jeito e maneira. Uma das moças que ele deixara passar na sua frente olhou-o e, com um sorrisinho sem graça disse: "É, acho que não cabe mais um".
Na falta de outra opção, ele saiu de onde nem havia entrado e deixou que o motorista voltasse ao seu caminho. Esperou mais meia hora pelo próximo Azulzinho, agora já estava quase atrasado e, depois d última, não deixou que uma pulga passasse à sua frente. Agora, me digam, gentileza resulta em quê mesmo?

19 comentários:

Roderick Verden disse...

Ao começar a ler o texto, pensei que se tratava de um acontecimento, no qual uma pessoa gentil foi vítima de uma descortesia, e isso , infelizmente, costuma acontecer.

Eu, particularmente, sou muito gentil, mas sei ser grosseiro com os sem educação, e como!!!

Costumo deixar as mulheres entrarem na minha frente para pegar o ônibus também. Umas agradecem, outras não. Aliás , o número das que não agradecem é maior do que os das que agradecem.

Seu amigo se deu mal por ser gentil, neste caso, mas, ainda assim, preferiria que o mesmo acontecesse comigo, do que ser vítima de uma grosseria. Detesto gente grosseira!

Christian V. Louis disse...

A princípio tive a mesma ideia que o Roderick, de que seu amigo tivesse sido gentil e vítima de grosseria. A garota agiu como muitas agem mesmo, são bem mal agradecidas por vezes, como se fosse obrigação (e nós acabamos acreditando nisso) cedermos sempre o lugar "as damas indefesas".
Infelizmente gente assim é o que não falta e gostaria de ler mais sobre as desventuras deste seu amigo.

Babi Farias disse...

O que tem de gente mal educada e estranha que pega ônibus ou micro-ônibus dá para habitar uma cidade, quiçá, um país. Também comecei o texto com a mesma impressão dos meninos aí acima. A moça deveria ter ao menos agradecido e lamentado, mas a frase foi de deboche mesmo, saliente! ¬¬

Coitado do teu amigo.

Ana Seerig disse...

Gente, esse texto era pra ser engraçado, não pra analisar como as pessoas podem ser grossas... E, Babs, nas vezes em que meu amigo me contou essa história, em nenhuma vez quis dizer que a guria foi debochada... Será que dei a entender isso? Se sim, desculpe-me pela falha e não fique com má ideia da guria... =P

Erica Ferro disse...

Quando comecei a ler o texto, também pensei que o rapaz sofreria alguma grosseira. Mas, ao contrário dos outros que leram o post, acho que foi a única a ver a parte engraçada do post. A guria deu um sorrisinho sem graça do tipo "Coitado, deixou a gente subir e agora não tem mais lugar pra ele...".
Eu ri, confesso. O seu amigo, sem dúvida, é um cara de sorte. Hahaha...

Erica Ferro disse...

acho que FUI* a única a ver a parte engraçada do post**

Pandora disse...

Quando se tem uma amiga sacana munida de um blog e uma língua grande (fofoqueira)resulta em super gargalhadas kkkkkkkkkkkkkkksahuashuashuahsua kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkshaushaushaushaush

Pandora disse...

Opa, lendo os comentários percebi que só eu rachei de ri, to constrangida agora... To quase fazendo uma analise existencial desse ocorrido e deletando o comentário anterior!!! husahsuahsuasahsashaushausakkkk Mas como ainda to rindo da cara do teu amigo não sei se farei isso kkk

Tita disse...

Hummm, não adianta, não serei solidária... o cara escolhe ser gremista, tudo se explica! Fecha a porta no pé dele!!!!! Fecha!!!

Pandora disse...

Po Tita, cade a solidariedade???? kkkkkkk

Tita disse...

Vocês são muito ingênuos, se deixando levar pelas palavras meigas de dona Ana Seerig. Ela é totalmente tendenciosa. Eu não me deixo enganar. Quem garante que esse amiguinho dela não deixou as mocinhas subirem primeiro só pra ficar olhando o traseiro delas? E o motora fechou a porta justamente pq não queria tarado incomodando as passageiras! huahuahuahua

BORDIN disse...

Aqui quem vos fala é o amigo da Ana :D Para deixar claro:

As duas mulheres que deixei embarcar na minha frente aparentavam ter idade entre 30 a 40 anos. Uma delas não falou nada, apenas subiu no táxi-lotação. A outra mulher ao estar dentro do azulzinho e perceber que não caberia mais ninguem no micro, apenas falou para mim sem graça:"É, acho que não cabe mais um". (Exatamente o que a Ana escreveu)

Então, eu voltei para o lugar em que estava anteriormente na parada(rindo muito da situação)

Depois de cerca de 35 minutos eu embarquei em outro micro completamente lotado, não tive a chance de sentar e mesmo que tivesse, acreditem, não sentaria, caso outras pessoas estivessem de pé, daria preferência a elas.

E sim, tenho azar.

Roderick Verden disse...

Confesso que achei o post interessante, mas não engraçado. O engraçado, a meu ver, foi a Ana explicando que eu, o Christian, a Babs entendemos errado, as gargalhadas da minha sobrinha Pandora, a irreverência da Tita e até mesmo a presença do amigo da Ana, explicando tudo.

Hilariante! rs
Rendeu uma polêmica bem divertida.rs

Tita disse...

Vamos combinar que a Ana não consegue transferir para a história de terceiros o mesmo humor ácido que ela tem quando faz um auto-esculachamento! Talvez por isso mesmo alguns não consigam rir. E ficam até solidários com a pobre vítima que ela escolheu para colocar sob os holofotes! Eu não, claro! Porque já imagino horrores de alguém que se habilita a ser amigo dela (e me incluo nessa honrosa lista).

Pandora disse...

Como coloquei no face "Alguns polemizam com a questão das cotas nas universidades públicas, outros com a questão de um certo clipe racista (?) feito por um grupo de artistas negros, uns ainda questionam o fato de ser o dia das mães uma data comercial ou emocional... E ainda tem aqueles que pensam sobre as questões que cercam o "ser mestrand@" mas nós preferimos discuti se o post/piada da Seerig teve ou não graça." kkkkkkkkkkkkkkk Eu adoro meu amigos!!!! Senhor Tio Verden s2

Aleska disse...

Pô Anna vc enrolou tanto pra contar que o cara esperou 1 hora por um ônibus? (no total) eu até concordo que nem sempre a nossa gentileza é retribuída com gratidão, mas só isso? Senta aí pra eu te contar umas histórias fia! Já recebi uma cantada malcriada de um mendigo a quem resolvi dar dinheiro (" obrigado! vc quer um carinho? Não? Se quisesse eu dava, mas tinha que ser na horizontal pq eu não aguento em pé), teve outro que devolveu meus 5 centavos (eu tava dura, mas quis ajudar poxa!) e fez cara feia pra mim kkkk, sem falar nas pessoas que ignoraram que eu era a primeira da fila pra entrar no ônibus e entraram primeiro.Mas é curioso que sempre que me ofereço pra segurar a bolsa de alguém no ônibus ganho um bônus divino rss pois sempre que vou em pé alguém leva minha mochila. Beijos!

Amanda Guerra disse...

A situação que ele passou e o comentário de uma das mulheres foi engraçado sim.
Mais ele é um cavalheiro e isso é super lindo.
Continue assim caro, um dia vc será recompensado, se já não é.

Jacques disse...

Boa tarde,Ana.
Acho que a situação pela qual seu amigo passou pode ser descrita como tragicômica, ele tentou ajudar e se deu mal.
Não vejo nada de malícia ou maldade em seu texto, se alguém viu isso, acho que o interpretou mal.
Abraço.

Mariana Lopes disse...

Em prejuízo. Eu que o diga. Já emprestei dinheiro a amigo pensando que ia receber de volta... to esperando até hoje. Já "dei a frente" na fila do supermercado e quando chegou a minha vez o rolinho onde sai a notinha acabou e eu tive que esperar o caixa ir no depósito pegar outro.
E é por isso e muito mais que eu digo e afirmo, gentileza gera prejuízo... pra o gentil. O FIM!