sábado, 24 de novembro de 2012

Um nível acima (ou não)

Vez ou outra alguém me chama de intelectual. Verdade ou não, isso não me importa, até porque cada um sabe do que lhe interessa. Ignoro praticamente tudo quando o assunto é música erudita, mas sim, já li Guerra e Paz. Sim, eu admito, leio Naruto e Dragon Ball, e, maior confissão ainda, não li nada de Goethe, Nietzche e muito menos de Dostoevsky porque simplesmente nunca tive vontade. Então, me diga, o que é, exatamente, ser intelectual?
O que quero dizer é que pesquiso sobre coisas que eu gosto e guardo as informações que me interessam. E todo mundo faz o mesmo. Agora, se eu sou uma surtada que adora Dumas, pai, não significa que eu vou conversar única e exclusivamente com pessoas que compartilham da minha opinião de que ele escreveu o livro mais lindo do universo. (Até porque, se o fizesse, o número de pessoas com quem eu conversaria seria escasso.)
Falo tudo isso porque outro dia uma criatura chegou pra mim e disse que eu deveria arrumar oportunidades para conversarmos mais porque ela gosta de falar com pessoas que compreendem o que ela diz, que 'sejam do mesmo nível' dela. Ok, eu gosto de falar com pessoas que saibam quem é Dumas, mas isso não quer dizer que valorize mais as conversas com essas pessoas do que com as outras tantas. Desnecessário é dizer que corri às pressas desse ser.
Aí, nessa última semana, uma colega minha me comentou que se sente deslocada no curso de Jornalismo. Por quê? Porque a maior parte dos indivíduos que estão metidos em Comunicação Social se acha fantástica, agem como se fossem os seres mais magníficos e espertos do universo e, praticamente, acham desnecessário prestar atenção em aulas porque, creio, acreditam estar acima disso. Aí, como ela, assim como eu, se vê como uma mera mortal, ela acha que está no lugar errado. 
Caso não tenha ficado claro, vou registrar com todas as letras: esse papo de intelectual é uma tosquice danada, até porque quem acha que é um, na certa, está longe de ser de fato. E pra todos os seres que se sentem mal perto de tais criaturas, ignore-os completamente, nem eles sabem o que são. O fato de tu estar bem como é, sem precisar convencer ninguém disso e, muito menos, se comparar aos outros, prova que tu é um ser melhor que qualquer um deles.
Agora, para os que se acham espertos demais, acham que têm toda as soluções da humanidade nas mãos, oras, vão se olhar no espelho. Ninguém é melhor que ninguém e não há assunto que seja mais importante dominar do que outro. Para quem não sabe, um cara chamado Gardner jogou na cara de todos os seres da área da educação que achar o estudo da língua materna e de matemática mais importante do que tudo é a maior ignorância já feita nas escolas. Ou seja, pesquise o que quiser pesquisar, goste do que quiser gostar, aprenda o que quiser aprender, o resto do universo que exploda. E sim, tem uma coisa que tu sabe melhor do que qualquer outro e, não, ao contrário do que os outros dizem isso não é menor que outras coisas. 
Enfim, o resto que se exploda. 

5 comentários:

Malú Oliveira disse...

"...pesquise o que quiser pesquisar, goste do que quiser gostar, aprenda o que quiser aprender..."

Acho que é exatamente isto que faz com que as pessoas vejam algumas outras como "intelectuais". Geralmente estes que são chamados de intelectuais gostam de aprender, pesquisam, estudam, conhecem. Eu mesma já fui chamada por várias pessoas de culta, intelectual.... Não me acho isso tudo, mas de uma coisa eu sei: Tenho sede de conhecimento. Então se isso faz de mim uma "intelectual", que assim seja! (:

Beijos!

Dayane Pereira disse...

Gostei mto do assunto abordado Ana. Eu gosto de um tanto de coisa que não conheço mais pessoas que gostam.. não que elas não existam, mas no meu círculo de amizade não tem quem goste.. então, eu simplesmente não falo sobre. Isso não significa que vou deixar de gostar ou que não vou conversar com mais ninguém.
Tb não finjo interesse em coisas em que não tenho, e não gostam que me imponham, ou que "sugiram" que sou desinformada porque não conheço um livro/filme/assunto que eles gostem...
É bem o que vc citou: cada um gosta de uma coisa, cada um sabe mais de um assunto e isso não te faz superior ou inferior do que ninguém! Todos tem algo de bom para passar e para aprender!

Dama de Cinzas disse...

Tem assuntos que gosto que tão pouca gente gosta, que acabo conversando eles comigo mesma... rs.

E quanto as pessoas, quanto mais interessantes elas se acham, mais chatas são e vice-versa.

Beijocas

Alê Lemos disse...

Eu me sinto exatamente assim na faculdade de história. sinto que estou no lugar errado porque não estou afim do rótulo "intelectual", já que para mantê-lo é preciso viver estudando, e apesar disso ser importante, há tantas outras coisas a serem feitas na vida que não vale o esforço. Ah não sei se vc gosta, mas tem um selinho pra vc no entrelivros. beijos!

Gabriela disse...

Adooorei, mesmo !
Adooro textos, ainda mais quando traduzem o que sinto

fashiongirlmania.blogspot.com