domingo, 20 de maio de 2012

Te entendo, Archie!

Antes de se casar com Agatha Mary Clarissa Miller, Archibald Christie disse a ela que não gostava de pessoas que se mantinham tristes por muito tempo e que gostava dela justamente por sua animação. Agatha Christie admite que foi por falha sua que o casamento com Archie acabou, e não por deslealdade dele. Quando sua mãe morreu, Agatha ficou mais deprimida do que o aconselhável e isso acabou afastando o casal. E essa é uma das coisas mais belas, e tenho certeza, mais difíceis que li na autobiografia dela: não só ela reconhece suas falhas durante sua vida, como não esquece de quão bom foi conviver com certas pessoas que, depois, por uma razão ou outra, se afastaram do ponto central da sua vida. Como Archibald Christie. Sempre que o citou, foi com o maior dos carinhos.
Mas o que eu quero dizer é que, só muito depois de ter lido a autobiografia da Agatha, é que compreendi o que Archie quis dizer ao pedir que à futura esposa que jamais se deixasse desanimar. Conviver com pessoas que estão constantemente reclamando é angustiante. Aliás, angustiante não, é cansativo e irritante.  Pessoas que só sabem falar sobre o que deu errado, em vez de lembrar de tudo que já deu certo é o negócio mais insuportável que há. Pessoas que adoram ficar com pena de si ou mesmo se deixar chatear por qualquer 'ai' que lhe dizem.
Todos nós temos momentos em que desanimamos, mas isso não quer dizer que temos que permanecer na fossa por meses ou que devemos nos ofender com as pessoas que não se preocupam em ficar nos consolando o tempo todo. Se a vida tá tão ruim, pula de uma ponte, não fica atormentando as pessoas ao redor! E o pior é que essas pessoas ficam remoendo questões por tempos e tempos antes de ir falar com alguém sobre. Isso me soa como autotortura. 
Talvez meu problema seja ser prática e lógica demais, mas o fato é que, quando alguém me chateia, eu falo em vez de ficar remoendo a coisa. Aliás, primeiro de tudo: eu vejo se há intenção da pessoa me chatear. Se foi algo não intencional, por que eu vou ficar me angustiando? Algo realmente triste aconteceu em minha vida, como uma pessoa muito querida ter morrido. Ok, eu fico triste. Eu choro, choro e choro. Mas a vida segue. Por que vou me limitar a lamentar uma perda, quando sei que a pessoa que morreu certamente não gostaria que eu ficasse me lamuriando o resto da vida, né? Isso sem falar naquelas pessoas que acham que ficar indiferente ao mundo por tempos longíssimos vai fazer com que ela descubra todas as soluções para as angústias de sua alma e blablablá.
Mesmo a literatura que se preste a apenas afogar-se em lamúrias sentimentais, me inquieta. Como é possível que alguém se apegue tanto ao sentimentalismos deprimente? Aliás, qualquer sentimentalismo é deprimente. Há contos de amor que tu lê por aí que quase escorrer mel de tanto nhém nhém nhém. Escreva romance, escreva sobre os problemas do ser humano, mas não torne isso um amontoado de palavras repetitivas, cansativas e irritantes. 
O problema é: as pessoas não sabem ver os dois lados. Ou elas só veem o ruim, ou elas só veem o maravilhoso. A vida tem coisas boas e ruins, oras! Sim, temos momentos que queremos pular de alegria, tal como temos momentos que queremos nos atirar na frente do primeiro carro que passar. São momentos a ser vividos, não a ser prolongados. Eu, definitivamente, estou de saco cheio. Se ficou chateado com algo que eu disse, fale de uma vez ou não fale mais. Se está imensamente feliz, fale, oras! Não fique fazendo joguinhos de "quem vai adivinhar?". Ok, pode ser que o problema seja comigo, mas garanto que faço o possível pra aturar essas pessoas e me é cada vez mais difícil. Agora, será que essas pessoas que vivem entre se sentir magoadas e imensamente felizes tentam viver no meio termo?

8 comentários:

Dama de Cinzas disse...

Já que me indicou l[ a no face o post para ler, cá estou eu... rs.

Olha, acertou na mosca. É tudo que penso sobre o assunto. Aliás muito bem escrito aqui no post.

Simplesmente não aguento essas vítimas do mundo. Em que tudo que acontece é uma tragédia grega. Ficam eternamente se lamuriando por não ter isso, por ter acontecido aquilo, ou por não ter conseguido tal coisa. Como você mesma disse, tem a hora de se lamentar e a hora de limpar as lágrimas, levantar e seguir na batlha. Eu me permito chorar sim, me lamuriar, claro, mas nunca ficar muito tempo nessa postura. A vida é feita de ação, não de lamento.

Adorei o texto!

Beijocas

Forever Dieguita disse...

enorme o texto, mas li tudo. Bem profundo.

Fê Iasi disse...

Achei perfeito! Eu não tenho paciência nem interesse nenhum por pessoas que "ruminam"! é preciso sim viver cada momento, mas a palavra já diz: "momento". Bjo!

Ana Carolina Lima Da Rosa disse...

Excelente texto. Todos nós temos o direito de ter dias ruins, mas do que adianta viver na foça profunda, temos que procurar ver o lado bom das coisas, ser forte o tempo inteiro as vezes é um erro, porque quando lembramos de desabar, chorar, acumulamos coisas, por tempos de mais, magoas.
Então pra sermos fortes, temos que chorar as vezes e sermos fracos, e então continuarmos no outro dia, de cabeça em pé sendo fortes novamente. E assim vamos seguindo a vida, e lembre se temos que aproveitar cada oportunidade.

Pandora disse...

Eu comentei e o comentário não foi, vou de novo!

Deixa ver se lembro do que disse antes?!?!?

Ah, sim, eu gosto de resmungar. #Fato
Criei um blog justamente para pode me lamuriar e ser melancólica a vontade sem incomodar muito as pessoas já que o blog ler quem quer. Aliás, nem divulgo muito o blog, nem chamo ninguém para ler pq bem, ninguém é obrigado a me ouvir.

Mas tenho certo receio de ficar ranzinza e se a pessoa me chamar a razão mostrando que não sou a última pessoa da face da terra eu costumo cair na real.

Mas, enfim, concordo com a Dama e com a Fê e bem, nem elogio o seu texto, pq vc sabe que curto sua escrita e curto muito mais quando vc fala sério!

Cheros Dona Ana!

Dayane Pereira disse...

Eita Ana que texto! Que reflexão!
Olha, eu não sou o tipo de pessoa conformada, reclamo reclamo, sempre acho que mereço mais, sempre acho que não consgui o suficiente, o que me satisfazia ontem, já não me satisfaz hoje e blá blá blá.
Mas nem por isso me tornei uma pessoa amarga. E sim, conheço algumas pessoas amrgas, entre elas, uma que não superou a morte de um filho, mas é o que vc disse: A vida segue;

Roderick Verden disse...

Me identifiquei um pouco com o comentário da Pandora, apesar de não achá-la, ranzinza; bem, pelo menos no mundo virtual não acho(rs).

Há uns tempos atrás, quando li num blog, um comentário de uma mulher dizendo que detesta blogs cheios de lamúrias, resolvi mudar o título de um dos meus blogs, que passou a chamar, "Relatos e Lamúrias de um Eremita"(rs).

Embora eu saiba apreciar a beleza de um dia ensolarado, a graça de uma linda mulher, as maravilhas do mundo cibernético, os alimentos e bebidas que a natureza e homem nos dão, embora eu seja feliz por ter saúde, sou um eterno conformado com certas coisas, principalmente com o comportamento humano, e creio que nunca vou mudar, continuando com minhas lamúrias, porém ainda tem um pouco de bom humor, tanto que sou um dos raríssimos , na blogosfera, que costuma postar textos engraçados.

Mas, as lamúrias prevalecem, e notei que, segundo as estatísticas, as visitam têm diminuído muitos nos dois blogs que eu falo sobre coisas pessoais. buá buá buá. rs

Roderick Verden disse...

Eu quis dizer eterno inconformado, não eterno conformado. Me desculpe.