sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Desaprendi a escrever

Só pode ser isso. Quase um mês sem atualizar o blog. É vergonhoso. Mas mais vergonhoso é dizer que não foi por mera falta de tempo, mas sim falta de ter o que escrever. Ou de vontade. Será que estou gastando minha capacidade com o jornal. Quer dizer, agora escrevo por obrigação mais do que por vontade. Não que eu não goste de escrever pro jornal, mas perde a espontaneidade. E eu, na maioria das vezes, acho uma merda o que escrevi. Mas enfim, a verdade é que eu larguei o blog e a blogosfera e vou me esconder embaixo da cama de vergonha. Em quase quatro anos de blog, um mês não parece muito, mas tenho a impressão de que foi uma eternidade. Aliás, eis uma das razões pra eu parar e escrever: em menos de um mês o blog completará quatro anos, ou seja, preciso mantê-lo em pé ao menos por umas semanas. Ah, sim, aceito sugestões de como comemorar a data (sejam legais e não sugiram vídeos) e sugestões de tema de post, como sempre. Mas eu acho que tenho algo para hoje.

Hoje o dia foi excepcionalmente bom, de maneira geral. Talvez porque ontem eu tenha me estressado demais, talvez porque essa sexta-feira foi mesmo boa, o fato é que me animei a escrever. Me animei reparando pela milionésima vez em pessoas no ônibus. Peruas podem dizer que tenho alma de pobre, que seja, o fato é que poucas coisas me são tão divertidas e interessantes do que andar de ônibus e reparar nas pessoas. 
Uma vez falei sobre aquele dito banco de costas no qual ninguém quer sentar, agora falarei de outra coisa que me incomoda por vezes, mas que em outras me faz parar e pensar. Aliás, outras coisas. Pessoas têm manias estranhas, até porque pessoas são estranhas, eu sei, mas há realmente coisas que não entendo. Uma delas é: porque uma dúzia de pessoas fica em pé enquanto há um banco vazio? Um banco posicionado tal como os outros e as pessoas não sentam, em vez disso se acumulam de pé.
Uma das minhas teorias é que cada um que entra vai na onda dos que já estão ali: se ninguém sentou, por que eu vou sentar? Outra é de que as pessoas tem vergonha de pedir licença para chegar ao banco, mas eu acho essa uma opção fraquíssima. Tenho pra mim que as pessoas são mesmo preguiçosas, preferem se deixar ficar onde estão. É ridículo, eu sei, mas essa é uma suposição que aparece em outra observação minha.
Pessoas gostam de se acumular, em pé, até metade do ônibus. Tipo, conforme vai entrando mais gente, em vez dos que estão já de pé irem mais para o fundo do ônibus ou, no mínimo, deixar passagem para os que entram conseguirem transitar no corredor, eles simplesmente travam onde estão. Se bem que, tal como no outro caso, os que chegam se deixam ficar onde estão e esquecem de tentar ir adiante.
Na boa, qual é o problema do mundo? As pessoas, só pode. Se houver como, tenha certeza que em breve tu vira a esquina e encontra uma pilha delas. Isso aí, um amontoado de pessoas olhando pros lados e esperando que chova canivete ou sei lá o quê. As pessoas simplesmente ficam onde estão e pronto. Ninguém pensa em dar um cutucão educado em quem impede o seu caminho e falar um claro "com licença", tal como não se arrisca a sentar no banco que todo mundo esnoba.
É um frase tola e constantemente ouvida, mas eu não resisto a encerrar o post com ela:

Quem não arrisca, não petisca. 




Mas me perdoem pelas tolices. Desaprendi mesmo a escrever. Por isso peço: me deem assunto. Até mais ver!

6 comentários:

Mr.Orange disse...

Minha cara, sei bem o que é isso, também fiquei sem atualizar o "Que letra é", mas agora resolvi voltar. Se te acalanta, nem sempre a originalidade que buscamos é algo necessário, muitas vezes a repetição da fórmula o melhor remédio. Porém, acredito que mesmo como sonho, o pensamento próprio e singular deve ser almejado. Forte abraço!

Pandora disse...

Não, vc não desaprendeu nada dona Ana!!! Está tudo ai, as vezes é preciso dar um tempo do blog, isso não faz mal, pelo contrario... E sim, eu também gosto de andar de ônibus, de ver pessoas, de ouvir suas histórias e observar!

Essa sua reflexão faz sentido, as pessoas se atulham na frente, espremidas, sufocadas em vez de seguir para algum no minimo mais confortável, se esquecem de arriscar... E isso sempre é trágico!!!

Roderick Verden disse...

Isso só deve acontecer no sul, porque aqui, no sudeste, onde moro, quão valioso, num banco de um ônibus, que esteja disponível.

Roderick Verden disse...

Só mais uma coisa, detesto andar em ônibus, mas às vezes não há como evitá-los...

VaneZa disse...

Rapaz, pois em Fortaleza a galera se estapeia pra poder sentar num banco. Acho que o problema tá com as pessoas daí. Fato!

BeijoZzz

Allyne Araújo disse...

As pessoas são estranhas. Os escritores vivem em crise, e o mundo sem observação é um saco.

Bjoooooo!