quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Sabe, moço,

... como já disse antes, sou contra chamar 20 de setembro de Dia do Gaúcho. Por quê? Ora, por acaso se chama 22 de abril, 07 de setembro ou 15 de novembro de Dia do Brasileiro. Não! Em abril, se lembra do (suposto) descobrimento do Brasil, em setembro da (meiga) Independência e em novembro da (mais meiga ainda) proclamação da República. Então, 20 de setembro é dia de se lembrar da Guerra dos Farrapos e não de exaltar a cultura gaúcha (mania, aliás, um tanto recente).
É óbvio, moço, que com essa mania de achar que 20 de setembro é um dia simplesmente pra se sair pilchado por aí, muitos gaúchos acabam desprezando o dia. Levando em conta essa ideia, não os julgo, mas também não os defendo. Do mesmo modo que acho tosco quem avacalhe com quaisquer dos feriados nacionais acima citados, acho que é desnecessário ficar lançando frasezinhas nas redes sociais fazendo trocadilhos com o hino gaúcho e coisa do gênero. Sabe, moço, sou da velha teoria de que respeito é bom e todo mundo gosta. Se tu não acha a data digna de comemoração, não comemore, mas respeite quem quer comemorar, e isso quer dizer respeitar a data em si. 
Há exatamente um ano atrás já levantei um debate sobre essa questão e não quero retomá-la pois minha opinião já está dada e, de qualquer modo, há os que sabem debater e os que apenas sabem criticar. Pois me vou. Apenas queria manter a tradição de postar algo no 20 de setembro, afinal acho que é uma data que precisa ser lembrada. A quem não conhece meu discurso, ei-lo neste link

Fecho o post com Leopoldo Rassier e a música cujo título deu nome a esta postagem.


Sabe, moço

Sabe, moço, que no meio do alvoroço
Tive um lenço no pescoço 
Que foi bandeira pra mim
Que andei mil peleias
Em lutas brutas e feias 
Desde o começo até o fim

Sabe, moço, depois das revoluções
Vi esbanjarem brasões
Pra caudilhos coroneis
Vi cintilarem aneis
Assinaturas em papéis
Honraria para herois

É duro, moço, olhar agora para a história
E ver páginas de glórias
E retratos de imortais
Sabe, moço, fui guerreiro como tantos
Que andaram nos quatro cantos 
Sempre seguindo um clarim

E o que restou? Ah, sim!
No peito em vez de medalhas, cicatrizes de batalhas
Foi o que sobrou pra mim


2 comentários:

Pandora disse...

É duro ser apenas uma pessoa comum néh Rassier?!?!?

Concordo contigo Ana, trocadilhos não são bem vindos e talvez um pouco de orgulho e de memória faça bem a qualquer nação.

Dayane Pereira disse...

Hm, agora sim!
rsrs