sábado, 21 de julho de 2012

"Olho para o espelho e sei que não é lá que estou"

Como a maioria sabe, não sou daquelas que liga muito para a aparência. A bem da verdade, se alguém me perguntar, por exemplo, se fulano é bonito, eu não vou saber o que dizer. Eu avalio uma pessoa pelo que ela é e não pelo que sua aparência mostra e gostaria de que fizessem o mesmo comigo. Quando a Aleska propôs essa blogagem coletiva com o tema corpo de mulher, topei na hora e já soube naquele instante sobre o que escrever: espinhas.
Não, não é algo que só as mulheres têm, mas é algo que muito me incomodou e, agora percebo, afetou diretamente meu modo de lidar com a beleza, elogios, aparência. Opa, correção: não foram as espinhas que me incomodaram, foram as pessoas.
O fato é que quando eu tinha meus 13 anos, tal como meus irmãos na mesma idade, era cheia de espinhas. Mas isso nunca me incomodou. Quer dizer, claro, preferia não tê-las, mas não era algo que me fizesse ter vergonha ou qualquer tosquice do gênero, como minha irmã, por exemplo teve. Eu sabia que a pessoa que eu era não mudava por ter ou não espinhas.
Mas as pessoas se incomodavam por mim. E me incomodavam consequentemente.
Pode parecer piada, mas a verdade é que senhoras mui bem intencionadas, vamos crer que sim, vinham puxar papo comigo na parada de ônibus pra dizer o que eu devia fazer para sumir com as espinhas "minha filha fez isso e nunca mais". Isso aí, do nada as criaturas chegavam em mim e ficavam me dando dicas "para eu ficar mais bonita". No começo não ligava, mas era tão seguido que acabou me incomodando. Eu dizia a elas que não tava nem aí pra espinhas, creio que até chegou um tempo em que eu era estúpida, mas elas fingiam não ligar e continuavam.
Se fossem só desconhecidos ok, mas sabe aqueles amigos da família ou parentes que aparecem vez por outra? Me viam e diziam "Coitadinha, é tão bonita, mas essas espinhas...". Sem contar a comparação com a minha irmã (que sempre foi a bonequinha da casa, enquanto eu era metida a gurizão e não parava quieta nunca). "Mas e por que tu não faz um tratamento como a tua irmã? Olha como ela está bonita!". Minha resposta mental era: Eu não sou minha irmã.
Aquilo tudo me incomodou a tal ponto que me fez realmente fazer um tratamento contra espinhas, depois de anos de resistência, coisa que ainda me incomoda, afinal passei por cima do que eu acreditava pra fazer o que os outros queriam que eu fizesse, para evitar mais incômodos, mas enfim, ainda me sinto fraca por ter cedido. E com essas drogas fortíssimas de tratamento, acabei engordando um pouco e aí era aqueles olhares de canto e papo pelas costas de "como ela engordou".
Um ano depois do fim do tratamento, acabei voltando ao meu peso normal, e as pessoas hoje me olham e dizem "Como tu está bonita sem aquelas espinhas". Como se eu me importasse. E é por isso tudo, creio, que não me importo realmente quando dizem que sou bonita, seja constatação ou elogio. Eu não me importo.
Independente do corpo que se tenha, cada um é o que é. Vivemos numa sociedade em que as mulheres são especialmente cobradas para serem esteticamente bonitas, mas eu pergunto: por quê? Duvido que essas gurias que passam duas horas se arrumando antes de sair de casa sejam mais felizes do que eu sou sem gastar um quarto desse tempo. Me sinto bem como sou, simples assim, e gosto de ficar perto de pessoas que sentem-se do mesmo modo, e não que ficam dizendo que gostariam de ser mais alta, mais magra, mais isso, mais aquilo. Chamem de amor-próprio, de personalidade ou o que seja, mas é inegável que uma pessoa que gosta de si como é, é mais feliz do que qualquer outra.


Narciso invertido*

Veja só esse sou eu, veja só esse sou eu

Sou Narciso invertido, veja, é bem mais divertido
Olho para o espelho e sei que não é lá que estou
Tenho tudo que preciso: amor, inteligência e riso
E o que eu mais procuro sei que é aqui dentro que está

Saca só essa aparência, sou é pura impermanência
Keith Richards, Iggy Pop, é como quero estar
O troféu e a champanhe, talvez não seja eu que ganha
Não vou ser página da Caras e isso é muito bom

Vejo cada marca no meu rosto e acho bem legal
Veja, tudo vem e tudo passa, isso é natural
Saca só meu kit de beleza: é meu coração, sim, com certeza
Que se está feliz vê o universo todo se alegrar



*Essa é uma música do meu queridíssimo Wander e que me fez ver que não sou a única a ver as coisas dessa forma. Interessados na música, me avisem que eu passo ela.

12 comentários:

Pandora disse...

Massa Seerig, vc é o que é e pronto, quem te ama te ama do seu jeito, se vc quiser mudar, mude, mas mude por você e para você e não por vontade de terceiros!!!!

Irene Moreira disse...

Seerig

Amei ter escolhido fala de espinhas, pois vivi esse mal e em uma época que só falta me enfiar dentro da geladeira, pois sofria mais no verão.

Comer chocolate nem pensar, naqueles dias era o fim do mundo juntando com as cólicas... bem escreveria um livro para falar das torturas vividas.

Agora o mal acabou, mas tenha certeza que virão outros que aceitaremos naturalmente e que me amem do jeito que sou.

Beijos

Anderson Kravczyk disse...

Bah, concordo contigo Ana ^^, eu sei mais do q ninguém de como as pessoas julgam só pela aparência. De tanto me incomodar com isso, acabei virando um ogro anti-social....

To numa fase de aprender a ser mais tolerante, de tentar ser masi querido, principalemnte com a gente q eu curto, talvez assim eu as reconquiste....

Se não for nenhum incomado, poderia me manadr a música? Obrigado ^^

Aleska disse...

eu não fui do tipo que tinha várias espinhas não, mas varias pessoas queiseram me socorrer da minha falta de gosto pra roupas. Algumas amigas pediram pra eu pegar o cartão da minha mãe e sair pra fazer compras com elas kk. É um saco mesmo.

Aleska disse...

aliais por que devemos tentar ser mais bonita do que somos? eu nunca entendi isso.

Enfim Shakespeare disse...

Quer sinceridade? Espinha todo mundo tem se não teve um dia vai ter, tem gente que tem muita e tem gente que tem pouca, simples assim.

Gostei do tema abordado e da proposta da Blogagem


http://enfimshakespeare.blogspot.com.br/

Luma Rosa disse...

Acho que todo adolescente passa por um período de explosão hormonal em que as espinhas afloram e basta lavar o rosto várias vezes ao dia para as bactérias não se proliferarem. Já no adulto pode ser mais sério, pois espinha pode ser sintoma de até mesmo cisto no ovário. Realmente, ligar para a estética nessa hora, não está com nada, mas também não ligar, fica estranho pois é uma "doença" que se você deixar, come toda a pele do seu rosto. Digo isso, por que tinha uma amiga que sentia dores horríveis no rosto e costas por causa das espinhas que chegaram a comprometer o nervo frénico e até hoje ela sente dores no maxilar quando come algo mais duro.
Acho chato quem repara a aparência, parece que não vê nda além disso. Pessoas assim, sabemos logo o que se passa dentro do seu "corpo invisível" - numa alusão ao post da Rute, também participante da coletiva.
Boa semana!! Beijus,

Nati disse...

Eu sempre me importei muito com a aparência, porém o amor me cegou e eu parei de dar bola pra essa futilidade, porque percebi que não vale a pena. O que vale mesmo é o caráter, a personalidade, os sentimentos e como a pessoa te trata. Viva a beleza interior. Beijo

Bel Rech disse...

Não lembro de ter tido espinhas na minha adolescência, mas todos passam por fases e essa é uma fase que os adolescentes passam...Hoje vejo com meu filho!Acredito que as pessoas é que se preocupam conosco, para vc ou para mim tem coisas mais importante que uma aparência, mas garanto para você que aos 40 me sinto bem melhor com meu corpo e principalmente com aquilo que penso e tenho sabedoria para pronunciar.
Paz e bem

Christian V. Louis disse...

Ana, este negócio de comparações é terrível. Sempre "pegam um pra Cristo" para comparar com um que seja "a perfeição", isto não somente na aparência, mas em diversos setores da vida e os familiares, por vezes, conseguem ser muito mais cruéis do que os desconhecidos.
Foi contraditória para você toda esta pressão, ao mesmo tempo que não se importava, acabou por se importar e enfraquecer e ceder. Contanto, o importante é que agora você aprendeu com isto que não precisa fazer a vontade dos outros para agradar ninguém, aliás, não precisa agradar ninguém além de si mesma. Os outros nunca estarão satisfeitos de qualquer modo.

Orvalho do Céu disse...

Olá, querida
O corpo da mulher deve sempre surpreender:
"Ser bonito por dentro e por fora"...
Vc disse algo bem bacana: ser feliz é a questão... ser feliz dentro do nosso corpo e fora dele...
Seja abençoada e feliz!!!
Bjs de paz

VaneZa disse...

Afe! Até hoje eu sofro com espinhas. Mas as minhas não são daquelas que precisa de isotretinoína, não. Mas incomodam.

Às vezes eu curto essa parada de ler blogs porque certos textos fazem vc refletir sobre algo que nunca antes havia pensando. Foi justamente as minhas espinhas que trouxeram a maior felicidade da minha vida. Sabe por quê?

Foi fazendo tratamentos para pele que conheci a Fisioterapia Dermato Funcional, e me apaixonei. Nunca tinha me atentado pra isso antes.

Daqui há um ano eu vou lembrar que no dia que a gente completava um ano da primeira conversa no MSN eu li essa sua postagem que me fez perceber que as minhas espinhas me fizeram encontrar a profissão da minha vida. :-)

Fora as espinhas tem toda aquela parada que eu te disse na carta, de ter sido a magrela nariguda da escola, e hoje em dia me olhar no espelho e ver uma mulher linda.

BeijoZzz