domingo, 6 de novembro de 2016

Sobre a minha solteirice

Faz tempo que penso em escrever sobre isso, mas fui deixando pra lá porque ando meio que de saco cheio do Facebook, onde as pessoas leem o que escrevo e acham que sabe tudo sobre mim sem ao menos se prestarem a falarem comigo de fato. Até poderia postar no Facebook pós-divisão dos amigos em grupos, mas não sei se faria muita diferença. Melhor resgatar o blog pra isso, já que as pessoas parecem ter mais dificuldade de acessar um link do que ler no Facebook mesmo. Enfim, hoje me inspirei pra vir aqui escrever porque a Aleska me mostrou esse post do Buzzfeed. Então vamos lá. 

Quando eu digo que sou solteira, as pessoas tem três reações claras.

1. Tapinha nas costas: "Não se preocupe, uma hora aparece o cara certo pra ti."

2. Solteira convicta: "Tu não tem ninguém porque não quer. Garanto que tem um monte de pretendentes atrás de ti."

3. Tá certo: "Isso aí, tu tem mesmo que se dedicar ao trabalho e aos estudos. Tem a vida inteira pra se incomodar com homem. Boa escolha."

Minhas respostas mentais:

1. "Eu não estou preocupada."

2. "Tô cheia de pretendentes? Onde? Tudo bem que sou péssima em perceber segundas intenções, mas acho que o problema é que vocês acham que meus amigos tem uma queda por mim. Não. Meus amigos são meus amigos, não meus pretendentes."

3. "Não escolhi nada. Não priorizo nada. Só não vivo desesperada atrás de homem/companhia. Não é como se eu tivesse chutando homem a torto e a direito por causa da faculdade. Aliás, eu não dispenso nada por causa da faculdade. Há fases e fases da vida e, se eu tô só trabalhando e estudando sem estar desesperada para arrumar um namorado com quem postar fotos no Facebook é porque simplesmente tenho trabalho, faculdade e nenhum relacionamento em vista. Acaso, não autoimposição."

Como eu gostaria que reagissem quando eu digo que sou solteira? Do mesmo modo que eu reajo quando me dizem que tem namorado ou equivalente: "Hmmmm, tá." e aí passar pra qualquer assunto mais relevante do que o estado civil da pessoa no Facebook. 

Uma forma que encontrei de não me incomodar de fato com essas reações toscas sobre a minha solteirice foi simplesmente avacalhar as pessoas que se desesperam com ela. Por exemplo: aqui na minha não-ditatorial família, meu pai proibiu namoro antes dos 18 anos. Minha excelentíssima irmã mais velha começou a insistir pra mudança de regra aos 15, sem sucesso. Eu fiz 15, fiz 16 e meu pai se preocupou. "Agora que tu tem quase 17 pode namorar". Nada. A única coisa que ele conseguiu foi afinar minha avacalhação com o tema. 

"Quem era no telefone?" "Meu namorado."

"Onde tu estava?" "Me agarrando com o meu namorado."

"Com quem tu vai sair hoje?" "Com um dos meus candidatos a namorado."

"Nossa, que humor é esse? Brigou com o namorado?" "Adivinhou."

"Tu vai passar a noite na casa de quem mesmo?" "Do meu namorado."

"Mas realmente não tem candidato nenhum?" "Não, não encontrei nenhuma vítima merecedora desse carma."

E assim por diante. Ás vezes tem umas conversas tão bizarras em torno do tema que registro no Facebook. Ou pelo menos até alguém entender isso como "desespero, modo de chamar atenção, carência" e blábláblá. 

Eu avacalho esse assunto desde meus 15 anos e agora as pessoas vem me dizer que é maneira de chamar atenção? Até fiquei um bom tempo sem fazer esses registros no Facebook. Mas, ó, se vocês chegarem aqui em casa, vão me ver falando do tema das maneiras mais irônicas possíveis - e todo mundo aqui entende que é ironia. Aliás, tô tão acostumada a cortar o interrogatório alheio com "meu namorado" que tive que me controlar pra não fazer isso na frente de outras pessoas, porque elas realmente levam a sério e não notam que é avacalhação. 

A razão de eu não ter registrado tudo isso antes é, provavelmente, a certeza de que vão achar que é drama desnecessário, mas realmente às vezes fico de saco cheio dessa história. Felizmente as pessoas não começaram a me empurrar pra ninguém e, quando ameaçaram fazer isso, eu ridicularizei tanto a hipótese que deram pra trás. 

Já falei isso antes aqui no blog e nas entrelinhas acima, mas pra deixar claro: não sou solteira convicta, apenas não sou uma solteira desesperada. Fico feliz por ter uma lista de amigos e não de ex-namorados. E não é porque eu não falo aos quatro ventos e mudo status do Facebook que eu não tenho rolos. Mas acabam sendo rolos e, enquanto nenhum deles der certo de fato, não vejo razão pra espalhar pra Deus e o mundo. Aliás, acho que vocês andam se amando e se desamando rápido demais. O que me assusta é vocês acharem que isso é normal e eu que sou problemática. A minha teoria é que vocês mesmos não se aguentam. 

Há uns meses atrás me assustei ao ver que um amigo tava namorando uma guria há alguns meses e praticamente moravam juntos: uma semana na casa dos pais dele, outra semana na casa dos pais dela. Nem um ano e já tinham anel de compromisso. Lindo e maravilhoso na teoria, mas vendo os dois juntos não me convenci nem um pouco. No mesmo dia descobri que um cara que eu jurava que era solteiro no fim do ano passado, casou - sendo que esse sim eu ouvia dizer que era solteiro convicto. Realmente espero que ele esteja feliz, mas não consigo acreditar nisso, já que ele volta e meia ressurge pra conversar comigo (antigo rolo, que, na real, nunca entendi porque não deu certo). Se recém casou, não devia estar se ocupando 24 horas por dia em vez de se ocupar em lembrar da minha existência?

Mas o que me incomoda mortalmente é ver amigas/os sumirem em função de namoro e só aparecerem pra falar comigo quando estão de saco cheio do relacionamento e querem um incentivo pra terminar ou mesmo depois de terminado e querem alguém solteiro com quem 'aproveitar a solteirice' (que não vai durar meio ano, no geral) e beber cerveja. De verdade, nunca me importei de sair com casais, mas às vezes enche o saco ser lembrada apenas para ir no show do namorado e, mais que isso, ver as amigas acharem impossível marcar qualquer coisa sem eles. Menos gente, né?

Aliás, acho que no dia que eu namorar o que eu mais vou evitar fazer é arrastar namorado pra lá e pra cá meramente pra mostrar pra todo mundo que a gente se ama e não vive longe um do outro. Não, né? Cada um com sua vida, seus amigos. Depois o namoro não dá certo e não se sabe o que aconteceu com as amizades. Mas especialmente porque, no dia que eu tiver um relacionamento, quero que ele corra a rota mais natural possível, sem obrigações e expectativas, mas com o mínimo de respeito e confiança pela vida pré-namoro do outro. Sem formalidades e anúncio pra família toda - além do Facebook. 

Ah, enfim, isso tudo é conversa fiada de quem, de novo, tenta entender qual é o grande problema de se estar solteira. Acho que se ocupariam menos de mim se eu tivesse três filhos aos 24 anos, né? Menos, gente, beeem menos.  

2 comentários:

A Menina das Ideias disse...

Acho legal você lidar assim com isso. Sempre que minha tia me espreme para eu contar dos namoradinhos eu me sinto intimidada kkkk.

Cruz Tássio disse...

E você é uma moça muito bonita.