quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Quando a esmola é demais, o santo desconfia

Eu tive um acidente outro dia quando fui arrumar a cerca e fiquei um tempo com uma mão só. Acidentes que acontece com quem não fica se coçando o dia inteiro e vai fazer algo útil. Se era difícil fazer coisa útil, que dirá coisa inútil, como mexer nessa geringonça. Mas aí eu vieram me encher os ouvidos com esses papos de namoro daqui e de lá. Mas vão criar vergonha na cara. Essa gurizada de hoje troca de namorado a cada semana e ainda acham que tem que incomodar gente de idade com seus casos trágicos. 
Sempre digo pra minha neta: abuse o máximo desses caras que vem te trovar, mas não vai se comprometer. Namoro pra mim é sério, não me venham com essa de trocar de namorado a cada cinco minutos. E eu ainda vejo uns por ai se chamando de amorzinho e não sei mais o quê na frente dos outros. Mas ora essa, não é novidade pra ninguém que casal que muito se ama na frente dos outros, não se dá bem de verdade. Só tive uma mulher na minha vida e não precisava ficar amando ela no meio da rua. Ela faleceu e eu não estou interessado em ter outra pra querer apitar na minha vida nessas alturas do campeonato. Se começam a me ligar ou não sei o quê, dou qualquer jeito, me escondo, mando alguém atender o telefone, mas não fico dando trela. 
Na minha época, aliás, as famílias é que arranjavam o casamento. Não tinha essa de mil namorados. Lembro que uma senhora queria me empurrar pra filha dela ou de sei lá quem. Era aquela velha metida que fica arrumando casamento pra todo mundo. Mas olha a minha cara de quem vai aceitar velha bisbilhotando minha vida. Nem pensar. Casei com a mulher que eu quis, mesmo tendo gente contra. Ela me aguentou muito bem, obrigado, mas agora não preciso de outra. Meus filhos tão criados e eu já não tô em idade de ser controlado por alguém. 
E essa gurizada de hoje louca pra arrumar compromisso. Na minha época a gente corria disso, isso sim. Agora tá uma bagunça que só vendo. Minha filha vive contando de alunas grávidas. Que diabo de mundo é esse? Criança criando criança? Mal sabem limpar a bunda e já tão amando e arrumando filho por aí? Que mundo é esse? E onde estão os pais dessas criaturas que deixam os filhos por ai? Ora essa, ai se um dos meus filhos fizesse isso! Especialmente minha filha. Mas nem ela nem minhas netas apareceram grávidas antes da hora. 
E essa moças burras que ficam dando trela pra qualquer indivíduo que apareça? Essas de fato não têm família e tem que ficar fazendo fiasco por ai... Se bem que tem gente que acho que é ruim de nascença, por mais santos que os pais sejam. É cada caso que conheço! Mas também tem tanto filho santo por ai que tem mãe e pai que não prestam mesmo. Vai entender, não é mesmo? 
Ah, mas se a gente vai ver esses causos de família, a conversa não acaba. Tudo que sei é que quando a esmola é demais, o santo desconfia, e que onde tem fumaça, tem fogo. Nem todo causo é só um causo...

3 comentários:

Lane Lee disse...

Isso Bastião! O povo hoje, ainda cheirando a leite se mete a sair namorando, sem qualquer senso de responsabilidade com o outro e consigo mesmo. Se não fosse vc, a Ana tb estaria nessa vida!

Rebeca Postigo disse...

Huahuahua...
Esmola demais sempre é um risco...
Cada dia que passa o amor passou a ser algo fútil e descomplicado...
As pessoas precisam sim aprender a dar valor ao que realmente vale a pena e não nas ilusões...
Triste fato que nossa sociedade não consiga ser sincera...
Excelentes palavras chefinha!!!

Bjo, bjo!!!

Suzi (Vulgo, Emilie) disse...

E por alguns instantes, achei que o conto fosse uma crônica pessoal. Ou será que é só uma crônica ficcional? E adorei o modo natural com que el foi escrita.