sábado, 3 de novembro de 2012

O simples (não) é fácil, o complexo (não) é bonito

É, pelo que deduzo, fácil de perceber, através do que escrevo, que é-me fascinante, para não dizer irresistível, o uso de vírgulas. Confesso que, há algum tempo atrás, as vírgulas não era minhas amigas, afinal não sabia usá-las, mas hoje é-me quase impossível não colocá-las, como pode se ver na frase inicial deste post, em toda a oportunidade que surge.
Mas, veja que terrível, meu trabalho em jornal, uma realização, fez-me desapegar dessa mania, que pessoalmente sempre achei bonita, de jogar fins para o meio e meios para o fim, e me fez colocar cada coisa em seu lugar. Que luta a que travei comigo mesma. Escrevia e reescrevia até chegar ao final, sem graça e simples, mas mais compreensível, pelo que me disseram. 
Mais difícil ainda foi me desapegar daqueles termos que sempre achei bonitos nos livros de Austen e Dumas: 'és-me', 'de fato' e o 'se' depois do verbo, em vez de antes. Dessa vez a culpa foi do texto simples que não aceitava expressões tão incomuns na linguagem popular. Desnecessário é dizer que não eram apenas nos textos jornalísticos que o difícil, que eu sempre achei tão bonito, parecia desprezado. 
Só agora tomo consciência das minhas ridículas elegâncias literárias. Vejo textos de alguns colegas que vão e voltam, com palavras impossíveis de serem lidas em um fôlego só, textos cheio de termos que eu sempre achei bonitas, mas que pouco dizem. Os escritos de Austen e Dumas são em linguagem antiga, mas ainda são simples com suas coisas bonitas, por isso que, de fato, escrever simples não é fácil, como li lá no blog da Ana Carolina.
Enquanto tento me desapegar do uso costumeiro de certos termos e de certas vírgulas, lembro da minha caríssima professora de português de três anos atrás, que me ensinou na marra a escrever tudo em apenas 30 linhas. Peço, então, aos meus queridos amigos blogueiros - e mesmo aos não blogueiros -, aliás, antes sugiro: não escrevam sem parar e nem tentem escrever bonito demais, é algo divertido de fazer, mas não de se ler. Sei, não é fácil, mas eu cá estou tentando me corrigir, afinal brincar de escritor(a) será mais interessante se evoluirmos aos poucos nisso. 

6 comentários:

Pandora disse...

Eu sei, estou as voltas com a escrita acadêmica e não consigo sair do lugar... Falar simples é difícil... Informa algo através da escrita também... Mas, ao menos no meu blog me permito fazer o que eu desejar... Afinal ele não tem fins lucrativos e ler quem quer, como e quando quer eu não convido ninguém a ler aquela caixa perdida entre caixas então se alguém quiser ler, tenha paciência e engula a concordância estranha, as virgulas e derivados...

Acho que vou adotar uma postura intolerante com correções... a postura tolerante tá me rendendo muito aborrecimento... #ProntoDesabafei

Mas, fora meu desabafo, tenho que dizer que o seu texto ficou hilario... kkkkkk

Alê Lemos disse...

Eu bem sei como é isso. Antigamente eu gostava de palavras como "eis" e "sois", e as vezes me arriscava a juntá-las e ficava uma lambança só. Palavras rebuscadas demais num só parágrafo cansa a vista e o cérebro rssss.

Malú Oliveira disse...

Realmente, escrever não é nada fácil. De uns tempos pra cá me apeguei ao ponto final. Achei melhor, mais simples. Mas é como você mesma disse: vamos evoluindo aos poucos.

Ótimo texto! :)

Dama de Cinzas disse...

Tenho um problema sério com vírgulas, elas são meu carma na hora de escrever. Nunca aprendi a usá-las na totalidade, então o que me falta aprender disso é o que me faz quebrar a cabeça na hora de escrever um post... rs. Quando tenho dúvida coloco logo um ponto... rs

Beijocas

Ana Carolina Lima Da Rosa disse...

É escrever conforme certas manias que temos é algo bastante difícil de corrigir, além de eu ter sido base pro texto, escrever simples não é fácil, mas também acho que usamos inadequadamente algumas palavras, virgulas. E o que seriamos de nós sem os professores de Português nos ensinando, a nós blogueiros errando e aprendendo. E eu estou tendo uma professora no ensino médio bastante mania tica, mas que tenta nós tirar algumas manias de fato bem desnecessárias. E sobre textos exagerados nunca foi meu forte, talvez pelo fato de eu gostar de escrever em cadernos, folhas, e não ultrapassar uma folha c?mais de 30 linhas que meus textos tem o formato pequeno e as vezes médio, mas raramente grande (:

Izabel Brum disse...

Olà, Ana!

Meu principal problema é que tenho vontade de postar, vou direto a janela de postagem e nem reviso e já vou postando.

De um tempo para cá resolvi cuidar um pouco isso pois se deve a "birra" que fiquei depois que uma prof na faculdade obrigava a transformar nossos textos numa formalidade que doía de ler.

Gosto de vírgulas, mas não uso regras para colocá-las. Nos próximos textos vou colocar vírgula exatamente onde quero que o leitor faça uma pausa.

Adoro as colocações verbais assim: "ver-te", ou "certo está que".

Bom, estou chegando aqui no "alguma coisa a mais para eu ler"

Abraços pampeanos.

Iza