quinta-feira, 2 de maio de 2013

Meu nome é Bastião

O fato é que estão achando que minha casa é depósito de tralha. Minha neta se manda lá pro outro lado do Atlântico e os pais dela acharam que não teria problema em tirar essa geringonça da casa deles e trazer para a minha. E nem sequer me perguntaram antes. Mas que barbaridade. que mundo é esse? A porcaria deixa de atrapalhar na casa deles e vem atrapalhar na minha? Se há uma razão para que eu não more com os meus filhos é a vontade de não ser atrapalhado. Aí eles trazem tralhas para me atrapalhar. Eu já colecionei lixo suficiente durante a minha vida, não preciso de mais. 
Esse mundo de hoje está completamente perdido. Se nem os marmanjos sabem o seu lugar, que dirá as gurizadas por aí!
Mas eu sou um homem paciente e tento compreender o mundo. Uma das questões, por exemplo, que estou tentando entender é: por que diabos a minha neta ficava até tarde da noite nessa porcaria em vez de se comunicar com seres normais e ter uma diversão tremenda numa mesa de baralho? Eu tinha tanta fé nela quando era pequena, não largava o baralho um só instante! Aí os pais dela resolveram comprar essa porcaria que agora está ocupando metade da minha sala e a guria saiu do caminho. É uma barbaridade! 
Como disse, estou tentando entender, por isso que comecei a apertar tudo que era botão. No fim das contas nada explodiu e de algum modo apareceu uma tela branca aqui pedindo título. Deduzi que fosse pra escrever. Estou escrevendo, vamos ver o que acontece depois. A bem da verdade, aliás, esse negócio é ruim que é uma barbaridade pra escrever. Tu aperta uma letra e outras acabam aparecendo na tela branca. Estou numa peleia danada aqui. A cada letra que tento escrever, apago umas três. Esses botões pequenos são só pra complicar. Botão pequeno só aceito em gaita-ponto e olhe lá! Já é um escarcéu danado toda manhã pra eu colocar a camisa. 
A tela branca tá quase cheia. O que vem depois? Porcaria, ainda falta pra preencher o negócio. Por que essas letras pequenas? É por isso que hoje em dia tem quase tanto piá de óculos quanto velho. Tudo hoje é com uma letra que não dá pra enxergar. Deve ser um acerto entre esses doutor dos olhos pra ganhar dinheiro. Todo mundo hoje está tão agarrado ao dinheiro que é complicado encontrar quem esteja disposto a apostar alguma coisa no baralho. Uma vez eu ia jogar todo dia, hoje mal consigo gente pra uma vez por semana. Esse povo que acha que é melhor comprar esses celular chique com um monte de frescura em vez de ser homem e carpetear. É uma barbaridade, sem dúvida, tchê. 
Opa, apareceu uns negócio aqui do lado da tela branca. Acho que ela tá aumentando. Como é que pode? Nunca que vai caber numa folha só isso. Só com letra miúda. A água tá fervendo pro mate da manhã, vou voltar a apertar botões e tentar ir matear sossegado. Vamos ver se não pega fogo essa coisa, porque coisa nova só serve pra estragar, quando vê tá tudo explodindo. Olha ali o dia clareando e os quero-quero voando. Outra das belezas que o mundo de hoje perde, tudo porque preferem ficar dormindo até mais tarde. Mundo vadio esse! 

4 comentários:

Pandora disse...

Nunca pensei que fosse encontrar Bastião por aqui!!! Ele me lembra o lendário Rafael - o primeiro - o homem era tão cheio de tenacidade, trabalhador a beça, paraibano, sertanejo, cabra macho sim sinhô! Ele se daria bem com o Bastião, só não sei se ia matear, acho que ele ia preferir um bom cachimbo e um café pequeno ou uma dose de cachaça para esquentar!

Tita disse...

Bastião, velho amigo! Quando vai aparecer de novo por Nova Petrópolis? Não se preocupe pq o povo já esqueceu o vexame que tu deu, acordando de manhã no Labirinto da praça, cheio de turista em volta, achando que vc era um véinho que tinha tido um piripaque no coração. Mal sabiam da noite virada no boteco, no carteado com os outros aposentados, tentando ganhar um dindim pra voltar pra Casssias, já que tinha gasto tudo na cerveja!
Larga esse treco de computador lá no galinheiro, pras galinhas usar como poleiro... tua neta limpa quando voltar, se ainda quiser usar. Acho difícil pq, como vc mesmo disse, essa gurizada gosta de botão pequenininho, intão ela deve trazer uma aparelhinho lá do outro lado do Atlântico, que vai ficar acendendo e apitando o tempo todo, lembrando ela de fazer algo que não leva a nada. Tão sempre ocupados mas a gente não vê nada feito. Devia ser lei pegar uma enxada pra fazer uma horta ou a vassoura pra uma faxina no quarto, tá tudo virado numa bagunça. Muito tempo fazendo nada! Bem, to indo pq preciso cortar umas madeiras.
Inté!

gossip boy disse...

gostei desse desabafo parecido co um poema. bastião tem imaginação.............

Notas de Rodapé disse...

Bastião se vc conhecesse a gente melhor saberia o motivo da Ana preferir conversar com a gente e deixar o baralho de lado! kkkkkkkkkkkk

Bjs, Michele